Resenha

Por trás da lenda de Zelda: Hyrule Historia

No aniversário de vinte e cinco anos de The Legend of Zelda, quem ganhou o presente fomos nós. Hyrule Historia, um livro com quase to... (por Luciana Anselmo em 16/03/2013, via Nintendo Blast)


No aniversário de vinte e cinco anos de The Legend of Zelda, quem ganhou o presente fomos nós. Hyrule Historia, um livro com quase todas as informações que nós poderíamos querer: artes conceituais nunca vistas, anotações dos desenvolvedores, o processo de desenvolvimento dos personagens e toda a cronologia explicada. Logo após o lançamento ocidental, Hyrule Historia se tornou o livro mais vendido da loja Amazon, surpreendendo aqueles que achavam que Cinquenta tons de cinza não seria vencido tão facilmente. Bom, meus parabéns fãs de Zelda, vocês fizeram um ótimo trabalho! Então, confiram nossa análise do sagrado tomo Zeldista.

Uma inesquecível jornada por Hyrule

A escolha da cor verde para a capa do livro não poderia ter sido mais perfeita e apropriada, já que ela remete à clássica e indispensável túnica de Link e é facilmente a cor que melhor representa a série. Mas o que realmente impressiona à primeira vista é o símbolo dourado tão familiar, que, para quem não reconheceu, é o Gate of Time de Skyward Sword.

Além disso, o aspecto antigo das páginas só nos faz mergulhar mais ainda nesse universo fantástico que Miyamoto criou há tantos anos. Tudo em Hyrule Historia tem o potencial de causar o sorriso e a alegria de qualquer pessoa. Mas já aviso: aqueles que tantas vezes fizeram o árduo caminho pela trilha em direção à Montanha da Morte, que viajaram com o King of Red Lions pelas ilhas espalhadas no grande mar, que desbravaram florestas cheias de monstros, que enfrentaram a escuridão de outra dimensão e tentaram a todo custo salvar o mundo do fim eminente em menos de três dias vão sentir arrepios e nostalgia ao folhearem as páginas de Hyrule Historia.



A Nintendo parece nunca revelar muito sobre o processo de desenvolvimento de seus jogos, então a maneira como temos tanta informação à nossa disposição com esse livro é impressionante. Temos aqui vários rascunhos de personagens e ambientes, com inúmeras anotações sobre como cada detalhe deveria ser. Para dar conta de tanto conteúdo, Hyrule Historia é dividido em quatro partes, sendo que a primeira é dedicada ao começo da lenda, ou seja, exclusivamente Skyward Sword.

A segunda nos leva em uma jornada que nos explica toda a cronologia da série e na terceira somos presenteados com uma seção cheia de rascunhos, artes conceituais e o processo de criação e desenvolvimento dos personagens e cenários. Por fim, temos um mangá que serve de prelúdio a Skyward Sword. Então, vamos viajar um pouco pelo fascinante universo de Zelda com cada uma destas partes do livro!


Os segredos de Skyward Sword 

Tudo começa com uma introdução de ninguém menos que Shigeru Miyamoto, que se põe no lugar de “guardião” da franquia, protegendo Link e companhia de perderem seu rumo no meio do avanço tecnológico e na mudança das tendências no mundo dos games. Ele ainda revela pequenos detalhes sobre a criação da franquia, como o fato de que o primeiro jogo era intencionado para ser uma experiência de dois jogadores, que deviam montar dungeons e explorá-las. Acontece que ele gostou tanto deste tipo de jogabilidade que mudou o conceito original e criou The Legend of Zelda.



Após a sessão nostalgia com Miyamoto, temos a maior parte do livro, que se refere inteiramente a Skyward Sword. Além de cobrir tudo que é possível sobre a aventura mais recente (ou mais antiga) de Link, ou seja, desde o perfil dos personagens até uma análise geral sobre cada localidade, ainda contamos com pequenas informações e anotações levadas em conta no processo de desenvolvimento.

Uma das coisas mais tocantes que pude perceber lendo essas anotações foi o visível carinho e importância colocados em tudo, desde os pequenos detalhes até fatos mais grandiosos. Um bom exemplo vai para os rascunhos do Loftwing de Link, onde é explicado que ele teria que fazer uma clara alusão ao símbolo de pássaro vermelho no Hylian Shield, como se ele realmente representasse o antigo Loftwing do herói do tempo.



Além disso, as cores de suas penas foram escolhidas especialmente para que uma ligação inconscientemente à Triforce fosse criada na cabeça dos fãs. Estes pequenos detalhes nos permitem afirmar que essa franquia é verdadeiramente feita com amor e não como se fosse mais um dos jogos genéricos tão comuns atualmente. De qualquer forma, Hyrule Historia nunca vai longe demais, então não se preocupem, vocês vão conhecer mais sobre os jogos e a mitologia, mas ainda haverá aquele mistério tão tradicional e essencial da série.

A tão esperada e controversa linha do tempo 

Nem Link entendia sua história
Quanto tempo faz que vocês jogam ou conhecem Zelda? Eu posso tranquilamente dizer que jogo há no mínimo quinze anos e conheço há mais tempo ainda. A franquia já está a caminho de completar vinte e sete anos, apenas cinco anos a mais que eu, mas com muito mais história para contar. E se pensarmos bem, é difícil encontrar uma franquia da Nintendo com mais história do que The Legend of Zelda. Mesmo que Pokémon e Mario sejam franquias mais rentáveis, os fãs de Zelda são, com certeza, um dos públicos mais apaixonados e dedicados na indústria de games. O grande problema é que as histórias de Link e Zelda foram contadas aleatoriamente, em vez ter algum sentido cronológico. Mas tudo bem, já que isso é mais do que comum no mundo dos videogames. O que realmente incomodava os fãs era o fato de que a Nintendo nunca havia se pronunciado a respeito deste assunto e nós tivemos que teorizar sobre a tal linha do tempo, mas é claro que nem tudo se encaixava e as perguntas ainda pairavam no ar.


Eis que chega Hyrule Historia e finalmente nos dá uma linha do tempo oficial! Mas algo esperado há tanto anos não poderia deixar de ser controverso, não é mesmo? Em vez de uma cronologia sólida e linear, o que nos é passado é uma linha temporal que se divide em três possíveis e diferentes realidades. A notícia boa é que, não importando qual das realidades oficiais você prefira, a Nintendo faz um bom e decente trabalho ao explicá-lo, não se perde no meio do caminho e nunca chega a parecer ridículo, o que é uma boa conquista levando em conta o extenso número de títulos lançados em todos estes anos.



É isso que a segunda parte do livro traz, e passa por todos os jogos, explicando com detalhes até mesmo os eventos de jogos mais obscuros como Four Swords e Minish Cap. Infelizmente, logo no início, uma pequena nota explica que alguns spin-offs ficaram de fora, o que é uma pena já que muitos fãs, provavelmente, adorariam ver os “clássicos” jogos do CD-i explicados detalhadamente na cronologia oficial, afinal são jogos tão... únicos! Nem imagino o porquê da Nintendo ignorá-los assim. Enfim, cada jogo é igualmente representado e descrito, não importando se alguns são menos conhecidos ou se foram grandes sucessos. Todas as histórias se encaixam de alguma forma, especialmente pelo fato de a linha ser dividida, o que ajuda a conectar tudo e a ter sentido.



Criatividade sem fim! 

Ah, os registros criativos de Zelda... Sem dúvida, a terceira parte do livro é a favorita de muitos fãs. E não é para menos, temos desenhos incríveis (sendo que alguns nunca tinham sido mostrados antes) que demonstram a evolução da franquia através dos anos e que nos permitem ver as primeiras formas de cada personagem ou como eles foram imaginados, até ganharem sua forma final. Além disso, há também inúmeras notas sobre as características de cada um, que nos permitem entender melhor certos fatos.

Gosto muito do Tingle, mas... não precisava ver ele sem camisa


Diferente da parte cronológica, aqui os jogos mais famosos ganham mais destaque, então se preparem para ver muita coisa de Ocarina of Time, Wind Waker e Twilight Princess por exemplo. Uma das melhores partes são os conceitos que acabaram não fazendo parte dos jogos, como a Ilha GameCube descartada de Wind Waker e Ganondorf em Oracle of Seasons/Ages (sendo que apenas sua forma demoníaca apareceu), mas não vou revelar muito, já que é mais divertido descobrir esses detalhes sozinho.

Os cenários não usados em Wind Waker podiam aparecer  no remake para Wii U


Depois de tantas informações novas, Hyrule Historia chega ao fim com um mangá de prelúdio a Skyward Sword, que começa colorido mas logo parte para o tradicional preto e branco. Não que não seja uma história esquecível, mas em comparação com o resto do conteúdo do livro, fica meio ofuscada. 

Ganondorf após ler Hyrule Historia e descobrir que ficou de fora dos jogos Oracle

Ainda com dúvidas? 

A questão final é: você deve comprar Hyrule Historia? Bom, se você é um grande fã de Zelda, nem tenha dúvida. Hyrule Historia nos oferece tanto material, teorias e informações novas que nem tenho como deixar de recomendá-lo. O problema, talvez, seja a enorme quantidade de espaço dedicado a Skyward Sword, que pode decepcionar os fãs dos títulos mais antigos que não ganharam tanto destaque assim. De qualquer maneira, esta “bíblia de Zelda” é tão incrível quanto o esperado, então não se preocupem em manter as expectativas altas. Pois além de termos um livro tão belo e épico em mãos, ainda aprendemos coisas novas sobre cada jogo e somos agraciados com lindas artes e conceitos nunca vistos antes.


The Legend of Zelda é uma franquia que nos encanta e fascina há mais de vinte e cinco anos. Nos contou histórias simples e complexas, nos apresentou a alguns dos personagens mais importantes dos videogames, pelos quais temos um grande carinho hoje em dia, nos fez sorrir enquanto observávamos o povo que salvamos festejando e nos entristeceu quando alguns personagens se foram. Quantas vezes não cavalgamos pelo vasto campo de Hyrule, navegamos pelo mar sem fim e voamos por um lindo céu azul? Nos encantamos com a emocionante trilha sonora, salvamos a bendita princesa incontáveis vezes, tivemos que aguentar fadinhas nos perturbando e aquele ruivinho persistente que sempre volta para tentar, sem sucesso, levar Hyrule às trevas. Ou seja, imergimos completamente no universo e na mitologia da lenda de Zelda, então acreditem, não há como não se encantar com esta maravilha em forma de livro e sinceramente... o que mais, nós, grandes fãs de Zelda poderíamos querer?



Assim como para muitos de vocês, The Legend of Zelda, é minha franquia favorita e eu tenho um enorme carinho por esta série tão especial. Então, se ela é tão especial para vocês como é para mim, não deixem de comentar e de assistir a nossa análise de Hyrule Historia em vídeo, no canal GameBlastTV.
Revisão: Gabriel Toschi

Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


  1. Eu amo The Legend of Zelda.

    Palavras não iriam ser o suficiente pra dizer o quanto essa obra de arte é importante na minha vida.

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  2. Pra mim só perde pra final fantasy e metal gear!!!

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  3. Zelda sim pode ser a franquia considerada feita de fãs para fãs, porque se nota claramente todo o amor e empenho, bem como a dedicação do mestre Miyamoto e toda a Big N em cada polígono ou sprite dos Games da serie! É cativante! Isso faz os gsmes serem arte, serem cultura. E serve de lição oras publishers e para toda a industria de Games aprender a fazer jogos que realmente valham a pena, que agreguem alguma coisa e não as muitas porcarias que sai lançadas hoje em dia...

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