Resenha

The Legend of Zelda: Twilight Princess em mangá: da cidade do céu ao confronto no Crepúsculo (Vol. 8 e 9)

Um estudioso realiza seu sonho, um monstro tem uma epifania e uma soberana retorna ao seu reino.


Estamos chegando ao fim do mangá de The Legend of Zelda: Twilight Princess, mas ainda há muito a ser feito antes da luta destinada. Embora não se desviem tanto do jogo quanto nos dois volumes anteriores, nos tomos 8 e 9 a dupla de autoras chamada Akira Himekawa continuam seu bom trabalho dando espaço a personagens secundários, pois o épico não se resume apenas ao herói.

Os dois volumes resumidos neste artigo são a preparação final para o clímax emocionante que corre pelos últimos capítulos com toda a glória que o jogo não pôde apresentar em sua época.

Para saber mais sobre o mangá em geral, confira os links para os textos anteriores no final deste artigo.



Volume 8

O volume 8 é mais direto que seus dois antecessores. Vemos o treinamento de Link com o Herói do Tempo de Ocarina of Time e a obtenção dos fragmentos restantes do Espelho da Sombra, com bastante destaque para um personagem coadjuvante como Shad e um pedacinho de participação de Ilia e Bulblin.
Durante sua sessão de treino de espada com o guerreiro esqueleto no Templo do Tempo, Link descobre que sua cidade natal na verdade, foi engolida pelo Crepúsculo dois anos atrás, e que permanece naquele reino. Isso alimenta ainda mais a determinação dele em restaurar o Espelho da Sombra e usá-lo para adentrar as terras de Midna.



Um dos fragmentos está ali mesmo, no templo, lentamente se aproximando deles pelo fluxo temporal até que chega o momento de confrontar o guardião da peça. Vencida a batalha, resta apenas encontrar o pedaço que os Juízes disseram estar no céu, uma pista que Link sabe quem pode solucionar, partindo para a cidade do castelo.

A bela e a fera

Enquanto o herói estava acamado, recuperando o corpo e a alma, a capital foi atacada de surpresa pelos bokoblins. A população corre para se refugiar e quem pode lutar, como Ashei, parte para o confronto, enquanto Rusl vasculha as ruas à procura de Ilia.




A garota entra em um beco, tentando achar uma maneira de esconder Epona, mas dá de cara com o rei Bulblin; um encontro repentino que reativa o trauma do rapto e a deixa congelada no lugar, aterrorizada. Quando nada acontece, ela ergue o olhar e vê que Bulblin está parado no mesmo lugar, ferido e derrotado. O medo de Ilia cede e ela se aproxima dele.

Humilhado por Link, que cortou-lhe os dois chifres, Bulblin não é mais um rei entre os bokoblins. Ele acredita que a verdade sagrada no mundo é a lei do mais forte, mas sua força o traiu e sua única opção é aceitar o destino.



Ilia toca o ombro ensanguentado de Bulblin e diz que no mundo dela aquela lei não existe, os fracos e os fortes se ajudam mutuamente. No mesmo instante, a dor do ferimento de Bulblin cessa e ele acredita que ela fez uma mágica, mas Ilia diz que foi apenas bondosa. A cena é interrompida por Rusl, que avança contra o vilão, mas é impedido pela jovem, que não sabe exatamente por que protegeu o monstro que devastou a vila Ordon. Quando olham ao redor, Bulblin não está mais ali.

A fala de Ilia não apenas ecoa a conversa entre Link e Anika no volume anterior, mas também reforça o tema central da história que foi representado na luta interior do Link sobre o verdadeiro papel do herói. Essa é uma interpretação narrativa criada por Himekawa, mas funciona como uma reflexão que ressoa em toda a série Zelda e a aprofunda de forma consistente.

A cidade do céu

Quando Link chega à cidade, o povo está se recuperando do ataque e refazendo as defesas. Ele vai direto ao bar de Telma conversar com o grupo da Resistência e explica toda a história que envolve Hyrule e o Crepúsculo. O principal objetivo dele, porém, é falar com Shad, que escreveu um livro de sua pesquisa sobre a cidade celeste que todos dizem ser apenas um mito. Link tem certeza de que o último fragmento do Espelho da Sombra só pode estar lá.




Nesse momento, algo muda em Shad. Ele, que não gostava de Link por ciúmes de Ilia, de repente vê no outro um grande amigo, a única pessoa que acredita no seu sonho em vez de ridicularizá-lo. Os dois se unem para decifrar o que falta do mistério e descobrem na vila Kakariko o Canhão do Céu, que os atira para a cidade voadora.

A dupla é recebida pelos ooccas, os seres mais bizarros do jogo, que parecem galinhas com cabeça de gente, mas são hospitaleiros. O dragão que protege a cidade, porém, foi corrompido e tornou-se agressivo, destruindo as ilhas voadoras que formam o local. É dele que Link, Midna e Shad conseguem retirar o fragmento do espelho, restaurando a paz e completando o último passo rumo à invasão do Crepúsculo.



Hoje, é comum que os jogos coloquem coadjuvantes para acompanhar os protagonistas nas aventuras, mesmo quando não fazem parte da ação. No distante 2006, quando Twilight Princess foi lançado, isso não era assim. Um mangá, no entanto, não possui as restrições narrativas de um videogame que precisa equilibrar a gameplay. Com isso, Himekawa fez uma escolha tão coerente que é até óbvia: levou Shad para o céu com Link.

Como as próprias autoras afirmaram, esta parte tem mais entretenimento por ser mais aventuresca, diferente do drama trágico que vinha preenchendo as páginas da história. Sem pressa, vemos Link usar o gancho para atravessar a cidade do céu e enfrentar os lagartos alados e o dragão, enquanto Shad participa merecidamente de tudo e reúne coragem para ajudar o herói.

É o último momento desse tipo até o fim. A partir daí, o grande conflito começa a se formar no volume 9 e finalmente explode nas primeiras páginas do número 10.

Volume 9

Como eu disse na introdução desta série sobre o mangá, não gosto muito das capas. Este volume é um dos piores exemplos nesse aspecto. Mais da metade dele é sobre o confronto com Zant, mas veja a capa, lá no início do texto. O vilão, ou melhor, um pedaço do elmo, fica encaixado no plano de fundo entre o título e o herói, pode até passar despercebido.

O usurpador

A caminho do Território dos Juízes para montar o espelho, Link e Midna param para descansar, e a rainha conta a história de como foi transformada em um diabinho e sobre o seu sentimento de vingança contra Zant que ela levaria às últimas consequências, mesmo que isso custasse a destruição do mundo da Luz que ela desprezava. Ela reconhece seus erros e se acusa como um mal a ser banido, ao que Link imediatamente reage com um abraço protetor.



O que ele vê nesse momento é a verdadeira forma da monarca, mas desperta de repente, como se todo o diálogo tivesse sido um sonho ou uma alucinação.

Os próprios Juízes concluem que foram responsáveis pelas amarguras do conflito entre o mundo da luz e o do crepúsculo, pois acharam que podiam controlar o mal ao jogá-lo nas terras de lá, sem se importar com o que acontecesse do outro lado de espelho.




Ao chegar a seu reino, Midna teme encarar o povo, pois ela o deixou para seguir o desejo de vingança, mas Link a conforta com seu apoio. Eles encontram servos do palácio transformados por Zant, que reconhecem sua senhora e a levam até um local secreto. Ali repousa um Sol, relíquias brilhantes que fornecem luz e vida ao reino do Crepúsculo.

Espontaneamente, o Sol energiza a Master Sword, mostrando que os poderes daquele mundo também estão ao lado do herói. É com essa força que Link consegue enfrentar Zant e derrotá-lo, rebatendo a magia do feiticeiro da mesma maneira que o Herói do Tempo na visão do passado.
O mangá não faz alusão a essa semelhança, mas eu gosto de pensar que é assim, pois é algo que não faz parte da luta no jogo.

Zant se revela um vilão mesquinho e patético, movido pelo rancor pelo mundo da luz, a ganância pelo trono e o narcisismo de achar que é o único que merece o poder de governar o Crepúsculo. As emoções dele flutuam em sua imaturidade, passando do medo ao excesso de confiança, do ódio à autocomiseração, da inveja à obsessão por Midna. Ele esperneia, ameaça e faz discursos inflamados, agarrado ao trono e à certeza de que seu deus Ganondorf concederá o poder que o levará à vitória.

Após recuperar o Cristal da Sombra que estava com Zant, Midna perde a paciência com a loucura do usurpador e o ataca diretamente com seu cabelo. Para sua surpresa, o corpo dele é totalmente destruído. Ela não tinha a intenção de matá-lo, então usou apenas uma fração de sua força. É assim que ela entende quão terrível é o poder antigo que reside no cristal que agora está em seu poder e que não é capaz de controlá-lo.

Com a morte de Zant, todos os twili, habitantes do Crepúsculo, retornam às suas formas normais, exceto pela rainha, cuja maldição tem origem na magia do próprio Ganondorf.



A cidade que protege a fronteira do deserto

Um dos servos guia a dupla até a cidade da fronteira, que foi engolida pela sombra, e Link reencontra grande parte da população sã e salva. Eles sobreviveram com a ajuda de twilis da região, que sempre mantiveram aquilo em segredo porque sabiam que habitantes do mundo da luz não seriam bem-vindos ao reino.
Por algum motivo, Akira Himekawa não batizou a cidade natal de Link. Ela é sempre referida por extenso como “a cidade que protege a fronteira do deserto”, o que não soa nem um pouco natural. Com tanta liberdade criativa que tiveram no mangá, não me parece que elas foram impedidas de nomear um local que não existe nos jogos. Talvez tenha sido isso, ou apenas uma escolha duvidosa.
Darpa, Zeu e Rioma, os antigos companheiros do herói, também estão lá. A Espada de Gaurof permanece no mesmo lugar, como se nunca tivesse sido retirada da pedra, então Zeu tem a ideia de que o efeito possa ser revertido se Link a retirar novamente. O plano dá certo e toda a cidade é transportada de volta ao deserto ensolarado.


Só nesse momento, Darpa expressa seu sentimento de rancor para com Link, que tão facilmente resolveu todas as aflições contra as quais eles lutaram nos últimos anos, presos no reino sombrio. Darpa havia se tornado capitão da guarda e seus esforços eram reconhecidos por todos, como um herói, mas agora a situação havia voltado ao que era antes, e ele não seria mais alguém especial.

Sua inveja o faz acusar Link de arrogância, ao que o herói responde à altura, dizendo que ele era apenas um brinquedo nas mãos da Triforce e que nunca quis aquele papel, mas que seguirá seu destino e lutará contra Ganondorf para salvar a todos sem que ninguém o atrapalhe.




Link começa o caminho de volta ao castelo, e Rioma o segue com Zeu, um exemplo de devoção a Hyrule que arrasta Darpa com eles. Gentilmente, Midna diz que Link os espere e aceite o que aqueles jovens guerreiros têm a oferecer para a batalha que virá.
Chegamos à reta final da longa aventura da Princesa do Crepúsculo (sim, apesar de o título ser claro, eu tenho preferido chamar Midna de rainha porque é o que ela é). O próximo texto fechará a série com os dois últimos volumes que trazem ação quase sem parar, um desfecho emocionante e épico como a história realmente merece. Até lá!

Revisão: Cristiane Amarante

Admiro videogame como uma mídia de vasto potencial criativo, artístico e humano. Jogo com os filhos pequenos e a esposa; também adoro metroidvanias, souls e jogos que me surpreendam e cativem, uma satisfação que costumo encontrar nos indies.
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