Pokémon Blast

Como Pokémon GO (Mobile) poderia influenciar Pokémon Sword/Shield (Switch)

Às vésperas da chegada da aguardada oitava geração, discutimos sobre como a experiência social e o suporte continuado de Pokémon GO poderiam cair como uma luva na série principal.

De várias maneiras, 2019 se mostrou um grande ano para os fãs da franquia Pokémon. Tivemos o aguardado triunfo do Ash na Liga Pokémon, a divulgação de uma nova temporada do anime que percorrerá todas as regiões já vistas, a revelação de que Pokémon GO (Mobile) teve seu mês mais lucrativo desde o lançamento oficial em 2016, e, claro, o inesquecível anúncio de Pokémon Sword/Shield (Switch) - os primeiros jogos da aguardada oitava geração, que finalmente trará a franquia em toda a sua glória para um console de mesa.


A poucos dias do lançamento oficial, já sabemos de algumas das novidades que a região de Galar trará, como as Galarian Forms, os fenômenos Dynamax e Gigantamax, e as promissoras Max Raid Battles, que podem ser enfrentadas em grupos de até quatro jogadores, por meio de comunicação local ou online. Esta última mecânica, como o nome já entrega, possui uma clara inspiração nas populares Raid Battles de Pokémon GO. Portanto, partindo desse princípio, quais aspectos a mais de Pokémon GO poderiam ser usados em Sword/Shield? Continue conosco, caro(a) leitor(a), enquanto discutimos como o spin-off móvel poderia influenciar os mais novos - e também os futuros - títulos da série principal.

O fenômeno cultural

Lá em 2015, recebemos o primeiro trailer de Pokémon GO, que já evidenciava a inovadora proposta de trazer os monstrinhos para o mundo cotidiano, acessíveis a partir do seu dispositivo móvel. De repente, não era mais em Kanto, Hoenn ou Unova que a próxima aventura aconteceria, mas sim no seu bairro, na sua cidade, no seu país. De diversas formas, era - e é até hoje - o mais próximo de Pokémon na vida real que poderíamos imaginar.

Embora muitos aspectos evidenciados no vídeo de apresentação tenham demorado a de fato figurar no jogo, como trocas e batalhas, Pokémon GO se tornou um enorme sucesso à época de seu lançamento em 2016. Em poucas palavras, era difícil encontrar alguém que não tivesse ao menos instalado o aplicativo para um teste, mesmo no Brasil. E, graças à sua curva de aprendizado suave e jogabilidade simples, até as pessoas que não possuíam muita intimidade com jogos eletrônicos conseguiam se divertir. Junte isso com o apelo natural de uma das maiores franquias do mundo e temos uma bela sacada da Niantic junto à The Pokémon Company.

O resto, como sabemos, é história: GO faturou aproximadamente 1 bilhão de dólares em 2016, superou aplicativos como Facebook e Snapchat em tempo de uso diário em várias regiões, e conseguiu tamanho alcance que foi elevado ao status de fenômeno cultural. Mesmo as críticas à falta de conteúdo do título e a inevitável perda de jogadores não foram o suficiente para deter o sucesso, que, logicamente, não passou despercebido aos olhos da Nintendo - especialmente levando em conta o efeito positivo nas vendas de Pokémon Sun & Pokémon Moon (3DS).


Pontes entre comunidades

Tendo em vista o enorme sucesso de GO e todos os novos jogadores que o título arrebatou, era de se esperar que a Big N e a Game Freak procurassem capitalizar em cima dessa nova e vibrante comunidade que surgiu. Embora arquivos internos nos jogos da sétima geração, como Pokémon Ultra Sun & Pokémon Ultra Moon (3DS) fizessem referência ao spin-off, sugerindo uma espécie de comunicação entre os títulos, foi somente nos recentes Pokémon Let’s Go Pikachu & Let’s Go Eevee (Switch) que a ponte entre as séries foi estabelecida, ainda que com limitações.

Apesar da conectividade presente nos recentes remakes de Kanto ser praticamente unilateral, aspectos como Pokémon aparecendo naturalmente no mapa de jogo e o sistema de captura adaptado mostraram que ideias inicialmente nascidas em Pokémon GO não ficaram, por assim dizer, deslocadas na série principal. Inclusive, pode-se argumentar, contribuíram à experiência geral no caso do primeiro exemplo. Além disso, a adição de Meltan e sua evolução Melmetal configurou um bem-vindo bônus para os jogadores que haviam investido nos dois títulos.


Tal como o Trading Card Game da franquia, Pokémon GO seguiu seu fluxo de desenvolvimento próprio, adquirindo características únicas no processo. Seu estado hoje - em novembro de 2019 - é muito diferente do que víamos em 2016. Há monstrinhos de cinco gerações, eventos temáticos constantes e até a inusitada ameaça da Equipe Rocket. Portanto, cabe a discussão: qual ou quais aspectos do aplicativo móvel poderiam, definitivamente, dar as caras na série principal?

Jogos como serviço e mundos orgânicos

Uma das maiores peculiaridades da atual geração de videogames é a abundância de jogos como serviço. Geralmente, abstém-se ou reduz-se o custo de entrada geral em favor de um modelo de negócios que preza por uma monetização menos direta, mas não menos efetiva. Itens, cosméticos e passes especiais, por exemplo, são vendidos em forma de microtransações e possibilitam um suporte continuado ao título em questão por parte das empresas envolvidas. É o caso, por exemplo, de Fortnite (Switch), Rocket League (Switch), e, claro, Pokémon GO.

Com esse modelo de negócio, sequências se tornam menos comuns (não espere ver um Pokémon GO 2 tão cedo, por exemplo), mas isto é compensado pelo fato do título original receber constantes atualizações e eventos especiais. Se o plano é bem executado, gera benefícios tanto para os desenvolvedores quanto para os jogadores - vide as enormes comunidades das obras citadas.



A título de exemplo, recentemente celebrou-se o Halloween em Pokémon GO. Monstrinhos dos tipos fantasma e noturno, como Gastly e Murkrow, apareceram na natureza em maior abundância, Yamask e sua evolução estrearam no jogo, e Raids especiais ficaram disponíveis, trazendo Darkrai e os iniciais de Kanto fantasiados. Para além da discussão sobre modelos de negócio, imagine o quão legal seria se eventos temáticos também alterassem a frequência de certos Pokémon em Galar. Estações do ano, datas comemorativas, crossovers, dias comunitários… As possibilidades são infinitas e certamente ajudariam na imersão e na sensação de pertencimento a um mundo realmente orgânico.

Outro aspecto já citado é o do estabelecimento e incentivo à ações em comunidade, que permeiam o título para dispositivos móveis. Por exemplo: quer capturar um Cobalion em Pokémon GO? Você precisará, em média, ao menos de mais três amigos para completar a Raid. Por pouco ele sobreviveu? Estabeleça um laço maior de amizade com seus companheiros, realizando diversas tarefas juntos, para um bônus de ataque ao batalharem ao mesmo tempo. São pequenas mecânicas que apoiam uma experiência mais social, algo que está no DNA de Pokémon e que a série principal necessita trabalhar, vide os passos para trás dados após a aposentadoria do Player Search System de Pokémon X & Pokémon Y (3DS).


Claro, as Max Raids parecem finalmente trazer um pouco mais do elemento social e cooperativo para os jogos principais. Mas, e se fôssemos além, e pudéssemos escolher uma equipe e defender ginásios especiais pela região de Galar, tal qual acontece em Pokémon GO? Com sorte, poderia até haver eventos online especiais, como as saudosas Splatfests de Splatoon 2 (Switch), onde alianças rivais se enfrentam para decidir o vencedor geral de tempos em tempos. Tendo em vista que os novos jogos dão ênfase às grandiosas batalhas Pokémon, seria um casamento quase perfeito.

Acredito que aqui você já pegou o fio da meada, caro(a) leitor(a): Pokémon GO, como vários jogos desta geração, se destaca pelo suporte contínuo e a ênfase na experiência social. Para além do debate sobre modelos de monetização, Pokémon Sword/Shield e os futuros títulos da série principal certamente se beneficiariam de avanços e novidades nessa área. Como dito anteriormente, a experiência social está no DNA de Pokémon desde a primeira geração, onde era necessário trocar com um outro jogador para completar a Pokédex. Aumentar as possibilidades nesse setor é ir de encontro com o melhor que a franquia tem a oferecer e aumentar em muito a vida útil de cada nova iteração.

O melhor de dois mundos

Em muitos aspectos de nossas vidas, o diálogo é a melhor opção. Como dito anteriormente, Pokémon GO seguiu seu fluxo de desenvolvimento próprio, e atualmente possui sua identidade particular, assim como o TCG e os jogos da série principal. Porém, “conversas” e “trocas” entre esses e outros pilares só tendem a contribuir para a inovação e aperfeiçoamento das experiências oferecidas como um todo. Pokémon, enquanto franquia, já se caracteriza por ser um esforço transmidiático. Nada mais justo, portanto, que aproveitar o melhor que tal característica oferece.


Pokémon GO é uma experiência que não deve ser isolada e, mesmo recente, pode realizar contribuições para a já longeva série principal de jogos, principalmente por sua posição de jogo como serviço. O oposto já aconteceu, com elementos como os Shadow Pokémon vindo direto de Pokémon XD: Gale of the Darkness (GC). Não é todo dia que presenciamos um fenômeno cultural similar e a série Let’s Go pode ser vista como um firme primeiro passo. Vejamos e aguardemos os próximos.

O que acha, caro(a) leitor(a)? Que aspectos de Pokémon GO poderiam figurar na série principal? Concorda ou discorda com a ênfase nos aspectos sociais, como as Max Raid Battles? Não esqueça de comentar!

Revisão: Vladimir Machado

é bacharel em Produção Cultural pela UFF e estudante de Comunicação Social pela FSMA. Na infância, ganhou um Super Nintendo dos pais e, desde então, nunca mais deixou o mundo dos games. Ainda sonha em ser um Mestre Pokémon.

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