Análise: The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered traz um dos mais importantes e fascinantes RPGs da Bethesda para o Switch 2

Explore os segredos de Cyrodiil e feche os portões de Oblivion, agora no console da Nintendo.

em 23/08/2026
The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered
traz de volta um dos RPGs mais marcantes e celebrados dos anos 2000, com mecânicas refinadas e gráficos atualizados para a atual geração. Chegando ao console da Nintendo após sua elogiada estreia em outras plataformas, esta remasterização impressiona pela grandiosidade, embora sua ambição não esteja isenta de problemas no Switch 2. Confira a nossa análise!

A queda do imperador e o início de uma longa jornada

São os últimos dias da Terceira Era, no ano 433. Você acorda na Prisão Imperial, sem saber exatamente por que foi parar ali. No entanto, sua jornada por Cyrodiil está apenas começando, pois, de repente, o imperador Uriel Septim, em pessoa, ordena aos guardas que abram sua cela.

Curiosamente, esse acontecimento extremamente improvável tem uma explicação bastante simples: o monarca está sendo perseguido, e sua rota secreta de fuga passa pelo local onde você se encontra preso. Porém, ao vê-lo pessoalmente, o imperador o reconhece de suas visões em sonho e proclama que não é pela prisão que você será lembrado no futuro, deixando-o livre para fugir pelo mesmo caminho.

Infelizmente, mesmo com a escapada pela rota secreta, em poucos minutos a violenta emboscada inimiga é bem-sucedida, culminando na morte do monarca e da maioria dos seus guarda-costas. Momentos antes de falecer, o imperador, então, pede que você entregue um antigo amuleto real a um dos mais leais servos da coroa.

Como, aos poucos, vamos descobrindo, sombras terríveis pairam sobre Cyrodiil, sendo o assassinato de Uriel Septim, na verdade, um prenúncio das iminentes invasões daédricas. Agora, cabe a você descobrir o seu papel e escrever, como desejar, a sua história neste fantástico mundo medieval que tanto necessita de heróis.

Um RPG de suma importância tanto para a Bethesda quanto para a indústria dos games

Há muitos motivos pelos quais The Elder Scrolls IV: Oblivion é um RPG elogiado desde a sua estreia nos computadores, lá em 2006. O principal deles, na minha opinião, é a liberdade oferecida — ao sair dos esgotos da prisão (que também funcionam como um tutorial para as mecânicas), o jogador está inteiramente livre para explorar o mundo à sua volta. Uma prova disso é que, apesar de recomendada, a missão principal nunca se torna obrigatória aqui; é possível gastar dezenas e até centenas de horas explorando cada detalhe de Cyrodiil, priorizando atividades secundárias, como as tarefas da Guilda dos Magos ou da Arena de Combate da Cidade Imperial.

Sim, se hoje é mais comum ter como referência, para um bom mundo aberto, obras como The Legend of Zelda: Breath of the Wild e ELDEN RING, é preciso notar que, por um bom tempo, Oblivion foi um dos grandes marcos do gênero. Muito mais do que enfeitar localidades, por exemplo, os NPCs aqui têm rotinas diárias e reagem aos acontecimentos do mundo — dá para praticamente sentir a tensão dos personagens no ar quando as notícias de assassinato do imperador e das invasões daédricas, entre outras, começam a se espalhar.

Junte a isso o fato de estarem presentes aqui algumas das melhores sidequests da história dos RPGs — com destaque para as tramas da Irmandade Sombria (Dark Brotherhood), que têm início quando você mata um personagem inocente e vai dormir, e da Guilda dos Ladrões, que coloca o jogador em contato com o submundo do crime em Tamriel — e é fácil entender por que, mesmo após o lançamento de Skyrim, Fallout 4 e Starfield, Oblivion continua sendo uma das obras mais importantes (e lembradas) da Bethesda Game Studios.

É claro que, passadas duas décadas e várias gerações de consoles desde a sua estreia, uma remasterização de um clássico desse porte, com as tecnologias atuais, sempre seria muito bem-vinda pelo público (principalmente quando lembramos que Skyrim foi remasterizado e relançado várias vezes). É isso que, com o apoio da Unreal Engine 5, The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered se propôs a entregar. Vamos conferir os pontos positivos e negativos a seguir.

Um remaster digno, mas não um remake

É preciso ressaltar que, apesar dos belos visuais, The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered é uma remasterização, e não um remake completo do clássico título. Em entrevista ao portal Nintendo Life, os desenvolvedores Dan Lee e Tom Mustaine, inclusive, mencionaram que muito do jogo original continua sendo executado “por debaixo dos panos” nesta versão, e que uma série de elementos arcaicos, mas considerados importantes para a experiência, foram mantidos intactos.

Então, essencialmente, temos aqui o mesmo jogo de 2006, com uma nova roupagem visual e pequenos (embora notáveis) refinamentos. Se, por um lado, isso é muito bom para os fãs mais nostálgicos ou que não se importam tanto assim com mecânicas datadas, por outro, significa que diversos sistemas poderiam ter sido completamente refeitos para, de fato, apresentar Oblivion em sua melhor forma para a atual geração.

Uma prova disso é que alguns bugs de longa data continuam aparecendo por aqui: já nas primeiras horas de jogo, por exemplo, a missão secundária “Go Fish” (localizada para PT-BR como “Tá Nervoso? Vá Pescar!”) ficou sem objetivos visíveis no meu mapa. Ao pesquisar sobre o problema, me surpreendi (negativamente, é claro) ao descobrir que esse é um erro conhecido há muitos anos, desde o lançamento original, com várias soluções e workarounds devidamente catalogadas pela comunidade desde então.

Para piorar a situação, novos bugs se juntaram aos velhos: ao sair de uma dungeon, deparei-me com uma tela de carregamento infinita que exigiu reiniciar o jogo (pelo menos, não perdi o progresso realizado até então). A movimentação desengonçada dos personagens e as animações um tanto quanto simplórias também não sofreram mudanças significativas e, assim como os calabouços labirínticos e o combate travado, servem como um lembrete constante de que, apesar dos visuais mais modernos, estamos diante de um jogo bastante antigo. 

Mas, a bem da verdade, esta é, sim, a versão definitiva de Oblivion hoje (o que é muito bom, lembrando que se trata da primeira vez que o título está disponível em um console da Nintendo). Além dos belos gráficos, a Bethesda aprimorou o sistema de progressão confuso do jogo original (que frequentemente deixava os inimigos muito mais fortes do que o protagonista), implementou um mapa mais claro e bem definido, adicionou a opção de correr como em Skyrim e até adaptou o feitiço de clarividência, que permite achar objetivos com mais facilidade.

Algo muito importante para o nosso público é que esta remasterização também está localizada em PT-BR, facilitando a compreensão da história, das quests e até dos efeitos dos itens e feitiços. Sendo o quarto The Elder Scrolls um jogo relativamente complexo, este é, sem dúvida, um ponto muito positivo para quem vai vivenciar essa aventura no Switch 2. E, falando nele…

E no Switch 2, como ficou?

Se você clicou nesta análise, certamente está curioso para saber como The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered performa no Switch 2. Essa é uma questão muito importante, principalmente quando consideramos que esta remasterização sofre, até hoje, com problemas consideráveis de performance no PC e no PlayStation 5.

No console da Nintendo, Oblivion Remastered apresenta resolução máxima de 1080p no modo TV e 900p no modo portátil, ambos funcionando a 30 quadros por segundo. Apesar de esses números serem relativamente baixos, na prática estamos diante de um jogo muito bonito na plataforma da Big N, graças às tecnologias de iluminação da Unreal Engine 5 (que foram preservadas para este lançamento) e, claro, ao uso do DLSS.

Com isso, toda fonte de luz e reflexos do jogo, como tochas, feitiços e até mesmo os portões demoníacos, resulta em momentos verdadeiramente impressionantes do ponto de vista visual. Lembrando um pouco a minha experiência com a conversão de Indiana Jones e o Grande Círculo (aventura também publicada pela Bethesda, diga-se de passagem), confesso que foi difícil explorar a primeira dungeon daédrica do jogo, por exemplo, e não ficar apertando o botão de captura a cada nova cena.

Infelizmente, é uma pena que, mesmo tendo como alvo os 30 fps, a performance não acompanhe completamente o espetáculo visual, com a taxa de quadros caindo frequentemente em ambientes mais abertos, como as cidades. Felizmente, tais quedas não chegam a comprometer a experiência, mas é fato que Oblivion Remastered se beneficiaria de um ou dois patches focados em melhorar a estabilidade no Switch 2 (e, como Fallout 4 e Skyrim receberam esse suporte pós-lançamento no console da Nintendo, há esperança nesse sentido).

No mais, é preciso mencionar que todos os DLCs estão incluídos no pacote (incluindo a infame e histórica Horse Armor) e que os principais diferenciais do Switch 2 foram bem utilizados neste port: há suporte ao modo mouse, ao HD Rumble, aos controles por movimento e, surpreendentemente, até à possibilidade de ajustar o campo de visão (FOV) nas configurações. Também vale destacar que poder jogar um título deste calibre de forma 100% portátil, longe da TV ou do monitor, é algo realmente impressionante.

Não é à toa que, tantos anos após sua estreia, Oblivion continua sendo citado em conversas de RPGs que marcaram época. Portanto, sua estreia em um console da Nintendo deve ser, sim, muito celebrada. E, se restavam dúvidas, não restam mais: mesmo com uma taxa de quadros um pouco instável, estamos diante de mais um bom port de uma desenvolvedora third-party para o Switch 2.

Uma remasterização bem-vinda e que merece ser jogada no console da Nintendo

The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered traz um dos mais importantes e fascinantes RPGs já feitos para o Switch 2. Embora seja inegável que a obra da Bethesda se beneficiaria muito de um remake completo, não há como negar que esta remasterização é, atualmente, a forma definitiva de jogar esse clássico que marcou os anos 2000.

No mais, finalmente disponível em um console da Nintendo, Cyrodiil continua sendo um destino imperdível para quem aprecia aventuras tão longas quanto envolventes. Demorou, mas, finalmente, é hora de os fãs nintendistas fecharem as mandíbulas de Oblivion e escreverem sua história neste importante capítulo da trajetória de Tamriel.

Prós

  • Graças à tecnologia da Unreal Engine 5, entrega um verdadeiro espetáculo visual preservado no Switch 2, com cenários incríveis tanto no modo TV quanto no portátil;
  • As adições de qualidade de vida, como o feitiço clarividência e a opção de correr, são bem-vindas e ajudam a tornar esta a versão definitiva do clássico RPG na atualidade;
  • Mesmo duas décadas após sua estreia, continua sendo um jogo extremamente envolvente, devido a elementos como a liberdade oferecida ao jogador e a “vida” dos NPCs;
  • Inclui todos os DLCs lançados para o título e faz bom uso dos diferenciais do Switch 2, como o modo mouse, o giroscópio e o HD Rumble;
  • Localizado em PT-BR.

Contras

  • Sendo esta uma remasterização e não um remake completo, diversos elementos arcaicos do jogo original foram mantidos sem necessidade, como bugs conhecidos há anos;
  • Complementando o ponto acima, as animações desengonçadas e as dungeons labirínticas, entre outros aspectos bastante datados, poderiam ter sido revistas para este relançamento;
  • Os bugs novos, como as telas de carregamento infinitas, acabam tirando um pouco do valor da experiência;
  • Apesar de mirar nos 30 fps, a taxa de quadros é instável e se beneficiaria de patches voltados à estabilidade.
The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered — PC/PS5/XSX/Switch 2 — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bethesda
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Alan Murilo
é publicitário e copywriter que aprecia um bom jogo tanto quanto um bom café. Gamer desde que segurou um controle de Super Nintendo pela primeira vez, tem um apreço especial pelos títulos independentes e pelas diversas franquias da Big N.
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