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Análise: Mario Tennis Aces (Switch) revoluciona a série ao custo de grandes sacrifícios

As novas mecânicas tornam as partidas desafiadoras e ainda mais dinâmicas, porém, a falta de conteúdo enfraquece o título.



Desde o lançamento do Switch a Nintendo não parou de nos surpreender, reformulando séries que fizeram história sem tirar a essência que carregam desde suas origens.

Entregar jogos de alta qualidade com tanta constância pode ser uma faca de dois gumes, por um lado, o console e os games galgam altas posições nos rankings de venda e popularidade, mas por outro lado, não dá para esperar nada menos que excelência nos próximos títulos, não é mesmo?

E temos agora a chegada de Mario Tennis Aces (Switch), o filho mais novo da família híbrida, game que possui tudo para ser um verdadeiro sucesso, além de ser o último grande lançamento antes da estreia do serviço online da Nintendo.

Respeite a história

Como a história do game abre o jogo, nada mais justo do que começar por ela. Sem dúvidas, uma das coisas que fez saltar os olhos daqueles que assistiram ao trailer de revelação do game foi o anúncio de que o modo história retornaria, depois de nada mais do que treze anos de espera. Esse modo trouxe muitas expectativas, ainda mais por ter uma única e forte referência, o incrível modo história de Mario Tennis: Power Tour (GBA).


Batizado de Adventure Mode, Mario deve resgatar seus amigos e irmão que foram possuídos por Lucien, a raquete mais poderosa do mundo, que toma as almas daqueles que desejam seu poder; para isso, o bigodudo terá de passar por alguns desafios e longos diálogos para salvar todos.

A história em si é simples, o que sabemos que não importa, pois a Nintendo trabalha com histórias simples há anos, produzindo verdadeiras obras primas. Porém, a simplicidade não é exclusiva apenas ao plot, mas também ao gameplay, os desafios são simples e as opções também são simples, o que o torna monótono e repetitivo.

O jogador passa por cinco cenários diferentes, os quais se localizam na ilha onde se passa o jogo, cada um possui apenas cinco fases que se dividem em: partidas de tênis contra um desafiante, apenas inimigos comuns como Shy Guys e Boos, minigames para treinar os novos mecanismos do game como o Zone Shot e Zone Speed, para no fim ter uma partida contra os chefões de cada mundo, bem ao estilo que consagrou o ex-ex-encanador.

Jogando é visível que não há muito o que fazer, pois os desafios se repetem, apenas se tornando um pouco mais difíceis a cada mundo, aumentando o nível do personagem e, em fases específicas, entregando novas raquetes ao jogador. Para os jogadores que se adaptarem rápido às novas mecânicas ou àqueles que tiveram acesso à demo online, poderão terminar o modo em poucas horas, descontando as demoradas conversas de Toad com os desafiadores de cada fase, que além de longas, não acrescentam à história. A dificuldade é mínima, com poucas ressalvas, além de não poder ser modificada.


E há pouca conexão desse modo com o resto do game, pois após a finalização do mesmo, não se desbloqueia nada, nenhum personagem, nenhuma dificuldade, nada além dos créditos, umas fases que quase nunca veremos e uma animação do Mario assinando a tela.

O modo história parece mais uma introdução rápida às novas mecânicas do game para garantir que o jogador tenha tempo de desbravar todas as técnicas para, então, poder competir com jogadores online, o que realmente não é ruim, mas isso não invalida a necessidade de um modo história mais longo e interessante, já que será a abertura do jogo e a primeira experiência do jogador. Bola fora, Nintendo e Camelot.

E essa tal de zona, aí?

Além de ressuscitar o modo história, Aces reformulou o modo de jogar Mario Tennis, as novas Zone Shot e Zone Speed são uma adição que a primeira vista parecem como uma trapaça, só que depois de uma partida e outra é possível ver que essas, aliadas às mecânicas que já vêm de outros games, trazem uma nova camada de estratégia e dinamismo às partidas.

Voltar com as raquetadas especiais, ou Special Shots, foi como coroar as novas mecânicas, pois combinada com as outras fez com que a barra de energia não só fizesse sentido, como ganhou funções mais complexas. Essa que já vem sendo trabalhada desde Mario Power Tennis (NGC), depois os especiais passaram apenas por um port no Wii e inexistência, para só depois retornar agora no Switch.

Um dos fatores para jogar Mario Tennis Aces é saber como cuidar da barra de energia, pois se o jogador pretende ter atitudes ofensivas, com o da Zone Shot, a raquetada mais forte que pode ser mirada pelo jogador, é preciso acumular energia para realizá-las, pois as mesmas podem consumir muita energia em pouco tempo, tanta que pode destruir a raquete do adversário.



Enquanto a posição defensiva, usar o Zone Speed, onde o jogador "para o tempo" para alcançar aquela bola do outro lado da quadra e para assegurar que sua raquete não vai ser danificada, também desprende de muita energia acumulada.

Outro fator é o timing para poder realizar os Trick Shots, manobras, em que o personagem usa de todo seu espírito trapaceiro para salvar uma bola que estaria perdida, além de aumentar a energia. A questão é que perder uma bola para essa manobra é bem fácil, além da possibilidade de ser preciso usar o Zone Speed para chegar a tempo, o que causaria perda de energia, ao invés de acumulá-la.

Esse é, sem dúvida, o título da franquia em que mais se vê body shots, ou o ponto dado para aquele que acertar a bola no corpo do adversário, pois apertar o botão tarde demais pode lhe causar isso, principalmente quando for dar uma Zone Shot, se a bola estiver perto demais o seu ataque surpresa se torna em um ponto dado ao adversário.


Lendo essas coisas mais parecem uma zona mesmo, mas acredite, as mecânicas são bem intuitivas e com um pouco de prática não só fará o jogador acostumado, como trará bons momentos, não apenas por proporcionar partidas bem dinâmicas e desafiadoras, mas boas risadas. Vai dizer que o Waluigi fazendo moonwalk pela quadra não é engraçado?

É possível ver que Aces tomou emprestado várias mecânicas dos títulos predecessores e os lapidou muito bem para que todos dividissem o espaço sem conflitarem, isso inclui até mesmo a ausência de toda e qualquer alteração feita no modo simples de se jogar tênis.

E como o Switch é um console que honra suas raízes, aqueles que não gostarem das novas mecânicas e preferirem jogar como na época do Mario Tennis (N64) podem desfrutar não apenas do modo, mas também de partidas online apenas com raquetadas simples. Agradando gregos e troianos. Ponto para a Nintendo e Camelot.

A patota toda reunida

Mario Tennis sempre teve um elenco vasto, e esse novo título trouxe personagens que nem os jogadores em seus sonhos mais ousados chegaram a imaginar, como Chain Chomp e Spike. Mas essas adições foram bem aceitas, são personagens que cativaram os fãs e que aparecem com frequência nas partidas online.

O elenco é bastante balanceado, apesar de cada um possuir suas respectivas características, nenhum chega a ser desprezível em uma partida, vai depender mais da estratégia e habilidade do jogador. Faz falta poder desbloquear algum personagem, todos os iniciais já vêm liberados para jogar, seria bem legal ter que jogar contra cada um pelo menos uma vez no modo história para desbloqueá-los no game, já que o Mario é praticamente o único personagem jogável neste modo. Assim como era no GBA, que possuía mais de trinta personagens desbloqueáveis.


E apesar de ser apenas uma mudança cosmética, é muito bom ver os personagens humanos com roupas apropriadas para jogar tênis e a possibilidade de, no futuro, poder trocar as roupas é também algo bastante interessante, um detalhe que agrada.

Saiba como os personagens se classificam:

All-around [Mario, Luigi e Daisy]: Os personagens balanceados, mais fáceis de controlar, não têm pontos fracos, em compensação esse é seu ponto forte. Acumulam energia com maior facilidade.

Technical [Peach e Toadette]: Personagens técnicos, com maior controle de bola e que podem alcançar as bordas da quadra mais facilmente, em compensação são as mais fracas.

Speedy [Toad, Yoshi e Koopa Troopa*]: Os velozes, são ágeis, principalmente Koopa Troopa, o mais rápido do game, e seus Zone Speed consomem menos energia.

Powerful [Bowser, Wario, DK, Chain Chomp e Spike]: O time dos fortões é o maior grupo até agora, provavelmente o que terá menos (ou nenhuma) adição por DLC. Suas raquetadas são mais rápidas e causam mais dano, porém, são os personagens mais lentos do jogo.

Tricky [Rosalina, Boo e Blooper*]: Os trapaceiros são aqueles com as raquetadas mais curvas, além de seus Lobs, bola alta, e Drops, bola baixa, possuírem mais efeito.

Defensive [Waluigi e Bowser Jr.]: Se tem um lugar onde Waluigi está em casa, é na quadra de tênis, tanto ele quanto o caçula de Bowser possuem uma boa cobertura da quadra como personagens defensivos. Podem não ser os mais rápidos ou fortes, mas têm um bom controle de bola e maior facilidade para defender os Zone Shots.


*Personagens disponíveis por DLC.

Aqueles que foram, retornaram

Tivemos o retorno de dois modos esquecidos, o Torneio Offline que, aparentemente entrou como mera formalidade, com apenas três taças, todas as modalidades com uma inteligência artificial praticamente indiferenciável e que, infelizmente, não acrescentaram em nada ao game, não tem absolutamente nada para se desbloquear após vencê-las, nem mesmo uma animação engraçada como tínhamos no N64 e NGC.

E as partidas ao estilo Wii Sports (Wii) retornaram no Swing Mode, em que o jogador deve usar apenas um Joy-Con para simular uma raquete de verdade. Esse modo é voltado para os jogadores mais casuais, é livre de poderes especiais e busca simular uma partida de tênis real, com direito de contestar o juiz de uma bola fora e tudo mais.


Como o giroscópio dos Joy-Con é bem mais sensível que o do Wii Remote, o jogador pode sofrer para se acostumar a não apenas chacoalhar o controle esperando bons resultados. Agora o movimento e a direção importam e assim como na vida real, o jogador acaba rebatendo muitas bolas para fora da arena, sem marcar ponto algum. Acaba que mesmo com uma tecnologia avançada a falta de precisão, ou o seu excesso, tornam esse modo frustrante e separado apenas para momentos puramente casuais.

Assim como o Wii Sports, esse modo pode proporcionar experiências bastante imersivas, por isso podemos esperar novos vídeos no YouTube de TVs sendo destruídas por jogadores descuidados, por isso não se esqueça de usar proteção na hora de brincar.

Finalmente, chegou

Desde o Wii, esperamos que mais títulos de peso, além de Mario Kart e Smash Bros., recebam compatibilidade com o modo online, e agora a Nintendo atendeu aos pedidos dos jogadores, porém, Mario Tennis Aces é último título grande lançado antes do Nintendo Online, serviço de jogatina online paga da Big N.

E o que isso quer dizer? Muita coisa! Perceba que o game inteiro circunda o modo online, todos os modos ao redor possuem um descaso visível: modo história curto e raso, torneio offline sem desafios, praticamente nenhum conteúdo desbloqueável e as partidas simples sequer autorizam que o jogador escolha a quadra. Isso para garantir que os jogadores fiquem reféns das partidas online, pois o resto não vai satisfazer.


Apesar de tudo, o modo online é sim muito divertido e desafiador, as regras são fixas e é possível jogar entre as partidas com as novas mecânicas ou no modo clássico, ambos irão trazer bons momentos e partidas incríveis.

Aqueles que jogaram apenas a demo presenciaram muito lag, mas saibam que agora o game funciona muito bem e é esperado que com o lançamento do serviço pago a qualidade melhore ainda mais.

Mario Tennis Aces exige uma qualidade de internet maior, no meu caso a conexão que aguentava partidas de Mario Kart 8 Deluxe e Splatoon 2 (Switch) já não dava mais conta, era preciso que o Switch, em modo portátil, fosse levado até o cômodo com o roteador. Dos percalços, o menor, mas é bom estar ciente.

Mesmo assim, é Mario Tennis

Por fim, os controles. A jogabilidade de Mario Tennis Aces cai bem em todos os modos de controle disponíveis para o Switch, com os Joy-Con colados ao console, no modo controle clássico (aquele que parece um cachorro) e até mesmo separados, diferentemente de outros jogos, as mecânicas não se perdem e garantem um bom multiplayer local. Além do Pro Controller, que dispensa comentários, o game é compatível com o adaptador de controles do Game Cube do Wii U, há boatos que essa é a melhor forma para se jogar o título.

Mesmo com todas as questões apresentadas, Mario Tennis é Mario Tennis, e temos aqui um dos melhores games da franquia com mecânicas que melhoraram a série e que vão garantir bons sucessores. A única coisa que é preciso ressaltar é como o modo online levou outros modos consagrados e com grandes possibilidades à completa ruína. Agora nos resta jogar e esperar as novidades que as DLC e atualizações nos aguardam. E esperar que o serviço online não afete da mesma forma o desenvolvimento dos próximos títulos para o console.


Prós

  • Mecânicas intuitivas e desafiadoras; 
  • Modo online satisfatório e divertido; 
  • Melhora na qualidade das partidas online; 
  • Disponibilidade de jogar no modo clássico, inclusive no online;
  • Vasto conteúdo por DLC a caminho; 
  • Busca por uma experiência real no modo de movimentos; 

Contras

  • Modo história raso e desconectado do game; 
  • Torneio pouco desafiador;
  • Pouco conteúdo desbloqueável; 
  • Swing Mode frustrante;
  • Fator replay dependente do modo online; 
Mario Tennis Aces — Nintendo Switch — Nota: 7.0

Revisão: Vinícius Rutes 
Análise feita à partir da cópia digital adquirida pelo próprio redator.
Victor Carozzi escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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