Blast from Japan

Star Ocean (SNES): A primeira jornada pelo Oceano de Estrelas

Com a vinda futura do remake do segundo título da franquia, relembre a primeira aventura espacial da Tri-Ace

O Super Nintendo é repleto de títulos memoráveis que marcaram época e ajudaram a moldar a indústria como a conhecemos hoje. Muitos destes foram RPGs memoráveis como Dragon Quest VI, Final Fantasy VI ou Chrono Trigger. Um desses jogos é Star Ocean, desenvolvido pela tri-Ace e publicado pela Enix (agora Square Enix).

Lançado originalmente para o Super Nintendo em julho de 1996, o título conquistou os jogadores com uma história cativante, gráficos avançados para a época e sistemas de jogabilidade inovadores. Porém, a grande maioria do público ocidental do game esperou um pouco para conhecer a história oficial, através do remake lançado em 2007. Esta versão recebeu um port melhorado para Switchem 2019.

Um dupla incrível no desenvolvimento

O desenvolvimento de Star Ocean teve início em 1994, liderado por Yoshiharu Gotanda, fundador da Tri-Ace. A equipe já tinha experiência com outros títulos de RPG, mas desejava criar uma experiência única para o Super Nintendo, aproveitando ao máximo o potencial do console.

Acumulando o cargo de diretor, produtor e assistente de programação. Yoshiharu trouxe sua visão criativa e paixão pelo gênero RPG para moldar um enredo cativante, mundos ricos e uma gameplay inovadora para a época.

Yoshiharu Gotanda e Motoi Sakuraba estão presentes na maioria dos sucessos da Tri-Ace

O processo de desenvolvimento foi complexo, e a equipe enfrentou desafios técnicos significativos para superar as limitações do hardware do Super Nintendo. Para tornar o jogo mais impressionante, foram utilizadas técnicas de compressão de dados, otimização gráfica e programação criativa. O resultado final foi uma combinação impressionante de gráficos coloridos e uma trilha sonora emocionante, considerados alguns dos melhores do console.

A trilha sonora é assinada pelo compositor Motoi Sakuraba (Tales of, Valkyrie Profile), conhecido por sua habilidade em criar melodias emocionais e poderosas que se encaixam perfeitamente nas atmosferas dos jogos. Em Star Ocean não é exceção, tendo uma trilha que abrange vários estilos musicais, desde temas épicos de batalha até músicas suaves e contemplativas.

Sistema de Combate em Tempo Real

Uma das principais inovações do jogo foi o sistema de combate em tempo real, em vez do tradicional combate por turnos comum em RPGs da época. Os jogadores podiam controlar seus personagens diretamente durante as batalhas, tornando a experiência mais dinâmica e envolvente.

Apesar disso, o sistema causa um pouco de estranheza para quem jogou os títulos posteriores da franquia Star Ocean ou até mesmo outros J-RPGs desenvolvidos por Yoshiharu Gotanda.  O RPG do SNES traz um sistema de batalha onde os personagens se movem livremente pelo cenário, mas com uma limitação.

Apesar de simples, o sistema de batalha foi inovador na época do lançamento

Ojogador precisa selecionar os inimigos e mandar o chefe do time na direção dos duelos. Com uma quantidade elevada de adversários, as batalhas são um verdadeiro caos. É um apertar de botões frenéticos no controle, tendo sempre cuidado para pausar a batalha no meio do caos e escolher itens para curar seus companheiros.

Falando nos companheiros do time, eles são controlados por uma IA relativamente simples. Porém, os inimigos também possuem uma IA limitada (lembramos que é um jogo do SNES), o que coloca tudo em um nível simples e agradável para um game da época.

Múltiplos finais e vários personagens

Star Ocean apresenta um sistema de múltiplos finais, dependendo das escolhas feitas pelos jogadores ao longo da jornada. Essa característica proporciona uma alta rejogabilidade, incentivando os jogadores a explorarem diferentes caminhos e tomarem decisões estratégicas.

Millie, Roddick e Dorne na animação do remake First Departure
Muitos destes finais são influenciados pelos membros de sua equipe de personagens jogáveis. Em Star Ocean, até 12 personagens são recrutáveis, mas você possui apenas oito espaços para personagens. Ou seja, é necessário zerar mais de uma vez para poder jogar com todos eles. Outros elementos também influenciam no recrutamento. Alguns personagens só estarão disponíveis se o jogador escolher um rumo específico na história, ou recrutar um ou mais personagens.

Ao todo, o game possui 16 finais. Cada membro do grupo possui pelo menos uma rota ligada a um dos protagonistas (Roddick, Millie, Ronyx e Illia), o que gera a impressionante quantidade de finais para um RPG da época.

Sistema de Habilidade e Profissão

Em Star Ocean, os personagens possuem habilidades específicas e aprendem várias profissões ao aprimorá-las Assim, os personagens adquirem “trabalhos” como alquimistas,cozinheiros, ferreiros, botânicos, músicos e etc. Essa mecânica adicionava profundidade ao sistema de progressão dos personagens, permitindo aos jogadores customizarem seus times conforme suas preferências.

Além disso, várias dessas habilidades trazem melhorias significativas para as batalhas e conjuração de magias por parte dos magos do game. Cabe ao jogador equilibrar o time com base nas habilidades adquiridas e batalhar muito ( o famoso "grinding") para evoluir os personagens ao máximo.

Um épico cósmico baseado em Star Trek

A história de Star Ocean se passa em um planeta chamado Roak, no sistema estelar Tetra Gênesis. O jogo começa com o protagonista, Ratix Farrence (ou Roddick Farrence na tradução oficial do remake), um jovem espadachim de uma aldeia rural. Junto de seus amigos Millie Chliette e Dorne Murtough, ele descobre que um misterioso demônio conhecido como Asmodeus lançou uma praga que transforma os habitantes do planeta em pedra.

Na esperança de encontrar uma cura, Ratix e Millie embarcam em uma jornada pelo tempo junto como Ronyx J. Kenny, um oficial da Federação Pangaláctica, e sua amiga Ilia Silvestri. A dupla de membros da Federação na verdade investigam uma arma de destruição de planetas, com pistas que levaram ao planeta Roak.

Na ordem da esquerda para direita: Dorne, Cyuss, Illia, Ronyx e Joshua


Um  detalhe interessante. A organização de Ronyx J. Kenny e Illia  possuem regras baseadas em outra famosa instituição da ficção científica: a Federação Unida dos Planetas de Star Trek. As semelhanças são tantas que a Primeira Diretriz de não “interferir em sociedades menos desenvolvidas” é mencionada constantemente em vários momentos da história.

Além do quarteto já mencionado, outros personagens são o espadachim Cyuss Warren, a engenhosa Ashlay Barnbelt, o enigmático Fez Zazan, a maga Marvell, a gata Perisie, o artista marcial Tinek Arukena e os "anjos" Joshua Jerand e Ery Jerand.

Cada personagem possui uma personalidade única e motivações próprias, o que enriquece a narrativa à medida que desvendam segredos e desafios interplanetários. Em sua busca pela cura, o grupo enfrenta inimigos poderosos, explora planetas distantes, desvenda mistérios antigos e testemunha eventos que afetam a galáxia como um todo.

O primeiro passo em uma jornada pelo Oceano de Estrelas

Star Ocean foi uma verdadeira jóia para o Super Nintendo, oferecendo uma experiência de RPG espacial inovadora para os anos 90. Com gráficos impressionantes, sistema de combate em tempo real e uma narrativa envolvente, o título contribuiu para criar um legado duradouro.

O "remake do remaster" Star Ocean: First Departure R foi lançado para Switch em 2019
Até hoje, o jogo é lembrado com carinho pelos fãs de RPG clássicos e é considerado um marco na história dos videogames. Se você é fã de RPGs e ainda não experimentou Star Ocean, é uma jornada incrível e que vale muito a pena.

Vale lembrar que o game possui um remake (confira nossa análise) que traz mudanças incríveis baseadas na nova versão lançada originalmente para o console portátil PSP. Mesmo com mudanças gráficas significativas, a história segue praticamente intocável. Mesmo assim, vale a pena revisitar a aventura na versão de Super Nintendo, que possui seu próprio “charme” retrô.

Caso esteja interessado em saber um pouco mais sobre o game, não deixe de conferir nosso artigo "Blast from Japan" sobre o game que publicamos em 2015. Na ocasição, o quinto título da franquia da Tri-Ace chegava ao mercado.

Fontes: Gamefaqs, Gamespot, CDRomance e Tri-Ace

Revisão: Cristina Amarante


 


Jornalista e redator. Apaixonado por "quase" tudo o que vem do Japão. Um eterno sonhador e fã da série Fire Emblem, apesar de nunca jogar no modo Classic...
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


Disqus
Facebook
Google