Pokémon Blast

Evoluindo a cada geração — Pokémon X/Y (3DS)

A sexta geração foi motivo de retorno de muitos fãs antigos à franquia, sendo um marco de grandes mudanças na série. Seja bem-vindo a Kalos!

Com o lançamento do revolucionário Nintendo 3DS, em fevereiro de 2011, muitas pessoas já aguardavam com altas expectativas a primeira entrada da franquia mais lucrativa da história dos videogames no novo portátil da Big N. Muitos fãs foram então surpreendidos com um verdadeiro balde de água fria quando a The Pokémon Company anunciou o próximo título, Pokémon Black 2/White 2 (DS), exclusivamente para o já ultrapassado Nintendo DS em 2012. No entanto, a espera não demoraria muito, já que durante o aguardadíssimo Pokémon Direct de 8 de janeiro de 2013, o mundo daria as boas-vindas à Pokémon X/Y (3DS), os primeiros títulos da série a serem lançados simultaneamente na mesma data em todo o mundo, e disponíveis em sete línguas diferentes, dando início à sexta geração dos monstrinhos.

Enfim, o sonhado 3D e a região-estrela!

Pela primeira vez na história da franquia, a série abandonaria o visual 2D, quase exclusivamente top-down, com apenas quatro direções de movimentação possível — direita, esquerda, cima e baixo — para poder dar total liberdade de direção, graças à opção do Circle Pad do Nintendo 3DS, o que justificou também a adição dos Roller Skates como maneira de se locomover por Kalos. Além disso, uma das principais mudanças foi a substituição dos amados sprites 2D por modelos 3D individuais para cada um dos Pokémon existentes e suas animações de ataque, além dos personagens e cenários — a expectativa era enorme para todas essas features.


Assim como na quinta geração, a franquia apostou em uma região baseada em um local totalmente fora do Japão. Kalos é, em sua essência, a França do mundo Pokémon, com direito a Lumiose Tower no papel da famosíssima Torre Eiffel, a temática Beleza (significado de Kalos em grego antigo) tão presente nas boutiques de Paris e localidades de rotas e cidades inspiradas em Lyon, Reims e Carnac.  

Em entrevista anterior ao lançamento na Japan Expo, na França, o produtor da série Junichi Masuda revelou que o país se encaixou perfeitamente com o que tinham em mente para a sexta geração, como a moda marcando presença importante na customização dos personagens — e também dos Pokémon! — e a nova possibilidade de incorporar monumentos históricos, belezas naturais e paisagens do mundo a um ambiente completamente em 3D pela primeira vez.

O bom filho a casa retorna

Ao contrário do caminho tomado pela quinta geração, que abdicou dos Pokémon de gerações anteriores até aproximadamente metade do game, Pokémon X/Y embarcou na nostalgia como um dos fortes elementos do game, afinal, pela primeira vez era possível observar vários dos monstrinhos antigos de forma tridimensional, possibilitando observar detalhes nunca antes vistos em todos os 721 descobertos até então.

Aliado a isso, durante o desenrolar da trama, um dos iniciais originais da primeira geração é oferecido ao jogador, possibilitando lutar ao lado de Charizard, Blastoise ou Venusaur novamente, além de Mewtwo, um favorito dos fãs, possuir um destaque e tanto nas mecânicas do jogo. A adição desses elementos foi um dos motivos do grande retorno de antigos treinadores à franquia, que puderam ver também os seus antigos parceiros mais uma vez em ação.

Reforçando a presença das gerações anteriores na região de Kalos, essa foi — e ainda é — a geração com o menor número de novos monstrinhos adicionados à franquia — 72 no total — refletindo a tendência do game em possibilitar encontros com figuras já conhecidas durante sua aventura. A jornada de completar a Pokédex, no entanto, foi muito bem facilitada, com a inclusão de todos os Pokémon de regiões anteriores pelas novas ferramentas adicionadas ao 3DS, chamadas de Poké Transporter e Pokémon Bank.

Tudo isso foi ainda mais coroado com a adição das novas mecânicas de gameplay de batalhas da série: as Mega Evoluções. A mecânica, até hoje uma das favoritas de todos os fãs da série, não possibilitou nenhum Pokémon de Kalos a ter o seu poder aprimorado temporariamente durante as batalhas até a introdução da Diancite em OR/AS, mas trouxe a novidade principalmente para diversos outros de gerações anteriores, muitas vezes favoritos dos fãs como Lucario e Gardevoir, inclusive aos iniciais da primeira geração, justificando a sua inclusão no game e papel de destaque.

Além disso, novas possibilidades foram oferecidas pela adição do novo tipo FAIRY, que modificou os poderes e a capacidade de Pokémon antigos serem utilizados novamente no cenário competitivo, trazendo finalmente uma ameaça ao reinado dos tipo DRAGON, que, por muito tempo, reinaram praticamente imbatíveis, graças à escassez de Pokémon do tipo ICE, por muito tempo a sua única fraqueza, em todas as gerações da franquia.

O game iria ainda inovar com um modo de fotografia; a estreia das batalhas com hordas de Pokémon, possibilitando encontrar vários Pokémon selvagens de uma só vez nos matos; a adição das Poké Rides, com Gogoat, Skiddo, Rhyhorn, Lapras e Mamoswine disponíveis para serem montados in-game para a superação de obstáculos físicos no mapa, além de competições de corrida. A inclusão das Sky Battles, um modo de batalha exclusivo de monstrinhos do tipo voador, além de um sistema de conectividade online, chamado de PSS (Player Search System), muito robusto até para os padrões de Pokémon Sword/Shield (Switch), — era capaz até mesmo de proporcionar chamadas de áudio entre os jogadores via internet — foram também destaques importantes dessas entradas na franquia.

X, Y... mas e Pokémon Z?

Os Pokémon lendários principais de Kalos são Xerneas e Yveltal, os representantes da vida e criação e da morte e destruição, respectivamente. Ambos tiveram a sua inspiração baseada no conto da Yggdrasil, diretamente importado da mitologia nórdica. Assim, conhecendo um pouco melhor a história narrada por aquela cultura, muitos fãs já anteciparam desde o lançamento a presença de alguma figura que fosse representante de uma cobra e que seria o Pokémon Z que faltava e era fonte de vários rumores e especulações, em especial após o abandono da tradicional terceira versão na quinta geração. 


Tal suposição se mostrou verdadeira com a adição secreta de Zygarde ainda nas versões X/Y, e que sua inclusão quase sem explicação alguma dentro do game foi motivo de novas especulações sobre um suposto terceiro jogo chamado de Pokémon Z, pela lógica dos títulos, e com Zygarde estampando a capa do game.

Em entrevistas, no entanto, Junichi Masuda sempre colocou que nunca houve real intenção de se publicar uma terceira versão dos games, justamente para dar uma surpresa aos fãs — desculpa essa que "não colou" para a complexa fanbase da série. Além disso, ele afirma que após os remakes Pokémon Omega Ruby/Alpha Saphirre (3DS) e a chegada do vigésimo aniversário da franquia, eles preferiram surpreender a todos com o anúncio de mais uma nova geração e deixar Kalos como a região menos explorada de toda a série.

O surpreendente anime Pokémon

Talvez o ponto mais alto da franquia na sexta geração foi o anime de Ash e cia. Durante as aventuras em Kalos, que se estenderam da 17ª até a 19ª temporada, o anime tomou rumos muito interessantes, em especial se comparado com a geração diretamente anterior, em Unova. Desta vez nos deparamos com um Ash mais maduro em atitudes, comportamentos e escolhas — mesmo que ainda com dez anos —, o que reflete diretamente nas relações entre ele e seus Pokémon e o desenvolver da aventura.


A animação tomou características mais próximas de Shounens de sucesso como One Piece e Boku no Hero, com mais cenas de aventura e ação nas batalhas, além de ter adotado um traço de desenho mais sério e próprio do estilo. Muito disso se refletiu na adesão de novos fãs à série e contribuiu até mesmo para a abertura de temas um pouco mais maduros, como o romance entre Ash e Serena, que lhe rendeu o primeiro beijo em toda a série animada — desconsiderando o beijo de Latias no quinto filme.

O anime também contribuiu muito para a popularização de Greninja, eleito o Pokémon mais querido dos fãs em votação oficial em 2019. Na animação, o Pokémon ninja recebeu uma forma especial exclusiva chamada Ash-Greninja, possível pela habilidade Special Bond e de força equiparável a uma Mega Evolução, o que quase rendeu a Ash o título de campeão da Liga Kalos, perdendo apenas na final, numa decisão polêmica de roteiro. A transformação foi tão bem recebida que foi incluída na demo da sétima geração, tornando-se também canônica para a franquia principal. Além disso, a história de Zygarde, o misterioso Pokémon Z, foi apenas explicada pelo anime, que ainda assim deixou várias lacunas abertas para serem explicadas quem sabe em um eventual remake dessa geração.


Pokémon X/Y é, antes de tudo, um conto de vida e morte, afeto e ódio, amizade e força, além do vínculo entre um Pokémon e seu treinador, todos carregados de muita beleza e sutileza. Com o passar dos anos, a sexta geração adquiriu um estigma bem polarizado na franquia. Apesar de terem sido muito bem recebidas pelo público geral e servirem de exemplo no quesito conectividade e opções de customização, o sentimento de que poderiam ter sido muito mais foi muito presente após o seu lançamento, e a falta de opções pós-game se mostrou polêmica para os jogadores que não se aventuram tanto no cenário competitivo. 

Além disso, a primeira adição de modelos 3D acabou sendo carregada até a geração atual, com vários modelos, animações e opções de design nos jogos atuais sendo simplesmente pequenas melhoras ou cópias diretas daqueles implementados para XY, e a mecânica de Sky Battles condenou a todos os Pokémon voadores a terem sua representação em batalhas em posição de vôo e com um aspecto mais próximo de uma flutuação do que do bater de asas de verdade. 


Não seja por isso, guardo um carinho especial pela sexta geração, onde fui um dos primeiros do Brasil a fazer a pré-compra nas já não mais disponíveis lojas FNAC, e consegui ganhar brindes físicos, como uma linha do tempo da franquia e um mapa da região de Kalos, todos feitos em tecido e com direito a foto para a mídia de jogos no momento da compra. O Nintendo 3DS foi também o primeiro console que adquiri no lançamento, então minha espera pela entrada da franquia no portátil foi muito carregada de hype, o que talvez me fez não ter ficado tão satisfeito com o resultado final e preferir a quarta geração a essa.
Após esse passeio pela charmosa região de Kalos, é a sua vez de nos dizer como essa geração marcou a jornada de vocês! Comente na seção dedicada abaixo!
Revisão: Vladimir Machado

Curioso, empolgado e positivo: os ingredientes ideais para criar o Felipe perfeito...ou quase! Estudante de Engenharia no crachá, programador aos fins de semana e designer às quintas-feiras. Na dúvida, viajar pelos mundos de Kingdom Hearts ou caçar monstros em Hyrule são sem dúvidas uma boa aposta! Conheçam-me!


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