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Dez motivos para a Nintendo esquecer 2015

Retrospectiva: quais foram as dez grandes tropeçadas da Nintendo neste ano que passou?

Nem tudo são flores em Kyoto. Este ano que passou foi um dos mais difíceis para a Nintendo, tivemos de tudo: adiamento de jogos, completo silêncio sobre outros, petição para cancelamento de um simultâneo ao seu anúncio, e, claro uma grande perda. Confira abaixo quais foram os piores momentos da nossa amada Big N neste ano que passou.


10) Adiamento de Star Fox Zero (Wii U)


O grande foco da E3 deste ano foi em Star Fox Zero (Wii U): a primeira e mais generosa parte da apresentação foi dedicada a apresentar características do jogo, além de curiosidades sobre seu desenvolvimento e histórias contadas por Miyamoto sobre como chegou as idéias que levaram a sua criação. Apesar de certas desconfianças quanto a seu visual e à originalidade de suas missões, era o grande jogo, em termos comerciais, a ser lançado no final deste ano para o console, tendo em vista o sumiço de Zelda U.

Após toda a atenção na feira, as notícias nos meses seguintes sobre o jogo minguaram. Pouquíssimo foi divulgado e o que, a essa altura, já parecida inevitável, foi confirmado: o jogo adiado de novembro do ano passado, para abril deste ano. Além de frustrar os jogadores, o vácuo deixado pelo seu lançamento é uma das supostas razões para o fracasso dos títulos de final de ano da Nintendo, aparentemente lançados às pressas para evitar que o período de festas passasse em branco, como veremos abaixo.

9) Anúncio de Metroid Prime: Federation Force (3DS)

O único título realmente inédito e “ousado” apresentado na morna E3 deste ano foi justamente o mais odiado. Metroid Prime: Federation Force (3DS) promete levar a experiência da série de Samus para o multijogador online através de partidas de FPS, contando também com um spin-off esportivo chamado de Blast Ball, onde os jogadores “chutam” a bola dando tiros nela.

Seja por qualidade gráfica duvidosa; apelo ao multijogador - a princípio, algo que fugiria às tradições da série; falta (aparente) de uma campanha de peso; falta de Samus Aran; pelo mini game esportivo, ou por simplesmente resistência da fanbase, o anúncio do jogo foi uma bomba para a Nintendo. 

A recepção foi desastrosa, o jogo odiado pelos jogadores e contou, inclusive, com um abaixo-assinado pedindo seu cancelamento logo após seu anúncio. A Big N se mantém firme e continua com seu lançamento programado para o ano que vem.

8) Fracasso comercial de Code Name S.T.E.A.M (3DS)

Muito se cobrava da Nintendo sobre ela ser, supostamente, uma desenvolvedora presa ao passado, lançando jogos seguidamente de suas mesmas séries (ou IPs), desgastando os personagens e marcas. Faltando, então, ousadia de iniciar novas empreitadas. Em 2015, veio a resposta, e a Nintendo lançou duas novas IPs (propriedades intelectuais); Splatoon (Wii U) e Code Name S.T.E.A.M. (3DS).

Enquanto o primeiro se tornou um dos maiores sucessos da história; o segundo, lançado em março e maio deste último ano, já foi esquecido. Apesar de desempenho bom com a crítica especialista, figurando com notas 6 a 8, em média, o jogo foi um fracasso absoluto de vendas desde o começo, com menos de 2 mil cópias vendidas no Japão em seu lançamento.

Desenvolvido pela Inteligent Systems, equipe da Nintendo mais conhecida por Fire Emblem, o jogo se tratava de um RPG tático com elementos de shooter em terceira pessoa. A jogabilidade se mostrou complexa, mas pouco atrativa, até mesmo maçante, e seu enredo e personagens pouco carismáticos

Posteriormente foi lançada uma atualização deixando a jogabilidade mais rápida, mas o desempenho comercial se manteve um fracasso. Até o momento, nada mais foi divulgado se haveria uma nova tentativa de emplacar a IP, que aparenta ter sido enterrada.

7) Lançamentos do final de ano (amiibo Festival e Mario Tennis)

Divulgados na E3 deste ano, já eram dois jogos dos quais não poderíamos esperar muita coisa, mas o resultado conseguiu ser ainda mais decepcionante. Animal Crossing: amiibo Festival (Wii U) foi o primeiro jogo a tornar os amiibo obrigatórios (vindo incluso nas cópias físicas do jogo) mas se mostrou um terrível board game, contando com apenas 8 minigames. Uma experiência extremamente tediosa.

Mesmo assim, Mario Tennis: Ultra Smash (Wii U) conseguiu ser ainda mais frustrante, com forte aparência de jogo lançado às pressas, de decente contém apenas seus visuais. Não há novidade nos modos de jogo, e pasmem, não há quadras temáticas dos ambientes de Super Mario ou seus personagens, apenas locais “normais”, como quadras do mundo real.

Ambos venderam muito mal além de serem fracasso de crítica, e quase afundaram o final de ano da Nintendo, o período de maior venda de games nos principais mercados. 

6) Fim do Club Nintendo

Apesar de não ser possível, oficialmente, usufruirmos dele no Brasil, ficamos muito tristes com o fim do programa de fidelidade da Nintendo, encerrado em janeiro do ano passado, após seis anos de alegrias aos jogadores. Ao comprar produtos originais e registra-los no Club Nintendo, o jogador ganhava “moedas” que eram trocadas por brindes físicos e digitais, como pôsteres, miniaturas, ou, principalmente, jogos.

A justificativa na época dizia respeito apenas a uma reformulação do programa de fidelidades; no lugar do Club Nintendo, surgiria um novo modelo de benefícios e recompensas aos fiéis nintendistas. Estamos esperando até agora, o My Nintendo foi revelado numa reunião de acionistas, mas nenhum detalhe ou datas foi apresentado ainda.

5) Anúncio “acidental” do NX


Especulações sobre um próximo console da Nintendo começaram desde os primeiros dias do Wii U. No entanto, se avolumaram neste ano, e o NX começou a tomar forma. Entretanto, em junho, estes boatos se transformaram em informações concretas quando o NX foi mencionado em uma reunião dos acionistas em Kyoto por Satoru Iwata. Desde então, os mais absurdos rumores passaram a surgir sobre o console e patentes da Nintendo vasculhadas no mundo todo.

O vice-presidente da vendas da Nintendo da América disse, à época, que a revelação pública sobre o NX teria sido uma resposta à entrada das desenvolvedora no ramo dos jogos mobile. O objetivo de falar sobre o novo console teria sido assegurar que a Nintendo não abandonaria o ramo dos consoles (ou sistemas dedicados) em detrimento dos celulares. Posteriormente, em entrevista, Reggie Fils-Aime confirmou que o NX se trataria do próximo console da Nintendo.

Cumprindo, de fato, este objetivo, por outro lado, o "anúncio acidental” - que se foi proposital, era melhor ter sido por acidente - ajudou ainda mais a enterrar a pouca moral restante do Wii U. Encheu de dúvidas as cabeças dos donos do console e afastou outros inúmeros possíveis futuros donos. 

4) Silêncio sobre Zelda U

A grande série da Nintendo, é, claro, Mario. No entanto, aquela é normalmente é sinônimo de qualidade e de jogos que conseguem extrair o máximo do console é Zelda. Desde a techdemo apresentada em 2011, antes do lançamento do console, o jogo mais aguardado do Wii U é Zelda U

Tudo não passava de hype dos fãs até 2014, quando durante a E3 e mais tarde nos Game Awards, screenshots e gameplay preliminares foram divulgados pelos desenvolvedores. Zelda U seria um ambicioso projeto da Nintendo: pela primeira vez a série teria um imenso mundo aberto para ser explorado com visuais de cair do queixo.

Para a surpresa de todos, durante a E3 deste ano a política de Kyoto foi de absolutamente informações zero sobre Zelda U, nada foi revelado deste então e foi a grande decepção dos nintendistas para este ano. Após um início muito animador da divulgação do jogo em 2014, durante a feira de 2015 a postura foi outra: Reggie Fils-Aime afirmou que caso o que estava preparado para apresentação naquele momento fosse divulgado, o efeito seria negativo, de frustração para os jogadores.

Outras falas de executivos como "o jogo será lançado quando estiver pronto o suficiente" indicam que, ou algo de muito errado ocorreu durante o desenvolvimento de Zelda U, ou o jogo está sendo guardado para o NX.

3) Encerramento da distribuição no Brasil

Para nós, brasileiros, este certamente seria o pior momento da História da Nintendo. Mas ainda assim, globalmente continua sendo um dos piores. Nosso país é apontado como o 11º maior mercado de games do mundo, sendo o maior da América Latina. Correspondemos a 4ª maior população de jogadores do planeta, e somos também um dos maiores contingentes de usuários da internet.

Diferentemente de suas concorrentes, especialmente a Microsoft, que cada vez mais se adentra no nosso mercado, com distribuição e localizações de jogos em português, aparentemente a Nintendo não liga para nenhum desses dados. 

Após anos de distribuição sofrível, pouca disponibilidade, participação em eventos nula, nenhuma localização, promoções irrisórias e publicidade inexistente, a Big N desistiu do Brasil. No começo de janeiro do ano passado, a Nintendo usou a desculpa mais fácil e colocou na conta dos custos de importação por seu fraco desempenho por aqui, esquecendo-se de anos de uma terrível distribuição e publicidade.

2) E3

Chegando a este ponto da leitura, vocês deverão perceber que a maioria dos pontos de turbulência da Nintendo passa pela tenebrosa apresentação da E3 deste ano, o Nintendo Digital Event de 2015.

Contando a comovente história da funcionária que resolveu tricotar Yoshis de lã pois não tinha como ajudar no desenvolvimento dos jogos, a conferência falou muito de jogos já repletos de informações naquele momento, como Super Mario Maker (Wii U) e Yoshi's Woolly World (Wii U), além de anúncios de jogos que já aparentavam ser pouco inspirados e, posteriormente essas impressões negativas foram confirmadas com fracasso de crítica e pública de amiibo Festival e Mario Tenis. 

Especialmente com o silêncio sobre Zelda U, toda a apresentação deu um tom de marasmo, de uma Nintendo parada, no piloto automático. Anúncios previsíveis, mesmo de jogos inéditos; foco em jogos já anunciados; muito tempo em Super Mario Maker (Wii U), jogo voltado à nostalgia; e missões de Star Fox Zero (Wii U) muito parecidas com as de Star Fox 64 (N64) contribuíram com um senso de total falta de ambição da Nintendo para o ano de 2015.

1) Morte de Satoru Iwata


Dispensa comentários.

Menção (des)Honrosa: Visuais de Twilight Princess HD (Wii U)

Uma grata surpresa deste ano foi o anúncio da remasterização em alta definição de The Legend of Zelda: Twilight Princess (GC/Wii), para o Wii U. No entanto, durante o vídeo divulgado, maioria das pessoas se confundiu sobre quais eram as imagens da versão original e da HD. Focada em apenas aumentar a definição da imagem para a HD e muito pouco em melhorar a iluminação e as cores (aspecto muito importante desse título em específico), esta remasterização acabou por deixar o jogo mais velho. A decepção com o que foi apresentado foi muito grande, especialmente em comparação com belo trabalho feito em Wind Waker HD (Wii U).  

E vocês? Concordam com essa seleção das maiores tragédias da Nintendo no ano? O que adicionariam, ou quais não podem ser consideradas tropeços? 2015 é um ano para esquecer para a Big N ou o que houve de bom supera? Confira o Nintendo Blast nos próximos dias para ver os 10 motivos para a Nintendo lembrar 2015 com os 10 melhores jogos do ano.
Lucas Palma Mistrello é historiador, mestre pela Universidade Federal de São Paulo. Redator nos Blasts desde 2012, começou com os games com o Atari 2600 e é eclético em gênero e temas: vai de COD e Medal of Honor a Pokémon e Zelda com a mesma vontade. Sempre está de olho nos comentários das postagens.

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