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Donkey Kong Country Returns: precisamos de um terceiro jogo?

Após Tropical Freeze, o futuro da franquia DK Country pode ser a conclusão de mais uma trilogia

Seja pela nostalgia da série original do SNES, seja pelo recente reboot proporcionado pela Retro Studios, Donkey Kong Country mexe com os sentimentos de inúmeros jogadores. Nessa trajetória de mais de vinte anos, ficou nítido que a franquia tem uma paixão por trilogias. E a nova leva de aventuras do macacão e sua família em progressão lateral, produzida pelo estúdio de Metroid Prime, tem, até agora, dois incríveis títulos. Será que há espaço para mais um Donkey Kong Country Returns?


De Country em Country

A história de Donkey Kong Country se confunde com a história do próprio Donkey Kong e sua franquia. Após o sucesso dos fliperamas Donkey Kong, o macacão e o herói de macacão seguiram caminhos diferentes. Enquanto Mario se tornou a grande estrela da Nintendo e passou a figurar em quase todos os produtos da empresa, DK ficou muito tempo à sombra de seu arqui-inimigo. Foi então que a Nintendo delegou ao estúdio Rareware a tarefa de criar um jogo exclusivo de Donkey Kong, fazendo dele o grande herói da aventura.

A Rareware curiosamente havia pedido para criar um jogo do gorila, desejo este que se refletiu no empenho do estúdio. Donkey Kong Country (SNES) não apenas contou com o redesign de Donkey Kong, a criação de sua família de símios e a construção de um exército de vilões próprio, como também revolucionou os jogos da época, apresentando incríveis visuais pseudopoligonais . A trilha sonora, o design das fases e o carisma do universo criado pela Rare, obviamente, coroaram o projeto.
E, assim, Donkey Kong Country recebeu duas sequências, também para SNES, que aprimoraram o talento do estúdio e exploraram diversas ideias. Mesmo já tendo encerrado os trabalhos em Donkey Kong Country, as esperanças de ver a Rare trabalhar em mais um jogo do gorila acabaram se esfacelando quando a desenvolvedora foi vendida pela Nintendo à Microsoft. Apesar dos direitos de Country e de tudo relacionado a DK continuarem nas mãos da Big N, era difícil imaginar outro estúdio encabeçando um jogo da série.

A Nintendo, então, preferiu continuar a expandir a franquia para outros gêneros, deixando a série DK Country de lado. DK: King of Swim (GBA) e Jungle Climber (DS), Donkey Konga (GC) e Barrel Blast (Wii) são alguns dos exemplos de experimentos feitos com os macacos. Donkey Kong Jungle Beat (GC/Wii), apesar da utilização dos bongos, foi o que mais se aproximou do estilo da série Country.

Retro sendo retrô

A espera por um novo Donkey Kong Country só foi terminar em 2010, quando, na E3 daquele ano, a Nintendo anunciou Donkey Kong Country Returns (Wii). O reboot da franquia seguia o caminho de New Super Mario Bros., ou seja, era mais uma aventura nostálgica em progressão lateral com recurso multiplayer.

E quem estava por trás desse projeto? Ninguém menos do que a Retro Studios, cujos trabalhos na trilogia Metroid Prime (GC/Wii) dispensavam qualquer medo de o jogo não ser tão bom quando deveria.
O melhor reboot é aquele que chega na hora certa
E o lançamento de Returns fez jus às expectativas dos fãs. O título, ao contrário do que se esperava de um jogo de Wii, apresentou um nível de dificuldade a altura do histórico da série. Seu design de fases, ambientação, trilha sonora e novos elementos de gameplay ajudaram a alavancar ainda mais o sucesso do jogo. Em 2013, a Retro Studios anunciou uma sequência de Returns: Donkey Kong Country: Tropical Freeze (Wii U), que expandiu tudo o que já era bom em seu predecessor. Além de todas as qualidades do jogo, as músicas foram compostas por ninguém menos do que David Wise, compositor da trilogia original.
E a melhor sequência é aquela que parece ter vindo do nada, mas hoje não podemos viver sem

Um terceiro jogo

Como já dissemos, Donkey Kong Country sempre girou em torno de trilogias. E não falamos apenas dos três primeiros jogos lançados para SNES, mas também de seus irmãos mais novos do Game Boy: Donkey Kong Land. Temos, assim, um ritmo de lançamentos bem interesssante, uma vez que, a cada novo jogo da trilogia, a Rare sempre deu uma cara e atmosfera novas. No caso da série Returns, da Retro Studios, estamos, atualmente, no segundo título. E há, sim, motivos para desenvolver um terceiro game.

Vejamos alguns elementos dos DK da Retro que talvez sejam dicas de que haverá a conclusão de uma trilogia. Em Donkey Kong Country Returns, o estúdio teve como grande inspiração o primeiro Country. Essa inspiração se reflete na ambientação do jogo (totalmente situado na DK Island), na trilha sonora (todos os remixes são de canções do primeiro Country), na escolha do parceiro de DK (seu sobrinho Diddy Kong) e na ameaça do vilão (o roubo de bananas). Já Tropical Freeze possui muitas inspirações no segundo Country, Diddy's Kong Quest (SNES). Os remixes de músicas desse jogo passaram a cobrir Country 2, Dixie Kong foi logo anunciada como nova parceira de DK e a ambientação do jogo passou a explorar outras ilhas.
Country 3 seria uma boa inspiração para um novo Returns?
Seguindo esse caminho, um "Donkey Kong Country Returns 3" poderia utilizar o terceiro Country, Dixie Kong's Double Trouble! (SNES), como norte. As músicas de Country 3 receberiam versões retrabalhadas, Kiddy Kong poderia ser reintroduzido à franquia e a mecânica de navegação por rios e oceanos poderia ser reimaginada pela Retro Studios. Embora seja improvável vermos um projeto desse porte ainda no Wii U, Returns 3 cairia muito bem como um grande título de lançamento do NX.

Polindo as arestas

Até agora, tecemos muitos elogios ao trabalho da Retro Studios com os novos jogos da série Country. Entretanto, há alguns pontos desses jogos que realmente não agradaram tanto. Assim, o desenvolvimento de um terceiro título poderia ser a chance de se redimir com os fãs e concluir de maneira definitiva os trabalhos com a franquia.

Os vilões são um ponto crucial dos contras da série Returns. Não que seja obrigatório utilizar o exército de Kremlings e seu líder, King K. Rool, para legitimar um Donkey Kong Country, mas o fato é que a tribo Tiki Tak e os Snowmads não têm o mesmo carisma da legião de jacarés. A ausência de amigos animais também é marcante na série Returns. Cada parceiro animal de Donkey Kong não apenas tinha seu carisma na trilogia original, como também diversificava bastante o gameplay. Ver a Retro Studios aproveitar apenas Rambi e Squawks é um grande desperdício de potencial. Nesse sentido, até Jungle Beat e sua nova leva de parceiros animais está um passo à frente da Retro.
Nós também sentimos falta de vocês!
Se a Retro Studios se atentar para essas falhas e utilizar o terceiro jogo para não apenas saná-las, como também para ir além em suas ambições, podemos ter certeza de que Returns 3 será um jogo para se ficar de olho. Tropical Freeze, por exemplo, apesar de ofuscado pelas vendas baixas do Wii U, é um dos melhores títulos de plataforma desta geração. E, mesmo o game deixando o jogador muito satisfeito, fãs de Country ainda assim ficaram com um gostinho de "quero mais".

Há quem diga que não há necessidade de mais um Donkey Kong Country ou que a Retro deve focar-se em um novo projeto, como Metroid ou uma franquia nova. No entanto, é evidente o talento da empresa com as aventuras em progressão lateral de Donkey Kong. E a empresa tem agora a oportunidade de concluir a sua própria trilogia, eternizando-a junto à da Rare. Não seria incrível poder desfrutar de duas fantásticas sagas de Donkey Kong, construídas em épocas diferentes, por desenvolvedoras diferentes, porém com um nível de qualidade praticamente igual?
E você, leitor, gostaria de ver um terceiro Donkey Kong Country Returns? Ou prefere um novo projeto da Retro Studios? Deixe sua opinião nos comentários!
Revisão: Bruno Alves
Capa: Gabrielle Mustafa 
Rafael Neves é estudante de psicologia na UFBA e planeja ingressar no mundo da literatura como escritor. A paixão por videogames e a vontade de escrever unem-se na experiência como jornalista do ramo. Também trabalha em sua HQ virtual. Encontre-o no Facebook.

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