Prosseguimos com nosso especial que celebra o legado de Dragon Quest e seus 40 anos de história. Até aqui, acompanhamos a criação do primeiro jogo na parte 1, a consolidação das bases da franquia com a Trilogia Erdrick na parte 2, a evolução narrativa trazida pela Trilogia Zenithia na parte 3, o nascimento dos primeiros spin-offs na parte 4, a transição para o 3D e o triunfo no Ocidente na parte 5, a expansão da série nos consoles portáteis, especialmente no Nintendo DS, na parte 6, e a experiência online na parte 7.
Agora, nesta última etapa, chegou o momento de explorarmos a grande celebração feita pelo décimo primeiro título, além das obras mais recentes e daquelas já confirmadas para o futuro.
Uma grande celebração de legado
Após alguns anos explorando formatos online e revisitando seus maiores clássicos, a equipe de Yuji Horii voltou as atenções ao próximo capítulo da linhagem principal. Anunciado em julho de 2015, durante uma transmissão especial dedicada à marca, Dragon Quest XI foi planejado como uma grandiosa homenagem aos, até então, 30 anos da saga.
O lançamento ocorreu em 29 de julho de 2017, com versões distintas para PlayStation 4 e Nintendo 3DS, embora apenas a edição do console da Sony tenha chegado ao Ocidente posteriormente. Apesar de compartilharem a mesma estrutura, a variante para PS4 apresentava gráficos condizentes com a então atual geração de aparelhos, enquanto a de 3DS adotava um visual próximo ao de Dragon Quest IX, com personagens em formato similar ao estilo chibi. Como diferencial, o hardware portátil permitia alternar entre modelos tridimensionais e uma apresentação em 2D, inspirada nos primeiros produtos da série.
A despeito da estética moderna, o décimo primeiro exemplar preservou grande parte da essência que consagrou a franquia. O tradicional combate por turnos retornou refinado, agora acompanhado por movimentação livre, opções variadas de câmera e um sistema de desenvolvimento baseado em painéis de habilidades, tal qual em Dragon Quest VIII. A experiência também foi expandida na exploração, com áreas vastas, monstros visíveis no mapa, acampamentos de repouso, uma forja portátil e o retorno do Party Chat.
Diversas melhorias de interface e qualidade de vida, que se tornaram padrão em muitos jogos atuais da série, também estrearam neste capítulo, como a mudança na coloração dos nomes das criaturas para indicar quando já haviam perdido uma quantidade significativa de vitalidade, além da possibilidade de visualizar o próximo objetivo da história e de atacar os inimigos no campo para obter vantagem.
Na trama, acompanhamos um jovem da pacata vila de Cobblestone, que descobre carregar a marca de um herói lendário destinado a proteger o mundo de Erdrea. Contudo, em vez de ser acolhido como salvador, ele é tratado como uma ameaça pelo reino de Heliodor, passando a ser caçado pelas autoridades. Durante a jornada, o protagonista reúne um grupo de aliados carismáticos e com motivações próprias, incluindo o ladrão Erik, as irmãs Veronica e Serena, o artista Sylvando, a lutadora Jade e o ancião Rab. Vale destacar que, assim como nos episódios IV e V, a narrativa é dividida em atos.
Em 27 de setembro de 2019, a Square Enix lançou Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition. Inicialmente exclusiva para Switch, essa versão reuniu os melhores elementos anteriores, unindo visuais em alta definição à chance de transitar entre o 2D e o 3D. A edição definitiva também trouxe trechos inéditos de história, dublagem completa para todas as cenas e aprimoramentos na forja. Em dezembro de 2020, o produto chegou também ao PlayStation 4, Xbox One e PC.
Recebido com enorme entusiasmo pelo público, Dragon Quest XI foi bem-sucedido em sua missão de equilibrar tradição e modernidade sem abrir mão da identidade construída ao longo de suas mais de três décadas. Embora não tenha trazido grandes inovações para o gênero, como alguns dos primeiros volumes, o título refinou os melhores aspectos da franquia em um pacote exuberante e extremamente divertido. Como resultado, o jogo tornou-se o maior sucesso comercial da saga principal, ultrapassando recentemente a marca de nove milhões de cópias vendidas, somadas todas as suas versões.
Novas experiências com monstrinhos
A prática de recrutar criaturas, presente desde Dragon Quest V e consolidada pela subsérie Monsters, voltou a brilhar recentemente. Disponibilizado mundialmente em 9 de dezembro de 2022 para Switch e em julho de 2023 para PC, Dragon Quest Treasures acompanha os irmãos Erik e Mia (Dragon Quest XI) durante a infância.
Desejando viver uma grande aventura, a dupla é transportada ao mundo de Draconia, onde descobrem a existência de um tesouro lendário. Diferente dos títulos da linha principal, a obra traz foco acentuado na exploração em busca de artefatos enterrados e apresenta combates em tempo real, nos quais contamos com a ajuda de monstros aliados tanto para lutar quanto para navegar pelo cenário. Estima-se que o game tenha ultrapassado 300 mil cópias vendidas.
Quase um ano depois, em 1° de dezembro de 2023, a franquia Monsters retornou com Dragon Quest Monsters: The Dark Prince. O jogo coloca o usuário no controle de Psaro, o icônico antagonista de Dragon Quest IV. Impossibilitado de atacar bestas devido a uma maldição, ele precisa recrutá-los para formar seu esquadrão, dando continuidade ao sistema de captura, treinamento e fusão que definiu esse segmento.
Com mais de 500 criaturas disponíveis, as tradicionais batalhas por turnos, um mundo com inúmeras variações causadas por mudanças de estações e um robusto método de síntese, além de um maior cuidado com o escopo narrativo, The Dark Prince representou o passo mais ousado da subsérie, entregando uma experiência que se aproxima do que costumamos ver na série principal. O título chegou ao PC no ano seguinte e se consolidou como mais um sucesso, com mais de um milhão de unidades comercializadas.
O renascimento da trilogia Erdrick
Em maio de 2021, a Square Enix anunciou um novo retorno aos primórdios da saga, com o ambicioso Dragon Quest III HD-2D Remake. Diferente das releituras anteriores, o título foi totalmente reconstruído, trazendo enredo expandido e a inclusão de muitas das mecânicas de Dragon Quest XI. O jogo também contou com trilha sonora orquestrada e a inclusão de uma nova classe. Além disso, adotou o visual que lhe dá nome, já em bastante evidência por obras como Octopath Traveler e Triangle Strategy. O lançamento ocorreu em 14 de novembro de 2024 para Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC.
O êxito da produção abriu alas para a conclusão da trilogia Erdrick, com Dragon Quest I & II HD-2D Remake chegando em 30 de outubro de 2025 para as mesmas plataformas, além do Nintendo Switch 2. O título seguiu a mesma estrutura do terceiro exemplar e trouxe uma narrativa que torna a ligação entre os três games mais coesa, além de uma região submersa inédita e de uma nova personagem jogável para o segundo jogo. Recentemente, a Square Enix divulgou que essas obras juntas ultrapassaram a marca de quatro milhões de cópias vendidas.
Uma nova chance para um título de muito conteúdo
Durante o Nintendo Direct realizado em setembro de 2025, a empresa anunciou Dragon Quest VII Reimagined, uma versão atualizada do clássico do primeiro PlayStation, que, como vimos em capítulos passados, havia inaugurado a transição da série para o 3D. Desta vez, os desenvolvedores optaram por uma identidade visual inspirada em dioramas, digitalizando bonecos reais dos personagens.
O jogo foi lançado mundialmente para Switch, Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC em 5 de fevereiro de 2026, tendo como um dos grandes focos reorganizar o ritmo narrativo, que era uma das principais críticas do público ocidental. Houve ainda uma reestruturação completa no sistema de vocações e um novo capítulo focado na versão adulta de Kiefer. Como se trata do projeto mais recente, ainda é cedo para mensurar seu sucesso comercial, mas a obra alcançou a marca de quase meio milhão de unidades apenas em seus primeiros dias no mercado.
Um futuro promissor
Durante as celebrações dos 40 anos da marca, realizada em maio deste ano, foi anunciado Dragon Quest Monsters: The Withered World, com previsão de lançamento para 3 de dezembro. Embora ainda não tenhamos tantas informações sobre o título, ele parece seguir a fórmula já conhecida, com foco no recrutamento e fusão de feras.
Nos materiais divulgados até o momento, ficou claro que jogaremos com versões infantis de Nera e Bianca, as candidatas a esposa do protagonista no quinto episódio da série numerada. Além disso, os anúncios confirmaram a presença de Debora, a terceira pretendente introduzida na versão de Nintendo DS.
Durante a transmissão, a equipe comandada por Yuji Horii também forneceu detalhes sobre o próximo jogo principal. Inicialmente anunciado como Dragon Quest XII: The Flames of Fate em 2021, o projeto teve o nome alterado para Beyond Dreams e o seu desenvolvimento reiniciado do zero.
Embora possa ser um balde de água fria, já que circulava a expectativa pela confirmação de uma data, os responsáveis mostraram preocupação em manter o jogo dentro da essência da franquia, sendo esse um dos principais motivos do reinício. Durante a apresentação, foi exibido um pequeno trailer, cujos visuais causam bastante entusiasmo.
40 anos de uma essência inabalável
Ao longo de quatro décadas, Dragon Quest não apenas definiu os alicerces do JRPG, como provou ser uma franquia resiliente e respeitosa com seus fãs, reinventando-se sem jamais perder sua alma. De seus primeiros passos no Famicom às produções mais atuais, a série segue encantando com uma fórmula aparentemente simples, mas que diverte de forma que poucas produções conseguem.
Mesmo com a infeliz perda de dois de seus maiores pilares (Akira Toriyama e Koichi Sugiyama), o legado construído permanece vivo e o futuro, promissor. Sob a liderança de Yuji Horii, que já afirmou diversas vezes seu compromisso em continuar honrando a contribuição de ambos, a franquia continua olhando para o amanhã sem deixar de lado as raízes que tanto apreciamos.
Encerramos este especial celebrando um dos nomes mais importantes da história dos videogames. Que as próximas décadas tragam ainda mais aventuras divertidas, heróis carismáticos, batalhas memoráveis, composições estonteantes e visuais inconfundíveis, mantendo viva a magia que fez de Dragon Quest um verdadeiro símbolo da indústria.
Revisão: Beatriz Castro
Fontes: Dragon Quest Wiki, Dragon's Den, Shmuplations, Canal Oficial de Dragon Quest (YouTube), Dragon Quest 25th Anniversary Encyclopedia Of Adventure History Book













