Pokémon Blast

As Mega Evoluções quebraram o competitivo de Pokémon?

As Mega Evoluções impactaram muito no cenário competitivo, mas será que esse impacto não atrapalhou demais o seu equilíbrio?

A chegada das Mega Evoluções na sexta geração fez o cenário competitivo de Pokémon tremer. Pokémon que tinham poderes equivalentes ao de lendários, mas que só podiam ser usados sob determinadas condições, fizeram com que o jogo tivesse uma nova abordagem e deu vida nova para uma série de monstrinhos. A questão é: será que os prós superam os contras quando se trata desse assunto? Será que o metagame poderá se equilibrar depois desse choque? Vamos discutir isso um pouco em mais este Pokémon Blast.

Ano novo, vida nova

Antes de jogar as pedras, é preciso esmiuçar o que as Mega Evoluções fizeram para o competitivo e seu funcionamento na prática. Para começar, temos de levar em consideração que, enquanto alguns Pokémon já estavam fortemente presentes no metagame padrão, outros dos que foram agraciados com a dádiva da evolução além dos limites estavam jogados às traças e só tinham algum uso em tiers mais baixas. O que isso fez? Embaralhou estes monstrinhos nos mais usados.


Garchomp, Scizor, Gyarados e Venusaur já tinham algum uso em metagames mais altos, pois conseguem exercer bem suas funções nas condições certas. Contudo, temos Pinsir, Charizard, Mawile, Kangaskhan e outros que estavam afundando no desuso. São Pokémon que ganharam uma nova vida e uma nova oportunidade com a sexta geração, podendo mostrar um potencial nunca antes visto ou aproveitado.

Só agora ela
conseguiu brilhar.
Desde a terceira geração que eu gosto da Mawile, mas mesmo dentro da própria aventura seu uso era limitadíssimo. Contudo, depois que ganhou uma Mega Evolução, Mawile se tornou uma das mais usadas em todos os metagames vigentes, e vê-la em um time do oponente já causa o frio na barriga de saber que ela é sua Mega de escolha. Contudo, e se nem sempre for assim?

Embora não seja recomendado, existem times que usam mais de uma Mega Stone, preferindo por optar entre duas possíveis Mega Evoluções no combate, de modo a se adaptar. O adversário vai ver sua Kangaskhan e imediatamente acreditar que é a sua Mega Evolução, sendo pego de surpresa quando seu Mega Gyarados conseguir uma oportunidade certeira de iniciar um Set Up de Dragon Dance. Enquanto em Singles 6x6 isso não é muito comum, VGC e Battle Spot 3x3 mostram isso com frequência.
O levantar da fênix: de todos os Pokémon citados, o que teve a maior reviravolta em seu número de usos é o amado por muitos (e odiado por outros) Charizard. Direto das profundezas dos NeverUseds (“Nunca Usados”), o inicial da primeira geração ganhou não uma, mas duas novas formas. A sua presença em um time por si só já cria a situação que descrevemos acima, de não saber que Mega Evolução esperar. Imagine ver um Charizard e um Venusaur no time oponente; pode ser o Mega Y com Venusaur Chlorophyll, Mega X usando o Venusaur como isca para acreditar que é Y ou mesmo um Mega Venusaur usando Charizard como isca. Isso (e o poder de suas novas formas) fizeram com que Charizard tivesse o voo de uma fênix: ressuscitou das cinzas com força total.
Então a mera presença das Mega Evoluções no cenário competitivo já criou um novo nível de mindgame, onde jogadores precisam saber o que seu oponente está tramando e prever seus movimentos, e onde jogadores precisam estruturar seus times em torno de um único Pokémon para garantir o êxito em sua missão. Isso tudo adicionou um peso na balança do metagame.

Pena que essa balança é frágil demais.

Equilíbrio ameaçado

"Mamãe chegou, mas já
 está indo embora!"
A Smogon University faz o possível para equilibrar o cenário competitivo através da elaboração de regras e banimentos de Pokémon que centralizam o metagame, criando uma hegemonia de um determinado grupo de monstrinhos. Em outras gerações isso foi relativamente simples, tanto que não houve tantos banimentos como é esperado, mas um balançar no equilíbrio de forças foi notável aqui.

Não tardou nem um pouco para que as Mega Evoluções mostrassem seu impacto no metagame. Mega Kangaskhan foi banido rapidamente pela sua capacidade abusiva de lançar dois golpes potentes por turno, bem como Mega Blaziken saiu de jogo pelos mesmos motivos de sua versão normal no jogo anterior (além de acesso a Baton Pass). Mega Lucario é capaz de causar danos impressionantes. Eles eram mais fortes que muitos dos lendários disponíveis no competitivo, e mesmo alguns Ubers. Por isso, a decisão de retirá-los foi simples, mas isso começou uma reação em cadeia.

Com ameaças ofensivas tão grandes fora da jogada, uma predominância de estratégias Stall (defensivas e dependentes de dano residual) começou a acontecer. Foi nessa brincadeira que Aegislash começou a ser muito usado, tanto como Wallbreaker contra as táticas Stall, como nos próprios times do gênero. Todos os times participantes do metagame precisavam estar prontos para enfrentar a espada e o escudo do OverUsed, e mesmo assim era difícil pela imprevisibilidade do Steel/Ghost. Resultado? Acabou sendo banido também. Problema resolvido? Acho que não.


A remoção de Aegislash abriu caminho para Mega Mawile dominar o competitivo. Sua força absurda era capaz de debilitar até as Walls mais fortes, com o maior Attack do jogo. Aegislash era não somente um check como também um counter para ela, o que reduzia seu uso, e agora Mawile podia derrubar o metagame inteiro com um ou dois golpes, dependendo somente da oportunidade criada pelos seus colegas de time. Resultado? Acabou sendo banida também. E agora, temos um fim pra isso? E se eu disser que não?

"Mewtwo,
eu to chegando!"
Quanto mais Mega Evoluções vão subindo, novos predadores conseguem brilhar. Mega Charizard X consegue se encaixar com praticamente qualquer estratégia e agora encontra menos competição com Mega Mawile fora. Capaz de usar variações mais resistentes ou mais ofensivas, o Fire/Dragon ainda conta com um ótimo typing (que reduz sua fraqueza contra Stealth Rock). Ele agora é um dos favoritos para passar pelo Suspect Test, e sua queda pode ainda levantar uma outra ameaça.

Não é problema meu: um dos argumentos mais usados por jogadores que discordam das atitudes da Smogon é a famosa frase “eu nunca tive problemas com esse Pokémon”, o que nos coloca num ensaio sobre egocentrismo. Primeiramente, é preciso que esse jogador questione quem estava usando aquele Pokémon, pois treinadores mais experientes o usarão à plena capacidade enquanto mais fracos serão muito previsíveis. Também é preciso levar em conta que o metagame não gira em torno da sua opinião, e que enquanto um treinador pode não ter dificuldades com aquele determinado monstrinho, não quer dizer que o resto não tenha. A democracia dá poder para as maiorias, e se muitos reclamam de algo, um problema decerto deve existir. 
Claro que é fácil acusar a Smogon de exagero com a argumentação de que é assim que um ecossistema funciona: a queda de um predador faz sua presa se levantar. Sempre foi assim com Pokémon em gerações passadas, mas essa teve um adicional de muita relevância: o poder das Mega Evoluções. Não é exatamente fácil substituir uma delas e seu número limitado faz com que as opções sejam mais restritas.

A força maior que o padrão das Mega Evoluções acabou criando um ambiente onde, em grande parte das vezes, elas conseguem definir sozinhas o rumo da batalha. Um turno pode mudar tudo, e sua força ímpar torna difícil de colocar alguém no lugar e fazer substituições. Um banimento pode gerar o próximo, e aí o efeito dominó acaba restringindo cada vez mais as opções de uma Mega Evolução, até que o ponto onde pode valer mais a pena apostar em Pokémon comum do que nas novas formas.

É uma pena, mas as Mega Evoluções quebraram sim o competitivo.

E há conserto?

Sempre há. Enquanto a instabilidade predomina no competitivo atual, tudo isso vai mudar quando Pokémon Omega Ruby e Alpha Sapphire chegarem. Com uma nova gama de Mega Evoluções ficando disponíveis, é possível que os novatos consigam trazer um novo equilíbrio ao se tornarem predadores de Pokémon que, no momento, estão banidos. Com isso, é possível que tenhamos o retorno de alguns destes supracitados ao metagame vigente.

Por exemplo, Mega Swampert pode ser uma ameaça para Aegislash, Mega Mawile e Mega Charizard X. A velocidade que Swift Swim confere lhe garante a prioridade na hora de atacar e seu Earthquake já é forte agora, só tendendo a ficar melhor em sua robusta Mega Evolução. Mega Salamence possui Intimidate antes de evoluir e sua nova habilidade, Aerilate, tem tudo para transformá-lo em um Sweeper de muito poder, seja físico, especial ou mesmo misto, sendo uma ameaça para muitos dos outros presentes no competitivo.


É irônico, mas a arte imita a vida nesse caso; o ecossistema tende a se equilibrar sozinho com o passar do tempo. A nova leva de monstrinhos poderá revelar novas ameaças e novas presas, junto com novas maneiras de formular times. Enquanto as Mega Evoluções podem ser as responsáveis pelo fato do competitivo atual estar “quebrado”, a chegada de novas delas pode ser também o que irá consertá-lo e retornar tudo ao status quo. Depois de um banimento ou dois, é claro.

Isso conclui esse artigo opinativo do Pokémon Blast. Você concorda com o que foi colocado aqui? Discorda? O que acha da situação presente do metagame e que influências Omega Ruby e Alpha Sapphire podem trazer? Comente, discuta, mas não brigue; existem formas muito melhores de ter sua opinião ouvida do que atacando indiscriminadamente. Até a próxima!
Revisão: Alan Murilo
Capa: Felipe Araujo

Fellipe Camarossi é graduando em Ciências Contábeis e amante de uma boa discussão sobre videogames. Além de escrever para o Nintendo Blast, também é redator nas revistas Nintendo World e EGW. Para elogios e críticas, pode encontrá-lo no Facebook ou Twitter.

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