7 jogos brasileiros no Switch para aproveitar agora mesmo

Conheça alguns dos grandes jogos que a indústria nacional entregou nos últimos anos no console da Nintendo.

em 07/09/2026

Para quem conheceu os videogames nos idos dos anos 80 e 90, a possibilidade de um dia ver algum jogo brasileiro disputando espaço nos consoles da Nintendo ou de qualquer outra grande fabricante de games parecia algo saído diretamente de uma ficção científica.


O Brasil, decerto, ainda engatinhava na produção de tecnologia e o acesso aos jogos era bastante limitado, quanto mais aos meios que poderiam permitir o desenvolvimento destes jogos que tanto admirávamos. No entanto, é certo que o fascínio causado pelos videogames despertou os olhares de toda uma geração que se permitiu sonhar e, enfim, produzir jogos temperados com o toque especial da identidade brasileira.

E como hoje “já raiou a liberdade no horizonte do Brasil”, o Nintendo Blast preparou uma lista especial com sete jogos brasileiros que você deveria ter em conta e que estão disponíveis na eShop do Nintendo Switch. 

Akane (Ludic Studios – 2021)


Para começar, um jogo ideal para aquecer os dedos e testar sua atenção e agilidade. Akane é um jogo direto ao ponto, mas que pode te prender com uma jogabilidade baseada em partidas rápidas, no melhor estilo “vou tentar só mais uma vez”.

Não há espaço para falhas, pois a personagem principal (assim como a maior parte dos oponentes) é derrotada com apenas um ataque. A ideia é tentar superar a sua melhor pontuação neste jogo de arena em estilo arcade. 

Em Akane, o jogador não pode se empolgar demais na execução dos ataques, porque administrar a barra de estamina é essencial para permanecer vivo. A protagonista está munida de uma katana, possui armas de fogo e ainda conta com armas e acessórios desbloqueáveis, que podem facilitar a vida do jogador nas rodadas seguintes.

O jogo segue uma estética cyberpunk japonesa que nos traz rapidamente referências aos animes Akira e Ghost in the Shell; já a história se passa em Tóquio, no ano de 2121, e Akane se prepara para aquela que será sua última batalha, encarando hordas incessantes de inimigos. 

Akane pode, à primeira vista, parecer um jogo simples. No entanto, sua execução é primorosa e pode permitir horas e horas de um gameplay rápido e viciante. Realmente, o trunfo do jogo pode estar exatamente na sua simplicidade.

UDO: Unidentified Drilling Object (Blue Firefly Studio – 2024)


Para baixo é o único caminho possível para avançar neste roguelite de plataforma. A princípio, UDO lembra bastante outro jogo: Downwell. No entanto, em poucos minutos já se percebe que o jogo brasileiro incrementa bastante a proposta do jogo anterior e ganha personalidade própria.

Para avançar neste buraco aparentemente interminável, o jogador precisa dominar a gravidade e entender a precisão dos saltos e demais movimentos que o personagem pode executar. Munido de uma broca, o jogador deve perfurar parte do solo para avançar em busca de recursos e também usá-la para atacar seres rastejantes e voadores que dificultarão o progresso do jogador.

O jogo oferece pontos de descanso nos quais o jogador poderá utilizar os recursos acumulados a cada fase para comprar itens para auxiliá-lo no progresso pelo poço. Eles poderão aumentar a sua vida, o seu combustível (recurso necessário para fazer a broca girar), bem como garantir novas opções de ataque e defesa.

Sendo assim, UDO: Unidentified Drilling Object é uma ótima pedida para os fãs de roguelites impiedosos, destes que exigem precisão e também pode interessar a quem gosta de jogos como Steamworld Dig e Downwell.

Blazing Chrome (JoyMasher – 2019)


Que Contra é uma franquia clássica dos videogames, todos nós sabemos. No entanto, eu sempre tive a impressão de que esta série, desde sempre, teve uma conexão muito mais forte com os fãs brasileiros. Deve ser por isso que Blazing Chrome executa tão bem a proposta de shooter de progressão 2D com ênfase no multiplayer para dois jogadores.

Blazing Chrome é uma carta de amor aos anos 80 e 90, com os seus belíssimos gráficos em pixel art e sua jogabilidade demandante dos reflexos rápidos dos jogadores. Além disso, a história que presta homenagem a Exterminador do Futuro ajuda ainda mais a trazer boas memórias para os saudosistas por estes tempos.

Mas não se engane, pois Blazing Chrome não se garante apenas por remeter aos bons momentos de jogatina de uma geração que hoje já está na casa dos 30 ou 40 anos. Os seus desenvolvedores certamente tiveram o zelo e capricho para apresentar aqui um jogo com coração antigo, mas com um corpo moderno.

A jogabilidade é fluida e respeita os jogadores com a medida certa de punição e recompensa, em um jogo que te incentiva a ser sempre um pouco melhor do que na última tentativa.

Dandy Ace (Mad Mimic – 2021)


Mais um jogo roguelite entrando na lista. Dandy Ace é um jogo extravagante e interessante. Aqui, o jogador encarna um grande mágico que deve buscar a saída de dentro de um espelho misterioso no qual foi aprisionado por um mágico rival.

Dandy Ace contará com a ajuda de suas duas assistentes de palco e também do seu arsenal de parafernálias mágicas que, durante a ação do jogo, se convertem em suas armas para progredir na masmorra repleta de inimigos especialmente criados para impedir o retorno de Dandy Ace ao mundo real.

O jogo tem uma mecânica de equipamentos inovadora, em que cada habilidade de Dandy Ace é uma carta e, tal qual uma mão em um jogo de baralho, o jogador deve combinar estas cartas em ordens específicas para se beneficiar de diferentes combos possíveis.

Sky Racket (Double Dash Studios – 2020)


Este é um jogo que certamente seria um sucesso estrondoso nos tempos áureos do Super Nintendo. Afirmo isso porque Sky Racket teve a grande ideia de combinar dois gêneros de jogo muito populares naqueles tempos. 

Em Sky Racket, os famigerados “jogos de navinha” ganham uma nova complexidade, já que aqui os jogadores não contam com munição própria, mas dependem da sua raquete para devolver os projéteis lançados pelos inimigos, e é aí que o jogo também mostra sua faceta de jogo de “quebrar tijolos”, assim como clássicos como Arkanoid e Bust-a-move.

E não é apenas por esta combinação inusitada que Sky Racket garante seu charme. Os visuais do jogo também são muito caprichados e o desenho dos personagens, aliados e vilões é primoroso e divertido.

Ghetto Zombies (Fogo Games – 2026)


O jogo mais recente desta lista é também mais um que parece prestar homenagem a um dos jogos da minha infância, mas desta vez estamos falando de Zombies Ate My Neighbors de Super Nintendo. A questão é que, em vez de salvar um bairro dos subúrbios americanos, em Ghetto Zombies é a periferia de uma grande cidade brasileira que se torna palco para a matança de zumbis cartunizados.

Além disso, Ghetto Zombies também é extremamente feliz quando nos referimos à modernização de um clássico. O jogo traz quatro personagens jogáveis, cada um com seus pontos fracos e fortes, que mudam muito a forma de jogar. Para além da matança lúdica de zumbis, o jogo também parte da premissa de utilizar spray para marcar os muros da cidade com graffiti por onde o jogador passar.

Unsighted (PixelPunk Studios – 2021)


E para finalizar esta lista, uma obra que se revelou uma grata surpresa para mim: Unsighted é um jogo que também executa muito bem a sua proposta de resgatar referências clássicas, mas, ao mesmo tempo, é um jogo que mostra a força da sua personalidade única.

Ele conta a sua história com artifícios que despertam, desde o começo, a curiosidade do jogador: surge a necessidade de progredir para entender quem é a personagem amnésica que protagoniza esta história.

Além disso, o combate em Unsighted também é inspirado: o jogo conta com mecânicas de parry que exigem precisão do jogador, além de uma variedade de inimigos que não devem ser, de forma alguma, menosprezados.

Outro mérito do jogo é ser um jogo corajoso ao tratar de temas que muitas vezes podem ser vistos como “muito politizados”, como o romance entre pessoas do mesmo gênero e a crueldade dos seres humanos em relação àqueles que são diferentes.

Já podeis da Pátria filhos, ver contente a mãe gentil

Sim, muitos jogos ficaram de fora, mas, desta vez, estas ausências me deixam mais que satisfeito, já que significam que a indústria de games brasileira tem se tornado pujante. Caso tenha sentido falta de algum jogo nesta lista, você pode conferir outros grandes jogos brasileiros para o Nintendo Switch nesta outra matéria publicada aqui no Nintendo Blast em 2019. 

Por fim, não nos esqueçamos também dos próximos grandes jogos feitos por brasileiros que são esperados com muita expectativa para os videogames da Nintendo para este e os próximos anos, como Neverway, das mesmas mãos que trouxeram jogos como Towerfall Ascension e Celeste, como o também instigante The Posthumous Investigation, que se inspira nos personagens de Machado de Assis para contar uma história de intrigas e investigação.

Revisão: Cristiane Amarante


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Lucas Fonseca
Professor de idiomas graças aos jogos de Super Nintendo, continuo aprendendo línguas e jogando até hoje. Meu gosto por jogos vai desde ação e aventura até RPGs, passando por visual novels e jogos de ritmo, além, é claro, de qualquer jogo com o selo Nintendo de qualidade.
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