Prosseguimos com nosso especial que celebra o legado de Dragon Quest e seus 40 anos de história. Até aqui, acompanhamos a criação do primeiro jogo na parte 1, a consolidação das bases da franquia na parte 2, a evolução narrativa na parte 3, o nascimento dos primeiros spin-offs na parte 4, a transição para o 3D e o triunfo no Ocidente na parte 5, e a expansão da série nos consoles portáteis, especialmente no Nintendo DS, na parte 6.
Agora, chegou o momento de explorar os remakes lançados para o Nintendo 3DS e a ousada experiência online de Dragon Quest X, além da criação de outras duas vertentes importantes.
A jornada online
Após Dragon Quest IX conquistar um enorme sucesso no Nintendo DS com seu sistema cooperativo, os desenvolvedores decidiram dar um passo além na experiência conectada. Dessa ambição nasceu Dragon Quest X, que levou a série ao universo dos MMORPGs. O projeto foi disponibilizado originalmente para o Nintendo Wii em 2 de agosto de 2012.
Apesar da estrutura online, o jogo preservou diversos elementos tradicionais da saga, como o sistema de vocações e o foco na narrativa de aventura. Ao mesmo tempo, incorporou características típicas do gênero, permitindo que usuários cooperassem em missões, enfrentassem chefes em grupo, ingressassem em guildas, comprassem casas e participassem de eventos periódicos.
O sistema de combate também passou por uma reformulação. Em vez das tradicionais batalhas por turnos estáticos, a obra adotou um modelo híbrido com comandos sujeitos a tempo de recarga. Embora os confrontos ocorram continuamente, a cadência das ações mantém uma lógica estratégica semelhante à do Active Time Battle (ATB). Além disso, os aventureiros podem se movimentar livremente para melhorar o posicionamento, ampliar a eficácia de habilidades ou desviar de ataques.
Dragon Quest X foi recebido com entusiasmo e permanece em constante expansão, com suporte contínuo e atualizações frequentes. Após sua estreia no Wii, o MMORPG ganhou edições para Wii U, PC, PlayStation 4, Nintendo 3DS, Nintendo Switch e dispositivos móveis. Entretanto, infelizmente, a obra nunca foi disponibilizada oficialmente no Ocidente.
Em 15 de setembro de 2022, a Square Enix lançou Dragon Quest X Offline, uma adaptação da campanha principal voltada para um jogador. O produto reformulou mecânicas do original, simplificando sistemas e adotando uma direção artística em estilo chibi. Assim como a versão online, porém, a experiência permaneceu restrita ao mercado japonês.
Mesmo sem alcançar o público internacional, o décimo capítulo consolidou-se como uma jornada única dentro da franquia. Atualmente, seu acesso no Ocidente ainda ocorre por meio de “malabarismos”, com parte do material traduzido por fãs. Considerando todas as iterações, Dragon Quest X Online ultrapassou a marca de 1 milhão de cópias vendidas, enquanto a variante Offline superou 400 mil unidades.
Remakes de peso no Nintendo 3DS
Após o lançamento de Dragon Quest X, a Square Enix manteve a franquia em evidência no Nintendo 3DS com uma série de remakes. O primeiro deles foi Dragon Quest Monsters: Terry’s Wonderland 3D, lançado apenas no Japão em 31 de maio de 2012. O título reimaginou o clássico de Game Boy Color com gráficos totalmente em 3D e trouxe as inovações introduzidas na subsérie Monsters: Joker. A produção também alcançou grande sucesso, ultrapassando 1,5 milhão de unidades comercializadas.
Em seguida, surgiu a releitura de Dragon Quest VII, em 7 de fevereiro de 2013. Reconstruído com visual inteiramente tridimensional, o game modernizou a interface, acelerou o ritmo da jornada e adicionou recursos dos episódios mais recentes da época. Mesmo restrita ao Japão, a obra ultrapassou a marca de 2 milhões de cópias vendidas.
Em 6 de fevereiro de 2014, o segundo Dragon Quest Monsters também recebeu uma edição para o portátil, unificando as duas versões originais em Dragon Quest Monsters 2: Iru and Luca’s Marvelous Mysterious Key. O jogo seguiu igualmente as inovações da linha Joker e também foi lançado apenas no território nipônico, superando 1,2 milhão de unidades vendidas.
Durante esse período, a desenvolvedora ainda revisitou Dragon Quest VIII, que chegou ao 3DS em 27 de agosto de 2015 no Japão e em 2017 no Ocidente. Esta versão adicionou dublagem (na edição japonesa), novos personagens jogáveis, missões extras e diversas melhorias na interface, sendo considerada por muitos fãs a edição definitiva.
É importante ressaltar que, enquanto o Nintendo 3DS se consolidava como uma plataforma importante, recebendo remakes de grande porte, a franquia também expandia sua presença para os dispositivos móveis. Nesse intervalo, diversos títulos clássicos foram adaptados para smartphones, como a trilogia original (I, II e III) e adaptações dos mencionados remakes de 3DS, tornando o acesso à série ainda maior.
Novos horizontes com Heroes e Builders
Além dos remakes no portátil, Dragon Quest continuava expandindo sua presença para outras frentes fora da linha principal. Nesse período, surgiram novos spin-offs que reinterpretaram a fórmula e o carisma da marca de maneiras ousadas.
O primeiro grande exemplo foi Dragon Quest Heroes, lançado para PlayStation 3 e 4 em 26 de fevereiro de 2015. Desenvolvido em parceria com a Koei Tecmo, o projeto levou o universo da franquia para uma abordagem de ação em larga escala no estilo musou, com combates contra grandes grupos de inimigos e a presença de figuras clássicas. O título recebeu posteriormente versões para PC e Switch e, somando todas as edições, superou 1,5 milhão de cópias vendidas.
O bom número de vendas impulsionou uma sequência, lançada inicialmente em 26 de maio de 2016 para PlayStation 3, PlayStation 4 e PlayStation Vita. O jogo expandiu significativamente a proposta original, introduzindo um mundo mais aberto e um sistema de combate refinado. Assim como seu predecessor, Dragon Quest Heroes II chegou posteriormente ao PC e ao Switch, alcançando a marca de 1 milhão de unidades vendidas.
A franquia ainda exploraria outro gênero distinto com Dragon Quest Builders, lançado em 28 de janeiro de 2016 para os mesmos três consoles PlayStation. Inspirado em títulos de construção e sobrevivência, como Minecraft, o game transportou o universo da trilogia original para uma proposta com ênfase na coleta de recursos e criação de estruturas. Posteriormente, o projeto também chegou ao Switch, PC e aos dispositivos móveis, ultrapassando 1,5 milhão de cópias.
Assim como Heroes, Builders ganhou uma continuação em 20 de dezembro de 2018 para PS4 e Switch. A sequência expandiu praticamente todos os aspectos do original, introduzindo ilhas maiores, maior liberdade criativa, modo multijogador cooperativo online e diversas melhorias na qualidade de vida. Posteriormente, Dragon Quest Builders 2 também foi lançado para PC, superando a marca de 1,7 milhão de cópias vendidas.
Mais do que simples derivações, as subséries Dragon Quest Heroes e Dragon Quest Builders provaram que o universo criado por Yuji Horii podia se adaptar a gêneros completamente distintos sem perder sua identidade. Não é incomum, inclusive, encontrar jogadores que nunca se interessaram pela franquia principal, ou mesmo por RPGs de turnos em geral, mas que apreciam essas duas experiências.
Uma franquia em constante evolução
Durante a década de 2010, entre a audácia do modelo online, o sucesso dos remakes no Nintendo 3DS e a criatividade das novas subséries de ação e construção, a franquia expandiu seus horizontes e seguiu conquistando novos perfis de jogadores. Na próxima parte, que encerrará este especial, mergulharemos na celebração do legado feita pelos próprios desenvolvedores com Dragon Quest XI. Além disso, veremos os títulos mais recentes e o que já está confirmado para o futuro da franquia.
Revisão: Cristiane Amarante
Fontes: Dragon Quest Wiki, Dragon's Den, Shmuplations, Canal Oficial de Dragon Quest (YouTube), Dragon Quest 25th Anniversary Encyclopedia Of Adventure History Book






