Blast from the Past

Demon’s Crest (SNES): as aventuras da gárgula de fogo em busca de suas pedras perdidas

Abrindo nossa série de artigos sobre os jogos disponíveis no Nintendo Switch Online, saiba mais sobre o spin-off de Ghosts ‘n Goblins que fez sucesso no console da Nintendo.

Os assinantes do serviço online do Switch agora têm à disposição uma biblioteca recheada de títulos originalmente lançados para o SNES. É a oportunidade de conhecer ou revisitar alguns dos clássicos que foram responsáveis pelo imenso sucesso da plataforma de 16-bits da Big N. Para melhorar ainda mais sua experiência com esses games, o Nintendo Blast está preparando uma série de matérias com detalhes e curiosidades sobre cada um dos jogos presentes no catálogo. Hoje é o dia de falarmos de Demon’s Crest.


Lançado com o terceiro título da série Gargoyle’s Quest, o jogo é um spin-off da franquia da CAPCOM Ghosts ‘n Goblins, que figurou entre os maiores e mais bem sucedidos lançamentos da década de 90. Dessa vez, o jogador não será mais Arthur, mas sim Firebrand, um demônio em busca de suas pedras injustamente roubadas. Confira um pouco mais sobre esse título que mistura mecânicas de plataforma e RPG.

O anti-herói injustiçado

O nome Tokuro Fujiwara já não é mais, nos dias de hoje, muito citado entre os grandes desenvolvedores de jogos. Não podemos, porém, descartar os grandes precursores da indústria dos games que criaram as franquias de sucesso do século passado. Tokuro tem entre as suas criações uma das séries marcantes do início da era dos videogames: Ghosts ‘n Goblins.

Lançado para inúmeras plataformas, dentre elas o Nintendo Entertainment System, a franquia ficou conhecida por sua alta dificuldade e por seu protagonista, o cavaleiro Arthur, que decide atravessar os portões do inferno para resgatar sua princesa. A história pode até parecer clichê, mas o jogo de plataforma no estilo run ‘n gun trouxe belos gráficos e uma trilha sonora notável — o suficiente para deixar a marca em muitos dos jogadores da época.
Cena icônica do início de Ghosts 'n Goblins
O sucesso se propagou e a série seguiu firme, incluindo as sequências Ghouls ‘n Ghosts e Super Ghouls ‘n Ghosts, a qual também está disponível no Super Nintendo do Nintendo Switch Online. Mas hoje o destaque não será para a série principal, e sim para um spin-off que também fez muito sucesso em três jogos: Gargoyle’s Quest.

Tendo seus dois primeiros títulos lançados para Game Boy, a série tem enredo baseado no demônio vermelho Firebrand em seus embates com os outros demônios. O terceiro jogo da série, Demon’s Crest, foi então lançado para o Super Nintendo e apresentou mecânicas diferenciadas e muito bem conectadas à história.

Todos os demônios do reino lutaram durante eras pela posse dos seis Crests, pedras preciosas associadas a elementos da natureza, são elas: fogo, terra, água, ar, tempo e céu. Firebrand, como um dos que se destacou, lutou por todos os Crests para então obter a pedra do infinito, capaz de fornecer poderes ilimitados ao portador. Quando conseguiu a última delas, em um combate com o dragão, ficou gravemente ferido e foi vítima de uma emboscada planejada por Phalanx, que quebra sua Crest de fogo em cinco partes e rouba todas as outras.
Preso em uma emboscada
Nesse ponto tem início a jogatina, na qual um inimigo da série principal se torna o injustiçado e deve, também, combater o principal rival de Arthur para obter de volta cada um dos Crests. A cena inicial é um embate com o dragão recém derrotado e segue com a busca por cada uma das pedras preciosas ao longo das mais diversas fases, em um jogo de plataforma com mistura de elementos de RPG.

Quase um metroidvania

Se há algo que é destaque em Demon’s Crest, além de seus belos gráficos, é a sua mecânica de plataforma. Assim como em um jogo comum do gênero, há diversas fases a serem visitadas com diferentes temáticas, inimigos e desafios a serem vencidos. A diferença fica por conta da não linearidade, pois, de forma semelhante a um RPG ou metroidvania, você conquista diferentes habilidades ao longo da jornada que permitem visitar lugares antes não acessíveis. Para que o “mapa-múndi” se adapte a essa mecânica, sua exploração é feita através do sobrevoo da região, onde o jogador escolhe o local em que Firebrand irá pousar.
Sobrevoo pela região permite a escolha do estágio a ser jogado
Dessa forma, fica clara a sábia escolha dos desenvolvedores de utilizar um elemento da natureza para cada um dos Crests. Conforme vence diferentes chefes ao longo da jornada, o demônio vermelho vai adquirindo novas transformações que dão a ele habilidades diferenciadas, as quais iremos conferir em seguida.
Firebrand usando o Earth Crest
  • Fire Crest: é a forma obtida no início da jogatina por Firebrand. Apesar de já fornecer o disparo de fogo e o voo, essa pedra foi quebrada por Phalanx e, por isso, é a única que pode receber upgrades durante a jornada, como a possibilidade de criar plataformas temporárias, escalar paredes, quebrar paredes de tijolos ou apenas aumentar o dano;
  • Earth Crest: como essa pedra fornece os poderes da terra, acaba impedindo o voo de Firebrand. Por outro lado, dá grande força para empurrar objetos pesados, quebrar estátuas e pedras;
  • Air Crest: dominando os poderes do vento, essa pedra transforma Firebrand na gárgula aérea, permitindo o voo livre vertical ou horizontal — o que não era possível na forma comum do personagem. Além disso, é possível cortar plantas com rajadas de vento;
  • Water Crest: também são perdidas as habilidades de voo do personagem, mas torna-se possível nadar e respirar debaixo d’água por tempo ilimitado;
  • Time Crest: essa é uma das mais diferenciadas, pois diz a lenda que fornece ao portador as habilidades de voltar no tempo. Seu principal diferencial é diminuir pela metade o dano recebido pela gárgula;
  • Infinity Crest: a última e mais poderosa forma e o principal objetivo de Firebrand, a pedra do infinito dá a ele todos os poderes das outras transformações de uma só vez. Invejável, não é mesmo? Mas só é possível obtê-la depois de vencer o jogo.
Se você dispõe de tempo para explorar essa aventura old school, esteja ciente que a dificuldade é elevada para completar todos os desafios. Por outro lado, as funções fornecidas com o Nintendo Switch Online, como o Rewind, tornam a experiência menos frustrante, pois é um título muito divertido da década de 90 e que pode render diversas horas de diversão.

Confira, logo abaixo, outras matérias dos jogos que integram o catálogo do Super Nintendo no Switch Online.
Revisão: Jorge Neto

Fã de games desde o primeiro salto dado em Super Mario World, divide seu tempo entre experimentar algum indie ou rejogar um velho Pokémon. Mesmo sendo das engenharias, joga, escreve e é diretor de redação do Nintendo Blast nas horas vagas.


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