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Análise: Rayman Origins (Wii)

Foram mais de 8 anos desde que a frase “ See you in Rayman 4 ” foi dita pela primeira vez em Rayman ... (por Jardeson Barbosa em 30/05/12, via Nintendo Blast)

Rayman Origins boxartForam mais de 8 anos desde que a frase “See you in Rayman 4” foi dita pela primeira vez em Rayman 3, para GameCube. De lá pra cá, o personagem sem braços e sem pernas da Ubisoft, não apenas nunca teve o seu quarto jogo, como também foi subitamente substituído pelos hilários Rabbids no posto de “mascote” da empresa. Mas a espera acabou. No final de 2011 os donos de Wii puderam contemplar o retorno desse personagem tão querido em um jogo da série principal, ao lado de seus antigos aliados. Será que esse retornou foi triunfal? Ou seria melhor que ele continuasse no hiato? É o que veremos agora!

De volta ao básico

Quando a Nintendo trouxe, em 2006, o quase falecido gênero de plataformas 2D (que sobrevivia apenas nos portáteis) de volta à moda, com o grandioso New Super Mario Bros., poucos acreditavam que isso pudesse dar certo. Também pudera, a indústria simplesmente matou o gênero na passagem para a 5ª geração, dando preferência aos gráficos poligonais. Mas como tudo que é bom é copiado, foi questão de tempo para que outras desenvolvedoras se inspirassem na Big N e trouxessem de volta esse gênero para o lugar de onde ele nunca deveria ter saído. Jogos com essa pegada old-school é o que não faltou nos últimos anos: Sonic the Hedgehog 4, Donkey Kong Country Returns, Kirby’s Return to Dream Land e agora Rayman Origins, são apenas alguns exemplos.

Todo o time junto novamente!E foi para comemorar os 15 anos de Rayman que a Ubisoft resolveu trazer a mascote de volta aos holofotes. Rayman Origins é um jogo que reúne tudo de bom que a série apresentou durante os últimos 15 anos e mistura com todas as novas mecânicas e boas ideias que surgiram paralelamente para criar uma experiência única, cativante e muito, mas muito divertida. É aqui, também, que Michel Ancel, criador do personagem, volta ao comando da série.

Inicialmente Origins se passaria antes do primeiro Rayman, mostrando a origem da mascote (daí o nome) e seria distribuído digitalmente em partes, mas felizmente a Ubisoft mudou de ideia e resolveu entregar um game completo e totalmente diferente, se passando após os eventos dos demais jogos e sendo distribuído no formato tradicional.

De “New Super Mario Bros. Wii”, Rayman Origins herdou muita coisa, como o multiplayer local para até quatro jogadores e a pegada retrô, podendo ser confundido com um remake pelos mais leigos. Mas esse jogo é bem mais do que apenas um clone, criando conceitos próprios e aprimorando aqueles que já conhecíamos, sempre mantendo um pé no passado da série e outro no futuro.

Belos efeitos.

Diferente de outros títulos que querem ser muito e acabam não sendo nada, a equipe por trás de Rayman Origins foi feliz nas escolhas e conseguiu unir elementos muito legais, tornando-o especial. São esses elementos que conheceremos agora.

Uma guerra no sofá!

O ponto mais interessante de Rayman Origins, sem dúvida alguma, é o multiplayer local. A ideia de colocar quatro pessoas para jogar um game de plataforma ao mesmo tempo poderia até soar insana nos tempos da primeira aventura de Rayman (1995, PlayStation), mas a mecânica funcionou muito bem em Origins.

Ao lado de seu melhor amigo, Globox (Rayman 2: The Great Escape, Nintendo 64) e de dois Teensies “genéricos”, Rayman parte por uma aventura maluca que começa enquanto todos estão tirando um cochilo (desde Rayman 3, talvez?) na Snoring Tree, ou Árvore do Ronco. O problema é que o ronco de Rayman e seus amigos acaba incomodando uma velhinha da Land of Livid Dead, que resolve se vingar mandando diversos monstros (os Darktoons) pela Glade of Dreams, que eventualmente acabam capturando os pobres Electoons e as belas Ninfas. Agora, junto de seus amigos dorminhocos, Rayman deve recuperar os Electoons, salvar as Ninfas e derrotar os terríveis monstros para instaurar a paz novamente nessa terra colorida.

Cutscene de abertura de Rayman Origins.

Um detalhe a ser levado em consideração é que a história é o elemento menos importante do jogo. Dificilmente alguém irá se importar com ela enquanto estiver com os amigos se digladiando no multiplayer local.

Amizade verdadeira é isso.

Assim como outros jogos do gênero, fica fácil imaginar a bagunça que o modo cooperativo gera. São ataques “acidentais”, pulos em cima dos amigos, golpes traiçoeiros, entre outras coisas que podem surgir dependendo da imaginação dos envolvidos. O interessante é que esse elemento é tão divertido que jogar sozinho pode diminuir consideravelmente o prazer e a diversão ocasionados pelo título.

Design de encher os olhos

Uma das primeiras coisas que você notará ao jogar Rayman Origins é seu visual. E se a primeira impressão é realmente a que fica ela será muito boa.

O game coloca a novíssima engine UbiArt à prova e mostra que ela veio pra ficar, pelo menos por enquanto. É uma verdadeira “explosão de cores”, com direito a cenários totalmente animados e inimigos com variadas expressões faciais e movimentação fluída. Tudo no jogo é extremamente lindo e cativante. É praticamente impossível apontar qualquer defeito no visual, isso se não for realmente impossível. Mesmo que o Wii não possua capacidade de gerar gráficos em HD, o jogo é belo, e é difícil dizer que houve perdas relevantes em relação às outras versões.

Tocando tambor, dançando e chutando os inimigos.

O estilo da câmera também é muito atraente. Em alguns momentos ela poderá se afastar ou se aproximar, dando detalhes do cenário que o jogador sequer imaginaria. A iluminação também é perfeita. Em cenários sub-aquáticos onde há pouca ou nenhuma luz, os feixes luminosos que são apresentados simplesmente enchem os olhos de qualquer um e os demais cenários são bem vivos, coloridos e iluminados.

UbiArt provando sua superioridade para jogos 2D.

Música para meus, para os seus, para os nossos ouvidos

Outro ponto de destaque no jogo é a maravilhosa trilha sonora. Cada cenário possui uma trilha sonora específica, que passeia por valsas, country music, folk e até mesmo samba.

Com inspirações que vão de Hermeto Pascoal a Vivaldi, as músicas do jogo representam-o muito bem e não é difícil se pegar cantarolando alguma durante as fases. Em momentos alegres lá estão as musicas engraçadinhas, que nos fazem rir ou assobiar junto. Já nos momentos tensos, o jogo não dispensa músicas igualmente tensas, que fazem qualquer um entrar em desespero, se for o caso.

“Lums of the Water Theme”, um balé aquático.
“Breaking the Force Field”, uma homenagem a Hermeto Pascoal.

Christophe Héral, compositor de outros clássicos como Beyond Good & Evil e The Adventures of Tintin: The Game, e Billy Martin, de Toy Story Mania!, acertaram na dose, entregando ao público uma das melhores trilhas sonoras da geração, para Koji Kondo nenhum pôr defeito.

Shake the Wii Remote!

Rayman Origins te dá três opções de controles: a já tradicional combinação Wii Remote + Nunchuck, Wii Remote na horizontal e o Classic controller.

Os controles em si são bastante simples, há comandos apenas para correr, pular e o botão de ação, não existindo nenhum uso dos controles de movimento do Wii, ou alguma firula extra.

Com controles simples, a dificuldade provavelmente será vista pelo jogador no design das fases. Nos primeiros estágios você pode até estranhar tudo, achar o jogo muito fácil, mas na medida em que você avança, as coisas podem se tornar insanas. Se apegando na antiga fórmula de Rayman, a Ubisoft não hesitou em garantir aos jogadores a experiência máxima do retorno às origens, inclusive na dificuldade. Serão muitas mortes até que você consiga concluir o jogo, mas não pense que isso será chato.

Vai encarar?

As fases são muito grandes, mas cheias de checkpoints que garantem uma passagem menos dolorida. Além disso, são repletas de passagens secretas e “bônus” que garantem o fator exploração. Infelizmente explorar esses locais pode acabar se tornando obrigatório algumas vezes, caso você queira fazer algum progresso dentro do jogo, mas o game em si dá algumas dicas quando você chega perto desses locais, como sons ou mesmo um certo padrão, que o jogador acaba descobrindo. Cada fase ainda pode (e deve) ser completada mais de uma vez, caso você queira conseguir todas as medalhas e troféus.

Outro ponto interessante são os constantes upgrades nos poderes de Rayman e seus amigos. Inicialmente, nem mesmo um simples soco poderá ser dado pelo jogador, deixando as coisas meio mornas, porém, à medida que o jogo avança, habilidades que você nem imaginaria são desbloqueadas, transformando Rayman em algum tipo de herói superpoderoso que desafia até mesmo a física.

Um time sincronizado é necessário para passar algumas partes.

O game também possui inúmeros coletáveis e extras. Caso você se importe com a durabilidade de um título, saiba que Rayman Origins pode durar meses. Infelizmente jogá-lo do início novamente (fator replay) pode não ser uma das tarefas mais agradáveis, mas você provavelmente ficará muito ocupado com o seu jogo original para pensar nisso.

Tem corrida atrás de baús...

Por fim, é bom falar que os inimigos e chefes são extremamente previsíveis. Para derrotá-los é necessário apenas observar o padrão, pois eles sempre fazem as mesmas coisas, não importa quantas vezes você tente. Isso às vezes pode se tornar chato porque tira boa parte da graça das lutas, mas não é algo que comprometa a qualidade do jogo.

Rayman Origins é um ótimo título, recomendado para qualquer um que tenha Wii e que goste de jogos de plataforma. Sem dúvidas esse jogo é uma das maiores surpresas de 2011, e foi tão bem recebido que já tem uma sequência planejada para Wii U, que deve ter detalhes revelados na E3 2012. Então, se você procura uma aventura divertida, empolgante, musicalmente interessante e que ainda sirva de desculpa para reunir os amigos, Rayman Origins é uma boa pedida. Em todo caso, see you in Rayman Legends!

Prós:

  • Multiplayer cooperativo cativante;
  • Ótimo visual;
  • Trilha sonora sublime;
  • Level design incrível.

Contras:

  • Inimigos e chefes previsíveis;
  • Ausência de alguma conectividade on-line.

Rayman Origins – Nintendo Wii – Nota Final: 9.5

Gráficos: 10 | Som: 10 | Jogabilidade: 9.5 | Diversão: 9.5

Revisão: Alex Sandro

Jardeson Barbosa escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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