Meus jogos favoritos de 2022 — Ivanir Ignacchitti

Os redatores do Nintendo Blast falam sobre os títulos que mais curtiram entre os lançamentos deste ano.

2022 já está próximo de acabar, mas confesso que parece que foi ontem que eu estava escrevendo o texto de favoritos de 2021. Apesar de ter sido um ano que me pareceu passar rapidamente, tive grandes oportunidades em 2022 e mais uma vez vários jogos vieram conquistar um espaço na minha lista de melhores jogos da vida inteira.

Como o primeiro redator aqui do Nintendo Blast a publicar a lista pessoal, escolhi dez títulos de Switch que foram lançados este ano e já considero experiências essenciais do sistema.  Gostaria também de destacar que farei um texto similar para o GameBlast cobrindo títulos de PC, que é a outra plataforma em que jogo. A lista segue ordem alfabética, não representando necessariamente a ordem de gosto.

AI: The Somnium Files - NirvanA Initiative

Kotaro Uchikoshi é um escritor e diretor que costuma fazer obras de ficção científica com várias loucuras em suas narrativas. Criador da série Zero Escape (999, Virtue’s Last Reward e Zero Time Dilemma), ele lançou o primeiro AI: The Somnium Files em 2019, explorando a ambiguidade do subconsciente como forma de investigação criminal.

Neste ano, o autor trabalhou novamente com a Spike Chunsoft para lançar uma sequência, NirvanA Initiative. Apesar de eu achar que a obra tem defeitos mais inconvenientes em comparação com o seu antecessor, AI continua sendo uma experiência única de aventura cuja alta qualidade geral merece ser exaltada. Intercalando entre trechos com dois protagonistas, o título brinca com a perspectiva do jogador para ir mais a fundo no tipo de reviravolta que Uchikoshi gosta de trazer para suas obras desde o seu trabalho na KID.

Azure Striker Gunvolt 3

A franquia Gunvolt recebeu dois plataformas de ação este ano, com Luminous Avenger iX2 em janeiro e Gunvolt 3 em julho. Pessoalmente, gostei bastante de ambos os jogos, mas destaco o último em particular.

A série Gunvolt é composta por plataformas de ação que mostram muito bem a competência da Inti Creates. São títulos muito gostosos de jogar, mas que ganham camadas extras de valor técnico caso você queira alcançar as pontuações altas.

No caso de Gunvolt 3, o retorno de GV foi um tanto atípico, já que a real protagonista jogável é a novata Kirin, uma sacerdotisa capaz de selar inimigos. Com uma gameplay aérea frenética, é uma recomendação fácil para fãs do gênero.

Captain Velvet Meteor: The Jump+ Dimensions

Uma grande surpresa para mim, Captain Velvet Meteor é um jogo de estratégia em que controlamos um menino que se muda para o Japão. Longe de seus amigos e diante de uma realidade totalmente diferente, ele acaba assumindo a persona de um super-herói, o “Capitão Velvet Meteor”, e tratando os obstáculos como criaturas fantásticas de outro mundo.

A obra é dividida em vários mundos, correspondentes às tarefas que ele precisa fazer. Cada um deles também está associado a uma série da revista Jump+, como Spy x Family, Kaiju no. 8, Ghost Reaper Girl, entre outros. Conseguindo um aliado de cada obra, cabe ao jogador usar as habilidades variadas de cada um para avançar.

Citizen Sleeper

Eu tenho uma grande paixão por obras de ficção científica, especialmente aquelas cujas discussões me fazem refletir seriamente sobre o presente e o futuro. Nesse sentido, Citizen Sleeper é exatamente o meu tipo de paixão pessoal, um jogo que rapidamente conquistou minha atenção e me manteve reflexivo até o final.

Em um futuro no qual humanos vendem até mesmo a sua própria consciência, você é um sleeper. Trata-se de uma espécie de androide que carrega dentro de si uma versão digitalizada da consciência de uma pessoa. Após acordar em meio a uma nave em ruínas, você tem a chance de viver como mais um cidadão de um satélite afastado chamado Erlin’s Eye.

Conforme trabalha para conseguir se alimentar e fazer manutenções em suas partes mecânicas, o personagem do jogador vai conhecendo várias pessoas cujas histórias de vida são uma parte importante da experiência. Atualmente, capítulos extras estão sendo lançados em updates gratuitos, expandindo a narrativa com a história de um grupo de refugiados.

Cotton Fantasy

Desde quando eu era criança, gosto muito de uma série fofa de shoot’em ups chamada Cotton. Eles colocam uma bruxinha chamada Nata de Cotton para lutar contra várias criaturas em uma missão para resgatar os seus doces favoritos, com o efeito colateral de salvar o mundo no processo. Cheia de humor, a franquia conta com jogos divertidos e bastante coloridos.

Recentemente, vários de seus títulos tiveram relançamentos no Switch, mas a BEEP (detentora dos direitos da franquia) também decidiu contratar o Studio Saizensen para criar um novo jogo. Intitulado Cotton Rock’n’Roll no Japão, o jogo chegou ao Ocidente como Cotton Fantasy e mostrou um carinho enorme pela série com uma gameplay muito competente, especialmente devido à boa variedade de personagens jogáveis com estilos muito diferentes.

Kirby and the Forgotten Land

Kirby finalmente teve o seu primeiro título principal em um mundo totalmente 3D com Forgotten Land. Confesso que inicialmente estava um pouco receoso, pois a demo que estava na eShop me deixou apreensivo quanto à adaptação da experiência para um universo tridimensional.

Para minha surpresa, logo me vi imerso na experiência do jogo final e senti que a adaptação havia sido perfeita. Apesar de não ser meu jogo favorito da franquia, Forgotten Land é um exemplo muito bom do que a série é capaz de fazer e consegue dar uma noção das suas possibilidades futuras.

As fases são muito bem feitas, me dando aquela sensação viciante de querer explorar todos os cantinhos para fazer tudo que eles têm a oferecer. Além disso, o Mouthful Mode e a capacidade de evoluir os poderes de Kirby são mecânicas bem agradáveis que se encaixam bem na experimentação usual da franquia.

Picross S8

Picross é outra paixão pessoal minha de longa data. Sou do tipo que sempre amou qualquer tipo de passatempo de revista como palavras cruzadas, Sudoku, entre outros, e resolver os desafios de Picross S8 me traz uma forte sensação de recompensa.

Com 485 puzzles divididos nas categorias Picross, Mega Picross, Color Picross, Clip Picross e Extra, o jogo entrega muita variedade de opções. Para fãs de puzzles em geral ou quem ainda não tem nem familiaridade com o estilo, é uma recomendação segura de obra para jogar um pouquinho sempre que tiver um tempo livre.

Piofiore: Episodio 1926

Piofiore: Fated Memories é uma visual novel lançada no Ocidente em 2020 que conta a história de uma jovem órfã chamada Liliana Adornato. A garota foi criada pela igreja na cidade italiana de Burlone e acaba se envolvendo com as famílias das máfias locais após uma série de eventos.

Em setembro de 2022, a Aksys Games lançou uma sequência chamada Piofiore: Episodio 1926. Ela continua todas as rotas do original e adiciona uma nova história alternativa em que um criminoso misterioso ameaça a cidade de Burlone, forçando as famílias a se unirem. Desenvolvendo mais a fundo o contexto político e social da época, eu argumentaria que 1926 é ainda mais interessante do que o original e uma obra que vale muito a pena conhecer.

Variable Barricade

Apesar de acompanhar os lançamentos ocidentais de otome em consoles há cerca de 10 anos (quando Hakuoki chegou ao PSP), Variable Barricade foi uma experiência inédita para mim. Usualmente, os títulos traduzidos pela Aksys possuem algum tipo de gancho narrativo que foge ao romance, como a presença de samurais, elementos sobrenaturais ou algum tipo de mistério.

Variable Barricade, por outro lado, é uma visual novel que foca inteiramente na construção da relação entre os personagens e é muito competente em sua escrita. O jogo conta a história de Hibari, herdeira do conglomerado Tojo, que é forçada a conviver com quatro rapazes escolhidos a dedo pelo seu avô.

Misteriosamente, as quatro opções parecem ser as piores possíveis e a garota está preparada para fazer os caprichos do avô, mas não se apaixonar. Vale destacar que a protagonista tem voz, algo raro para o gênero, e os momentos chave dos romances são representados como se fossem batalhas em um tabuleiro de xadrez. Honestamente, a única coisa ruim do jogo é não ter uma rota para pegar a amiga Tsumugi também, já que ela é a melhor personagem. Tenho certeza que a Juliana, que escreveu a análise do jogo aqui no Nintendo Blast concorda comigo.

Xenoblade Chronicles 3

Xenoblade Chronicles 3 conta a história de seis protagonistas que originalmente faziam parte de dois esquadrões de lados opostos de uma grande guerra. Juntos, eles descobrem que há um inimigo comum para além do conflito que sempre viram como um mal necessário para sobreviver.

A obra conta com uma história sensível sobre a vida, bastante conteúdo e mapas vastos para explorar. Além disso, o combate conta com várias opções para o jogador, incluindo mudanças de classes, um tipo de fusão que transforma dois aliados em uma espécie de mecha chamado Ouroboros e Chain Attacks. Em apenas uma frase, eu diria que Xenoblade Chronicles 3 é o ápice do que a Monolith Soft construiu até agora e mostra muito bem os desígnios de seus criadores.

Considerações finais

Escrever este texto já me deixou com saudade das experiências que tive ao longo do ano, que, mesmo pensando apenas em jogos, vão muito além das escolhas aqui presentes. Espero que o ano tenha sido tão bom para vocês também e que 2023 traga ainda mais coisas legais. Eu já estou de olho em Digimon World: Next Order, Atelier Ryza 3, Labyrinth of Galleria, Process of Elimination, Jack Jeanne e Spirit Hunter: Death Mark II para o ano que vem.

Revisão: Juliana Paiva Zapparoli


é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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