Continuar esta jornada pelos melhores jogos de aventura do Nintendo Switch não foi uma tarefa fácil. A biblioteca do console é recheada de experiências memoráveis, capazes de nos transportar para mundos fascinantes e nos fazer viver histórias inesquecíveis. Nesta segunda e última parte, reuni mais sete títulos que considero indispensáveis para qualquer fã do gênero. São aventuras que, cada uma à sua maneira, representam o que há de melhor no Nintendo Switch 1 e 2, e que merecem um lugar de destaque na coleção de qualquer jogador.
Aproveitando para lembrar que esta lista reflete exclusivamente a minha opinião e não deve ser encarada como uma verdade absoluta. Além disso, todos os jogos citados aqui foram experiências que vivi do início ao fim — ou nas quais investi dezenas e dezenas de horas —, tornando esta seleção ainda mais particular.
Também optei por escolher apenas um representante de cada franquia, buscando deixar a lista mais variada e interessante. Por isso, não veremos casos como Octopath Traveler e Octopath Traveler II aparecendo juntos, por exemplo. A única exceção fica para expansões e DLCs que complementam diretamente a experiência principal.
Persona 5 Royal
Este game reúne uma quantidade impressionante de tarefas, e, por mais que muitas delas sejam interessantes e bem construídas, é natural que, com o tempo, essa rotina acabe se tornando um pouco cansativa. Ainda assim, Persona 5 Royal segue firme como um dos melhores jogos da franquia Persona, entregando uma experiência extremamente completa e marcante.Talvez uma das maiores fraquezas da franquia esteja justamente nos seus calabouços, que podem se tornar repetitivos e acabar deixando o ritmo da jornada um pouco monótono em determinados momentos. Ainda assim, ao deixar isso em segundo plano, o que realmente brilha aqui é o sistema de relações e o gerenciamento da vida escolar do protagonista, que segue sendo um dos grandes diferenciais da experiência.
Essas atividades sempre rendem recompensas muito valiosas, seja no fortalecimento dos laços entre os personagens e seus diálogos, seja na obtenção de novas habilidades que impactam diretamente o combate e a progressão. Persona 5 Royal é um título massivo, como já foi dito, capaz de prender o jogador por dezenas — ou até centenas — de horas. Para quem busca uma imersão profunda em um RPG estiloso e cheio de personalidade, é uma excelente escolha.
É importante apenas destacar que o jogo não possui localização para o português. Caso isso seja um fator limitante, Persona 3 Reload pode ser uma alternativa interessante, já que conta com menus e legendas totalmente em nosso idioma.
Donkey Kong Bananza
Como falar dessa maravilha que chegou tão cedo à biblioteca do Nintendo Switch 2? Donkey Kong Bananza me pegou de surpresa de uma forma tão positiva que cheguei a completar 100% do jogo antes mesmo do lançamento.Bananza tem tudo para cativar o jogador: uma história emocionante, mundos ricos e detalhados, sistemas de personalização que fortalecem suas habilidades, além de uma quantidade generosa de coletáveis que incentiva a exploração constante. E, claro, ainda temos “mais e mais coletáveis”, reforçando esse ciclo viciante de descoberta.
Antes do lançamento, uma das minhas maiores dúvidas era como o jogo conseguiria sustentar sua proposta sem quebrar o gameplay. Afinal, ter a liberdade de destruir praticamente todo o cenário é algo tão impressionante quanto arriscado. Mas o resultado é surpreendente: o level design é extremamente bem trabalhado e consegue equilibrar muito bem essa liberdade com desafio e progressão.
As transformações de Donkey Kong também são um dos grandes destaques, deixando o gameplay ainda mais dinâmico e variado. A direção de arte é simplesmente magnífica, com cenários e personagens belíssimos e cheios de detalhes. Tudo contribui para criar uma atmosfera leve, vibrante e extremamente agradável.
Talvez este seja, inclusive, um dos primeiros jogos que eu recomendaria a qualquer pessoa que esteja começando no Nintendo Switch 2.
Hollow Knight: Silksong
Hollow Knight: Silksong é, sem dúvida, o jogo mais difícil de recomendar desta lista. Ele também se apresenta como uma experiência extremamente desafiadora, o que já o coloca em um patamar de dificuldade elevado desde o início. Ainda assim, como jogo de aventura, é uma das melhores experiências que tive, motivo pelo qual ele está presente aqui.Talvez seja até mais indicado começar pelo Hollow Knight original, que apresenta uma curva de dificuldade mais gradual e prepara melhor o jogador para o que vem depois. Porém, esta lista é justamente sobre os melhores jogos, e Silksong consegue superar o original em diversas camadas importantes.
A variedade de movimentos e ferramentas disponíveis em Silksong renova constantemente a jogabilidade, fazendo com que cada área explore novas possibilidades. Os cenários ganham ainda mais vida à medida que avançamos, com cores mais vibrantes, efeitos de paralaxe bem trabalhados e uma movimentação de inimigos extremamente fluida e precisa. Tudo isso contribui para uma sensação constante de descoberta.
Somam-se a isso as conversas com personagens, que alternam entre momentos engraçados e, por vezes, emotivos, criando um equilíbrio que reforça ainda mais o impacto da jornada. O resultado é uma aventura única, que se destaca facilmente dentro do gênero.
Final Fantasy VII Rebirth
Outro game fantástico e impressionante rodando no Nintendo Switch 2 é Final Fantasy VII Rebirth. Sem dúvida, é um dos títulos que mais exige do hardware do console, demonstrando toda a potência que o Nintendo Switch 2 consegue alcançar. Não é por acaso: Rebirth é um jogo pesado até mesmo para os consoles mais poderosos desta geração, o que só torna sua presença no Switch 2 ainda mais impressionante.Infelizmente, ele não roda tão bem quanto Final Fantasy VII Remake, o que é compreensível. Rebirth é um título de nova geração, com um mundo aberto amplo, repleto de atividades, missões e inimigos espalhados por todos os lados.
O jogo também conta com uma grande quantidade de minigames — talvez até mais do que deveria —, mas ainda assim são bem executados e conseguem garantir muitas horas de diversão. Visualmente, no entanto, Rebirth apresenta alguns problemas no modo portátil, com momentos em que a imagem fica um pouco embaçada. O maior ponto negativo, porém, é o draw distance, que faz com que elementos apareçam muito perto do jogador, o que pode quebrar um pouco a imersão.
Ainda assim, nada disso apaga o brilho de uma aventura grandiosa, ambiciosa e de altíssimo nível, que continua sendo uma das experiências mais impressionantes do catálogo do console.
Cyberpunk 2077: Ultimate Edition
Esse talvez seja o jogo de maior escalada dentro do Nintendo Switch 2 e também um dos maiores exemplos de competência técnica no console. O game roda a 40 fps e entrega visuais impressionantes mesmo no modo portátil. O trabalho de otimização realizado pela CD Projekt Red é, sem exagero, de tirar o chapéu.Esse é um daqueles títulos que recomendo de olhos fechados, e ainda deixo uma dica importante: vale muito a pena optar pela versão física. O jogo base junto da expansão completa vem no cartucho, exigindo apenas o download da dublagem — cerca de 6GB — o que ainda assim ajuda a economizar mais de 60 GB de armazenamento.
Tenho diversas horas de jogo e mais de cem missões concluídas, e ainda sigo buscando diferentes finais. Cada sessão traz algo novo: missões muito bem construídas, personagens que surgem e rapidamente ganham destaque, e um mundo que nunca parece estático. O escopo de Cyberpunk 2077: Ultimate Edition é impressionante, e as escolhas realmente moldam caminhos diferentes, garantindo um fator replay altíssimo e extremamente divertido.
Some tudo isso a uma história madura, pesada e bem escrita, além de um gameplay refinado e muito bem otimizado, e o resultado é uma experiência que simplesmente te convida a viver esse mundo — até o ponto em que tudo o que resta é virar uma lenda em Night City.
Octopath Traveler II
Ah, Octopath Traveler… o grande responsável por popularizar o estilo HD-2D, unindo nostalgia e modernidade em um mundo vasto, repleto de missões, coletáveis, armas especiais e um sistema de estratégias e habilidades que constantemente incentiva o jogador a explorar mais.Não tem como esconder: sou um defensor dessa franquia, especialmente de Octopath Traveler II, que, na minha opinião, é superior ao primeiro e ao mais recente jogo em diversos aspectos. A mecânica de alternar entre dia e noite traz uma camada extra de profundidade à experiência, mudando não apenas a ambientação, mas também as interações, já que alguns personagens e missões só aparecem em determinados períodos.
O mundo é belíssimo e extremamente detalhado, com personagens cativantes e histórias que conseguem manter o interesse do início ao fim. É impossível não se envolver e querer descobrir como cada jornada individual se desenrola.
Ainda há as histórias em dupla, que expandem ainda mais o desenvolvimento dos personagens, além de chefes desafiadores, dungeons secretas e uma exploração sempre recompensadora. É um mundo rico, coeso e cheio de pequenas surpresas que fazem tudo valer a pena. Só tenho elogios: desculpem, leitores, mas a recomendação aqui é simples — joguem.
Xenoblade Chronicles 3
Vou finalizar com o melhor desta vez. Xenoblade Chronicles 3 é, sem dúvida, uma das maiores aventuras que já pude experimentar como gamer apaixonado por boas histórias e mundos verdadeiramente imersivos. O nível de maturidade do enredo ultrapassa com folga o de muitos jogos atuais, trazendo uma abordagem sensível e impactante sobre temas como vida e morte, respeito, família e amor. Tudo isso transforma o jogo em uma verdadeira preciosidade, daquelas que aquecem o coração ao longo da jornada.A cada capítulo, uma nova emoção: um choque, uma surpresa, uma alegria ou uma tristeza. O jogo constrói uma conexão tão forte com seus personagens que é impossível não sentir um vínculo de proteção e carinho por cada um deles.
E por falar em personagens, este é um dos pontos mais fortes da obra. Todos são extremamente bem desenvolvidos, sem mudanças repentinas ou artificiais. Aqui, cada um passa por experiências traumáticas e superações dignas de cinema. Mesmo com a forte estética inspirada em anime, com seus belíssimos traços que simulam aquarela e rabiscos de forma impressionante, Xenoblade Chronicles 3 trata seus personagens com seriedade absoluta. Eles evoluem, amadurecem e mudam sua forma de pensar a partir das experiências vividas, mas sem nunca perder sua essência — algo que o jogo executa com rara sensibilidade.
O mundo de Xenoblade Chronicles 3 também impressiona em todos os aspectos. Não apenas pela escala gigantesca, mas também pelas estruturas colossais, pela diversidade de inimigos e pela sensação constante de grandiosidade. É um jogo belíssimo e extremamente otimizado, especialmente considerando a quantidade de elementos em tela: sete personagens lutando simultaneamente contra múltiplos inimigos, com fluidez e estabilidade surpreendentes.
Minha nota não poderia ser diferente: um sólido 10. Dificilmente encontro pontos negativos aqui. E com a chegada da versão para Nintendo Switch 2, fica ainda mais difícil não pensar em revisitar essa jornada mais uma vez — mesmo após ter completado 100% da campanha principal e da expansão igualmente maravilhosa, Future Redeemed.
Fim da aventura
Chegar ao fim desta lista foi tão difícil quanto montá-la. O Nintendo Switch construiu, ao longo dos anos, uma biblioteca extraordinária de jogos de aventura, repleta de mundos fascinantes, personagens inesquecíveis e histórias capazes de permanecer conosco muito depois dos créditos finais. Agora, com o Nintendo Switch 2 dando seus primeiros passos, esse legado continua crescendo de forma impressionante.Mais do que gráficos, mecânicas ou números de vendas, o que torna essas aventuras especiais é a forma como elas conseguem nos fazer sentir parte de suas jornadas. Algumas nos emocionam, outras nos desafiam, e muitas conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo. São experiências que nos fazem rir, refletir, sofrer e comemorar ao lado de personagens que, de alguma forma, acabam se tornando companheiros de viagem.
Naturalmente, muitos outros jogos poderiam estar aqui. Afinal, a força do gênero está justamente em sua diversidade. Ainda assim, cada título presente nesta lista conquistou seu espaço por ter deixado uma marca especial na minha trajetória como jogador. E se ao menos um deles despertar em você a mesma sensação de descoberta, encantamento e emoção que despertou em mim, então esta matéria já terá cumprido o seu papel.
Revisão: Vitor Tibério







