Meus jogos favoritos de 2020 — Farley Santos

Os redatores do Nintendo Blast falam sobre os títulos que mais curtiram entre os lançamentos deste ano.


Em 2020 o Switch se consolidou ainda mais como um console com grande variedade de experiências, principalmente com a ajuda dos indies. Neste ano experimentei muitos títulos interessantes no console híbrido e a seleção teve de tudo um pouco: grandes lançamentos, produções independentes menores e jogos que chegaram à plataforma da Nintendo somente agora.


Provavelmente a minha seleção vai surpreender um pouco, pois ela tem algumas coisas não muito conhecidas — é, inclusive, uma oportunidade para conhecer novos jogos. Nesta lista eu comento somente os títulos que joguei no próprio Switch, sem incluir os títulos disponíveis no híbrido, mas testados em outras plataformas, como Ori and the Will of the Wisps, Spiritfarer e Streets of Rage 4. Não deixe também de conferir os meus jogos favoritos de todas as plataformas lá no GameBlast.

Tokyo Mirage Sessions #FE Encore

Sempre tive vontade de experimentar o inusitado crossover entre Shin Megami Tensei e Fire Emblem, e a oportunidade surgiu com o lançamento de Tokyo Mirage Sessions #FE Encore no Switch. O jogo é um JRPG bem tradicional que, para mim, em sua essência, lembra bastante Persona: além da atmosfera urbana estilosa, os heróis contam com parceiros especiais e os calabouços se localizam em um mundo paralelo.


Gostei, em especial, do seu ótimo sistema de batalha por turnos focado em construir séries de ataques ao explorar as fraquezas dos inimigos — é muito empolgante conseguir montar grandes combos. A temática curiosa focada em idols japoneses me pareceu estranha em um primeiro momento, mas logo me rendi ao carisma dos personagens e às ótimas músicas (como Reincarnation). Às vezes o jogo passa dos limites com as bizarrices, mas parte da diversão é justamente ver os ataques especiais excêntricos e os personagens em situações malucas.

Lonely Mountains: Downhill

Eu nunca ia imaginar que um jogo de mountain bike fosse me prender tanto, mas foi isso o que aconteceu com Lonely Mountains: Downhill. No título, controlamos um ciclista que parte do topo de montanhas e tem como objetivo chegar na base, e para isso precisamos atravessar trilhas repletas de obstáculos. Um detalhe muito legal é a grande quantidade de caminhos e possibilidades, e com técnica e experimentação podemos fazer movimentos impressionantes — claro, depois de inúmeros tombos. Fora isso, a ambientação é excelente, com visual minimalista, ângulos ousados e som realista.

Void Bastards

Não sou muito fã de títulos FPS, porém dei uma chance a Void Bastards e não me arrependi. Na pele de prisioneiros interplanetários, precisamos explorar naves abandonadas a fim de conseguir recursos para conseguir seguir viagem. A visão é em primeira pessoa, mas a aventura em si é um misto de roguelite, furtividade, estratégia e administração de itens.

Os recursos são escassos (inclusive as balas), sendo assim precisamos avançar com muito cuidado — ou seja, atirar em tudo que se mexe não é uma opção. Gostei demais da variedade de perigos e da tensão constante, pois as incursões são imprevisíveis, nos forçando a improvisar. Fora isso, o jogo conta com visual cel shading marcante e atmosfera bem construída. Recomendo bastante para quem procura algo diferente.

AVICII Invector Encore Edition

Sempre gostei bastante de jogos de ritmo e só agora tive a oportunidade de experimentar AVICII Invector Encore Edition, que celebra o trabalho de Tim ‘AVICII’ Bergling, artista de música eletrônica que faleceu em 2018. O título explora o gênero de uma maneira incomum: controlamos uma nave que atravessa pistas no ritmo da música, e os estágios contam com três diferentes estilos de jogabilidade que se intercalam de maneira dinâmica.

Apreciei o desafio do jogo, aplicado em estágios com trechos que exigem destreza, domínio do tempo e percepção espacial. As últimas músicas, em especial, são bastante complicadas (e divertidas). Além disso, a parte audiovisual é impressionante, com gráficos vibrantes e coloridos que combinam muito bem com a música pulsante. De quebra, conheci melhor o som de AVICII e agora gosto muito de suas composições.

Shinsekai Into the Depths

Um deslumbrante oceano é o cenário de Shinsekai Into the Depths, título de ação e exploração 2D com pitadas de sobrevivência produzido pela Capcom. O que mais me chamou a atenção no jogo foi o foco em movimentação submarina com a ajuda de propulsores de ar (que também funcionam como vida), um arpão, um submarino e outros vários equipamentos. A aventura se passa majoritariamente na água, mas não há aquela sensação de flutuação e lentidão presente em títulos com trechos aquáticos.

Imersivo é como eu descreveria Shinsekai Into the Depths. Há boa variedade de situações e mecânicas pela jornada, e me surpreendi com a sua criatividade, como trechos em que precisamos nos virar para atravessar áreas de pressão aquática excessiva. A ambientação é ímpar e gostei bastante de explorar um oceano repleto de biomas elaborados e visualmente marcantes. Destaco também a trilha sonora exótica, que foi gravada debaixo d’água e trouxe um efeito de “eco molhado” às composições.

Grindstone

Como amante de puzzles, fui fisgado por Grindstone desde que ele foi revelado. No controle de um guerreiro, o objetivo é derrotar monstros espalhados por um tabuleiro, sendo o foco atacar várias criaturas em sequência com um único movimento. Em uma primeira olhada ele parece um simples jogo de combinar inimigos da mesma cor, mas há muitos elementos estratégicos e mecânicas que trazem variedade e profundidade às partidas.


Além do agradável visual colorido que lembra um desenho animado, o jogo tem um mundo de conteúdo espalhado por mais de 200 fases, desafios, equipamentos e mais. A jogabilidade ágil e cheia de possibilidades é viciante, sendo uma opção perfeita para partidas rápidas. Particularmente gosto bastante de tentar montar combos capazes de limpar a tela em um único turno; é muito recompensador quando conseguimos fazer um movimento incrível, mas às vezes a ambição resulta em derrotas severas.

Animal Crossing: New Horizons

Demorei para me render a Animal Crossing: New Horizons, pois nos vídeos e anúncios me parecia mais do mesmo, só que mais bonito. No fim das contas, no lançamento, acabei cedendo e comecei minha nova vida em uma ilha deserta. Gostei bastante de me perder nas inúmeras atividades relaxantes do jogo, em especial a construção de itens — todo dia fazia questão de passar um tempo procurando novas receitas de objetos para decorar a minha casa e a minha ilha. Com o tempo a magia perdeu seu encanto, comecei a achar tudo repetitivo e logo larguei essa vida paralela. Mas, mesmo assim, guardo com apreço o meu tempo de diversão em New Horizons.



Paper Mario: The Origami King

Sempre tive um grande apreço por Paper Mario e gosto muito de quase todos os jogos da série, inclusive os mais recentes que abandonaram muitos dos aspectos de RPG. Paper Mario: The Origami King, o primeiro título da franquia para Switch, parecia ser um retorno às origens ao mesmo tempo em que introduzia novidades. No fim o jogo se revelou mais próximo dos episódios recentes, mas sem deixar de esbanjar carisma e personalidade — ele me conquistou mesmo assim.


O vibrante mundo de papel repleto de atividades é o maior destaque de The Origami King. Há de tudo: trechos de plataforma, puzzles, minigames, exploração de oceano, caça ao tesouro e muito mais. O humor, como sempre, continua afiado e gostei demais de caçar os inúmeros Toads, principalmente por causa dos diálogos divertidos com trocadilhos, referências e memes. O ponto fraco é o combate, que é interessante, mas repetitivo; ao menos os embates contra chefes são incríveis e criativos. Já estou curioso para saber que rumos a série vai tomar daqui para frente.

Hades

Hades, novo título da Supergiant Games (Bastion, Transistor) usa a mitologia grega para criar um ótimo dungeon crawler de ação e roguelite. O jogo me conquistou com sua variedade de conteúdo, ótimas mecânicas, arte impecável, música e dublagem de qualidade e alta rejogabilidade. E ainda por cima ele tem uma narrativa bem construída que é explorada em diferentes partidas, algo raro em roguelites. Acompanho o jogo desde o seu lançamento no Acesso Antecipado no PC e fiz questão de experimentá-lo também no Switch em sua versão final.


O que mais me impressiona em Hades é a sua imensa diversidade de conteúdo. Não me canso de tentar diferentes combinações de bênçãos para fortalecer Zagreu, pois muitos poderes, em combinação com diferentes armas e habilidades, tornam cada partida única. As tentativas de escapar do Submundo são ágeis e repletas de embates empolgantes, e é natural acabar morrendo e voltando pro início (como é de praxe de roguelites), mas aqui isso não é frustrante, pelo contrário: ao sermos derrotados, a trama avança e o herói se fortalece, nos dando incentivos para tentar novamente. E a dificuldade ajustável faz com que o desafio seja intenso sempre.

No mais, Hades é formidável e continua me surpreendendo mesmo depois de mais de 90 horas de jogo compartilhadas entre as versões para PC e para Switch.



E para vocês, caros leitores? Como foi 2020? Tiveram a oportunidade de experimentar o que joguei? O que me recomendam?

Não deixe de conferir também as listas dos outros redatores: Juliana Paiva Zapparoli, Nicholas Wagner, Eduardo Comerlato.
Revisão: José Carlos Alves

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.


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