Uma grata surpresa na line-up do Switch 2
Mesmo com a presença de surpresas como Donkey Kong Bananza e Kirby Air Riders, não é exagero afirmar que The Duskbloods foi o anúncio mais inesperado da line-up inicial de exclusivos do Switch 2. Em primeiro lugar, há o fato de este ser o primeiro jogo desenvolvido pela FromSoftware após o enorme sucesso de ELDEN RING (e de seu spin-off Nightreign); em segundo, este é o primeiro título da From desenvolvido para uma única plataforma em mais de uma década — desconsiderando o experimental Déraciné, o último havia sido Bloodborne, em 2015, para PlayStation 4.
O fato de a Nintendo ter conseguido firmar uma parceria exclusiva com o estúdio liderado por Hidetaka Miyazaki foi, desde o início, um sinal importante de que o Switch 2 seria um console para todos os públicos — uma impressão que, aliás, vem sendo confirmada a cada grande lançamento third-party. No entanto, as surpresas não pararam por aí: para além da chamativa estética gótica com traços de steampunk, veio a notícia de que The Duskbloods não seria um jogo single-player, como antecipado, mas sim uma experiência online PvP para até 8 jogadores.
Com o novo hardware da Nintendo possibilitando que os desenvolvedores seguissem com a visão planejada para o título após testes no primeiro Switch, a principal dúvida que ficou era se a fórmula da FromSoftware se adaptaria bem a um jogo completamente focado no aspecto competitivo. Embora ainda não tenhamos a resposta definitiva para essa questão — afinal, muitos aspectos do game permanecem envolvidos em mistério —, o teste de rede nos mostrou que estamos diante de uma experiência tão ambiciosa quanto envolvente e que merece estar no radar de todo dono de um Switch 2.
Soulslike + battle royale = ação a todo instante
A melhor forma de definir The Duskbloods é como um battle royale com características soulslike. No papel dos Consangres — seres que foram convocados no crepúsculo da humanidade para lutar pelo Sangue Originário —, os jogadores devem caçar inimigos e sobreviver a combates entre si para triunfar na Batalha Crepuscular (como é chamada uma partida do jogo).
Por sua vez, as Batalhas Crepusculares são divididas em quatro fases, que têm o objetivo de determinar os três Consangres que chegarão à Outorga Sanguinolenta (o confronto final da partida). Ou seja, na prática, dos oito participantes de cada partida, somente três chegam à batalha final, com os demais sendo eliminados a cada fase de acordo com os pontos de virtude conseguidos.
O teste de rede de The Duskbloods ocorreu no mapa Lowanro, indicando que talvez tenhamos outras localidades disponíveis no lançamento completo. Com uma extensa cidade explorável, um dos principais destaques do cenário escolhido para o teste é a sua vastidão, suficiente para abrigar pontos de interesse bastante distintos, como uma caverna, uma floresta e um lago — cada qual com perigosas criaturas controladas pela inteligência artificial do jogo.
Ao começar a partida, os oito jogadores podem escolher a área de Lowanro em que desejam aparecer. A partir daí, começa a saga de exploração para aprimorar o personagem controlado e obter virtude suficiente para não ser eliminado a cada nova fase do confronto.
Em busca da tão importante virtude
Quando a Batalha Crepuscular finalmente começa, os jogadores estão livres para explorar o mapa do jogo como desejarem. Além dos outros jogadores, derrotar as criaturas encontradas pelo caminho rende experiência e possibilita subir de nível, o que aumenta automaticamente os pontos de vida e o poder de ataque do personagem controlado.
Da mesma forma que em outros battle royales, está claro que explorar é a chave para conseguir sair na frente da competição em The Duskbloods. Uma prova disso é que é possível encontrar círculos convocatórios de Vassalos — NPCs que acompanham o jogador e o ajudam em combate — espalhados pelo mapa. Além dos oponentes comuns, há também inimigos grandiosos e invasores controlados pela IA habitando o cenário do jogo; conseguir derrotá-los rende grandes ganhos de experiência e pode desbloquear bônus valiosos para o restante da partida, como recuperação automática de PV ou resistência a efeitos adversos.
Entre todos esses recursos, os inimigos classificados como invasores são, de longe, os que merecem maior destaque: além de serem criaturas sombrias e fantásticas, eles proporcionam as boss battles características da FromSoftware. Curiosamente, quando alguém encontra um invasor, os outros jogadores da partida são avisados e podem optar por se juntar ao combate de forma cooperativa; se o chefe for derrotado, todos os envolvidos ganham experiência e bônus de acordo com o grau de colaboração.
Assim, com inimigos muito perigosos espalhados pelo mapa, além de oito jogadores explorando as áreas simultaneamente, temos um mundo virtual completamente hostil e a receita perfeita para encontros multiplayer tão fatais quanto memoráveis. Pelo menos, morrer em combate não significa um game over direto — quem fica e quem sai da partida ao longo das fases é definido, como mencionado anteriormente, com base no acúmulo de virtude.
A virtude é um recurso que pode ser obtido de diversas formas: ao derrotar os inimigos invasores, ao atear fogo no crânio de cadáveres escondidos e, principalmente, ao participar de eventos em áreas de rituais. Claramente desenhadas para atrair os competidores para um mesmo lugar no decorrer da partida, essas áreas permitem duelos por virtude, antecipando o grande embate PvP que acontece no final de cada partida.
Pois é: ao fim da terceira fase, o cálice convocará os três Consangres mais virtuosos, mas somente um receberá o desejado Pranto da Lua. Para isso, o trio escolhido é transportado para uma arena. Com cada jogador recebendo duas vidas e PV adicional de acordo com seu desempenho geral, é hora do sangrento e derradeiro confronto entre jogadores e vassalos; quem restará no fim?
Um showcase técnico no console da Nintendo
Com seis personagens para escolher, itens espalhados aleatoriamente e até a possibilidade de formar alianças temporárias, The Duskbloods já exibe a variedade de situações necessária para entregar uma boa experiência multiplayer. O que mais chama atenção, no entanto, é a sua originalidade e ambição: honestamente, não me recordo de nenhuma experiência semelhante no mercado, principalmente quando se leva em conta o seu cativante sistema de combate e a sua primorosa direção de arte, marcas registradas da FromSoftware.
É possível antecipar que este é um título que não será indicado para todos os jogadores — nem todo mundo aprecia o alto nível de dificuldade dos soulslikes, e o caráter PvP, por si só, torna esta uma experiência ainda mais agressiva. No entanto, para quem se interessa pela proposta, a obra desponta de forma muito promissora (e a confirmação do skill-based matchmaking tende a manter as partidas equilibradas).
Voltando aos pontos positivos, também é preciso destacar a beleza e a boa performance do jogo em seu estado atual: para um teste de rede, The Duskbloods funcionou muito bem, na minha opinião. Conectado via Wi-Fi, não enfrentei problemas de lag ou similares, nem dificuldades para achar partidas — os lobbies ficaram cheios quase instantaneamente em todas as minhas buscas, o que indica uma estrutura de rede sólida e preparada para o lançamento completo.
No Switch 2, o jogo também está belíssimo tanto com o console conectado à televisão quanto no modo portátil. A taxa de quadros desbloqueada também concede a fluidez necessária para os confrontos, sem comprometer a experiência com quedas de desempenho e engasgos preocupantes — e a localização em PT-BR já foi confirmada, com o suporte ao idioma já presente no teste global.
Uma experiência ímpar e muito promissora
Pelo que foi mostrado em seu teste de rede, The Duskbloods promete entregar uma experiência multiplayer ímpar no Switch 2. Mesmo sem uma data de lançamento definida, o jogo já exibe uma polidez admirável no console da Nintendo, indicando que os fãs da proposta não terão problemas para gastar horas a fio na tentativa de ser o guerreiro escolhido pelo cálice.
No mais, considerando que as maiores surpresas do título ainda devem ser reveladas, estamos diante de um exclusivo muito promissor, que trará um tempero especial à line-up de fim de ano da Big N. Então, prepare-se, Consangre: ao que tudo indica, falta pouco para travarmos grandes batalhas neste mundo corrompido.
Revisão: Beatriz Castro
Texto de impressões produzido com código de teste adquirido pelo redator









