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Análise: Catastronauts (Switch) traz combate espacial insano em um bom multiplayer casual cooperativo

Junte seus amigos e tente manter sua espaçonave inteira no recente título da Inertia Game Studios.


Produzido e publicado pela Inertia Game Studios, Catastronauts (Switch) é mais uma opção para algo que o console híbrido da Nintendo faz muito bem: o bom e velho "multiplayer de sofá".

Inspirando-se no bem-sucedido Overcooked (Multi), que explorou de forma criativa e reavivou nosso interesse por fórmulas novas de jogos casuais ao estilo party (para além daquele Mario Party nosso de cada final de semana, é claro) enfatizando o aspecto cooperativo, Catastronauts leva o caos multitarefas das cozinhas para o cenário das batalhas espaciais.


Recrutas da catástrofe

Como parte da mais nova leva de recrutas admitidos na Space Fleet, seu papel é o de servir a bordo de uma de suas naves espaciais, seguindo missões de paz e explorando a vastidão do espaço em busca de novas fronteiras.

Quer dizer, essa seria sua função, caso você não tivesse sido "agraciado" com uma surpresa um tanto catastrófica no seu primeiro dia como oficial. Uma invasão de alienígenas  escamosos chamados Zastral tirou o comandante Sarge de circulação, e agora ameaça a segurança de toda a pacífica federação.


Cabe agora a você, ao lado de seus colegas recrutas, assumir a posição de um legítimo "catastronauta", enfrentando batalhas suicidas nas quais as probabilidades se encontram totalmente a favor do adversário. Vale tudo para resgatar Sarge a tempo de virar o jogo contra os Zastral  — portanto, "mais pressa e menos perfeição" na execução de suas missões!


Cozinhando mísseis para sobreviver

Nossos corajosos oficiais são forçados a se virar no comando de naves espaciais que teoricamente exigiriam muito mais do que apenas quatro tripulantes para operar em sua total capacidade. Assim, um time de dois a quatro recrutas deve encontrar soluções criativas para vencer batalhas espaciais contando com equipamentos diversos e sob condições das mais variadas.

A campanha é dividida em 6 hubs, cada qual contando com quatro missões básicas e uma desbloqueável. Os desafios podem ser enfrentados em modalidades de um até quatro jogadores, e contam com uma pontuação em estrelas que avalia o desempenho no cenário em questão. Cada missão consiste em uma batalha um-contra-um entre duas naves, cada qual possuindo uma barra de vida que indica seu estado de conservação.

Os controles são básicos e bastante responsivos: controla-se o personagem com o direcional, um botão para corrida, um botão para equipar/desequipar um item e um botão de ação para utilizar um objeto ou o item equipado. No modo single player, o esquema ganha um novo nível de complexidade (e dificuldade), já que controla-se dois personagens alternadamente, com um botão para alternar entre eles.


O objetivo de cada batalha é bastante simples: manter a própria nave inteira e zerar a barra de vida da nave adversária. Menos simples, no entanto, são as estratégias necessárias para se conseguir "se virar" em cada situação. Cada cenário traz variáveis diferentes em jogo, sendo que a campanha faz um bom trabalho em inseri-las gradativamente de forma a facilitar o aprendizado.




As tarefas mais básicas consistem em consertar os danos feitos pelo ataque inimigo e revidar fazendo o uso de armas variadas. Para além de perseguir bons scores superando os desafios em tempos curtos, a dinâmica de corrida contra o tempo envolve o fato de que os danos sofridos vão gerando dano cumulativo à nave aliada, o que implica na necessidade de consertá-los o quanto antes e de contra-atacar com frequência o suficiente para não sair perdendo no balanço final. Assim, o título consegue criar uma dimensão estratégica interessante em cima de um esquema de comandos simples e acessível.



Escolhendo suas armas

Dando suporte ao aspecto estratégico cooperativo está uma seleção de itens e mecânicas que faz um bom uso da ambientação de ficção científica para criar dinâmicas de batalha das mais variadas. Se nas primeiras missões o desafio principal consiste apenas em balancear bem as ações de manutenção e as investidas ofensivas, conforme o jogador avança na campanha os cenários vão tornando esse equilíbrio mais complexo, inserindo passos adicionais nas duas modalidades de ação e perigos espaciais diversos.

A caixa de ferramentas é o equipamento mais básico e versátil, consertando danos que surgem no chão da nave, bem como seus equipamentos variados. Armas, esteiras, pods de clonagem, tanques de cura, máquinas de teletransporte — praticamente todas as facilidades das naves de guerra podem ser destruídas sob o fogo inimigo e reconstruídas com o uso da valorosa caixinha azul.


Outros utensílios importantes para escapar da destruição completa são os extintores, já que certos ataques causam incêndios que rapidamente desgastam a barra de energia da nave quando não controlados. Além disso, só é possível reparar algo nesses casos após extinguir as chamas. Outros equipamentos incluem um pequeno lança-chamas utilizado para descongelar portas em casos específicos (ou colocar fogo nos seus pobres aliados).

Ao consertar danos estruturais à nave, é possível recuperar um pouco do dano sofrido - outro motivo que faz com que a tarefa de manutenção seja o ponto central de toda partida. Além disso, a tripulação também necessita de atenção: cada recruta possui sua própria barra de vida, e necessita ser "revivido" via aparelho de clonagem caso venha a dar a vida em nome da causa.


Porém, rapidamente se torna claro que apenas investir na manutenção pode forçar os jogadores a adotar uma posição puramente defensiva da qual é difícil se recuperar — os inimigos atacam com tudo, e mesmo com quatro jogadores é bastante difícil controlar os efeitos dos ataques por completo.

Entra em cena o arsenal da Space Fleet, que conta com diversos modelos de canhões espaciais. Cada arma opera de forma diferente, forçando os jogadores a adotarem uma divisão de tarefas compatível: de disparos simples com tempo de recarga até canhões de disparo alternado que exigem duas pessoas simultaneamente para funcionar, passando por canhões experimentais que causam grande dano ao adversário às custas de superaquecer e causar um incêndio "do lado de cá".

Algumas armas exigem ainda o manuseio de outros itens e equipamentos: baterias precisam ser trocadas e recarregadas, mísseis ativados e instalados e um poderoso canhão de prótons exige o enriquecimento de um material radioativo altamente explosivo, o qual exige todo o cuidado por parte do recruta. Por fim, uma nova complicação estratégica surge com condições climáticas como os solar flares, que vaporizam qualquer criatura viva que não se isole no abrigo pré-definido a tempo; e os flash freezes, que congelam portas e recrutas incautos, mas cujos efeitos são mais reversíveis.

Essa diversidade torna a experiência bastante dinâmica e variada: quando finalmente "pegamos o jeito" com determinado conjunto de tarefas, o jogo lança uma nova complicação que muda a dinâmica da coisa por completo. Os cenários são bem desenhados, com algumas fases trazendo subdivisões internas que forçam os jogadores a dividirem tarefas e sincronizarem suas ações de formas interessantes.


Guerra no sofá

Embora seja um título relativamente curto, Catastronauts possui um forte fator replay, o qual é garantido tanto pela variedade dos desafios e cenários quanto pelo fator de imprevisibilidade de algumas de suas mecânicas. Ainda que a ausência de um modo online se faça sentida, ela é até de certo modo desculpável, já que Catastronauts é um legítimo "multiplayer de sofá", onde o fator presencial é parte integrante da experiência. As únicas coisas que depõem levemente contra isso são a pouca variedade visual dos cenários (que podem se tornar repetitivos com o tempo) e o sistema de avaliação do desempenho, o qual leva em conta apenas o tempo, deixando os trios e as duplas em clara desvantagem em comparação aos times de 4 jogadores.

Isso nos leva a outro aspecto central: ainda que um modo single-player esteja presente, Catastronauts é inegavelmente uma experiência para ser jogada por mais de um jogador. Prova disso é o fato de que o modo para um jogador sofra com uma dificuldade imediatamente mais elevada e uma  dinâmica um tanto descompassada  ( em especial nas fases mais avançadas) , frutos da tentativa de emular a jogabilidade em grupo sob o comando de uma só pessoa.


Além do mais, grande parte do charme do jogo se encontra na forma divertida (e potencialmente hilária) com que as situações vão se formando na luta pela sobrevivência espacial. O fato de ser um jogo de mecânicas exclusivamente cooperativas não significa que Catastronauts promova apenas a amizade e a harmonia entre os jogadores.

Muito pelo contrário: o level design se utiliza engenhosamente de alguns truques para fomentar situações que só não são mais tensas do que engraçadas. Deixar o colega em chamas na tentativa de descongelá-lo, disputas ferrenhas pelo único extintor disponível e o assassinato imediato de todo restante da equipe por parte de um recruta bem-intencionado que abriu a câmara de vácuo para tentar apagar um incêndio incontrolável são algumas das cenas que pontuam a jornada dos catastronautas.



Claro que também merecem destaque as situações cooperativas, com cenários que incentivam o trabalho em equipe de formas bastante interessantes. Por exemplo, o uso dos bunkers que requerem ser fechados pelo lado de dentro força os jogadores a entrarem rapidamente em acordo a respeito de quem conseguirá se safar a tempo — quem calcular mal suas chances de sobreviver pode ser reponsável pelo extermínio instantâneo de toda a tripulação.

Combinando mecânicas inventivas com jogabilidade simples, eficiente e acessível, Catastronauts consegue ser mais uma boa opção de multiplayer cooperativo ao estilo party game. Enquanto é certo que a opção de um modo online e a adição de mais opções de modos e fases poderia tornar a experiência ainda mais variada e extensa, o jogo cumpre muito bem tudo o que se propõe a fazer, e vale ser conferido para os que buscam uma jogatina local descompromissada e empolgante.

Prós

  • Jogabilidade acessível, sem deixar de ser desafiadora — ideal para o gênero party game;
  • Variedade de cenários e mecânicas garante uma experiência bem diversificada;
  • Alto fator replay;
  • Mecânicas bem trabalhadas incentivam a imprevisibilidade e garantem os ares cômicos da experiência;
  • Apresentação audiovisual carismática.

Contras

  • Campanha muito curta, ainda que com boa variedade de desafios;
  • Ausência de um modo multiplayer online.
Catastronauts — Switch/XBO/PS4/PC — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida pela Inertia Game Studios

é gamer pra todo jogo, mas tem predileção por títulos retrô e um bom e velho JRPG. Sonic, Donkey Kong Country, Ratchet & Clank, Final Fantasy e Disgaea são algumas das séries que formaram a paixão pelos games, desde que ganhou seu Mega Drive, muitos (nem tantos!) anos atrás. Além de escrever para o Nintendo Blast e Game Blast, pode ser encontrado tagarelando no Plano Crítico.

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