Sem mais delongas, te convido a mais uma vez a vir comigo e entrar num túnel do tempo para visitar os meus jogos favoritos deste ano.
Donkey Kong Bananza
Para começar a lista, o que eu poderia declarar como meu jogo favorito do ano, não só por ser um grande exclusivo e justificativa para o Switch 2, mas um retorno triunfal da franquia Donkey Kong após ser menosprezada por tanto tempo e ignorada inclusive em seu 40° aniversário.
Após descobrir uma ilha que prometia mais bananas, DK se choca diretamente com a Void Co. e, ao mesmo tempo, conhece uma jovem Pauline, ajudando ela a encontrar sua confiança e enfrentar os primatas malignos. Com uma destruição gloriosa, trilha sonora magistral, dublagem de ponta pela querida Isabella Guianeri e uma reviravolta que muda universos, Donkey Kong Bananza é um dos melhores plataformas da última década. O Rei retornou, de verdade.
Estamos no futuro proximamente distante. Na magnífica nave Von Braun, acordamos seis meses após um sono criogênico e descobrimos um massacre resultante do fogo cruzado entre duas IAs: Xerxes e a lendária SHODAN, reconhecida pelo desastre da Cidadela no jogo anterior.
Com comandos precisos, história extremamente intrigante, inimigos desafiadores sem serem irritantes, excelente biblioteca de preservação e uma das melhores ambientações que eu já vi em um jogo. Todos os elogios que System Shock 2 recebeu ao longo dos anos são merecidos e SHODAN é com certeza uma das melhores vilãs em mídia, emanando todo hubris e insanidade que uma inteligência artificial poderia proporcionar. E, por falar nisso…
I Have No Mouth, And I Must Scream
Este é especial. Além de eu ser um grande fã do conto original (tendo ganho de Natal do meu irmão), este era um dos jogos que eu mais queria ver na biblioteca da Big N (ainda esperando Psychonauts e Charlie Murder). Baseado na história curta I Have No Mouth, And I Must Scream, cinco humanos presos num futuro apocalíptico são obrigados por uma inteligência artificial maligna a enfrentarem seus medos e torturas além da compreensão.
Mesmo não sendo uma preservação apropriada do legado de Harlan Ellison, é um port extremamente competente, grotesco e digno de um dos maiores clássicos do gênero point and click e, efetivamente, a origem do trope de inteligência artificial insana com a presença incrível e onipresente de AM. COGNITO ERGO SUM; EU PENSO, LOGO EXISTO.
Yakuza 0: Director's Cut
Do futuro distante, vamos para o passado próximo. Estamos no final da década de 80, auge da bolha da economia japonesa. Kazuma Kiryu, o futuro lendário Dragão de Dojima, enfrenta perrengues para limpar o nome de seu progenitor diante de uma conspiração indesejada. Enquanto isso, Goro Majima, o futuro infame Cão de Shimano, está apodrecendo como gerente de um cabaré até encontrar uma jovem indesejada e indagar sobre seus ideais e valores.
Um dos primeiros exclusivos de Switch 2 pode até não ter bons compromissos e promessas para justificar sua exclusividade ao console noviço, mas compensa com sua qualidade absurda de história rica, gameplay imersiva e personagens carismáticos. Riqueza e fortuna aguardam aqueles diante a bolha de Yakuza 0!
No entanto, agora ficamos num meio paradoxo, entre futuro e passado, onde transitamos entre o futuro e a Polônia da década de 80. Neste meio período, a Terra foi erradicada pelo evento batizado como A Mudança, com pouquíssimas pessoas conscientes (os Viajantes) podendo transitar nesse inferno terreno, presos em seus sarcófagos de armaduras. Com a Viajante ND-3576, descobrimos a gênese do Armagedom e exploramos as ruínas de uma próspera sociedade.
Jogos de terror são deleites sempre a serem descobertos, especialmente novas marcas e foi uma enorme surpresa quando um dos títulos na Direct Partner Showcase de julho não apenas pareceu competente mas entregou bastante o que prometia. Com uma história intrigante, combate interessante e ambientação imersiva, Cronos foi uma bela surpresa e porta de entrada para o terror no Switch 2.
DeltaRune Chapter 3 / 4
Agora vamos aos tempos atuais. Em uma bela noite, você dorme com a televisão ligada. No meio da madrugada, você acorda em um programa do Silvio Santos com dois amigos e vão encarar mil e uma aventuras juntos. No dia seguinte, após a catequese, você e esses amigos encaram agora múltiplos santuários que podem ou não profetizar futuros terríveis, ao mesmo tempo que se encontram com um senhor que pode ou não saber mais do que deveria.
DeltaRune deixou muitos no escuro por anos, alguns esperando por respostas e outras multidões com mais perguntas e teorias sobre seu futuro e lore. Independente dos resultados, Tony Fox conseguiu o que queria: deixou as massas teorizando e profetizando e eu não poderia estar mais ansioso para o que esse desenvolvedor/compositor/maluco tem a entregar.
Yakuza 2 Kiwami
Voltamos para o século XXI. Estamos em 2006, um ano após os eventos de Yakuza Kiwami (este que foi declarado como meu jogo favorito de 2024). A paz de Kiryu é interrompida quando uma iminente guerra de gangues coloca a paz de Kamurocho em risco, colocando-o de frente contra o temível Dragão de Kansai, Ryuji Goda.
Mesmo cometendo erros bobos em sua execução de combate e preservação de conteúdo, este é um título imperdível para aqueles que querem saber mais da balada de Kazuma Kiryu. Com um combate ainda viciante, trama com muitas camadas, personagens coloridos e exploração de ambientes ainda mais natural, Kiwami 2 solidifica a Nintendo como um ambiente seguro a famosa franquia Yakuza (e eu mal posso esperar por Kiwami 3, chegando tão perto do meu aniversário).
Hollow Knight: Silksong
Por fim, em nossa caminhada, chegamos a um lugar fora do tempo, misturando passado e presente. Esperado desde 2019, Silksong está finalmente entre nós e não decepcionou nem um pouco com a longa jornada, entre ansiedade e memes.
Se passando após os eventos de Hollow Knight, temos a deuteragonista Hornet agora assumindo o papel de protagonista, desbravando o reino caído de Pharloom, corrompido por véus de seda e fanatismo religioso, possivelmente relacionados com suas próprias raízes. Entregando uma narrativa tecida com tramas e reviravoltas, combates finamente tricotados e personagens carinhosamente crochetados, Silksong cumpriu com as expectativas e ainda irá entregar mais, com uma expansão gratuita. Seria meu jogo favorito… mas…
Hades II
Tempo não está ao nosso favor. A Casa de Hades caiu. O Rei. A Rainha. O Príncipe. Todos da corte foram sequestrados pelo vil e traiçoeiro Titã do Tempo e gênese dos Deuses, Cronos. Somente a ama da casa, Hécate, carregando a princesa herdeira dos mortos, Melinöe, sobreviveram a chacina atemporal. Agora é o momento do acerto de contas. Com a herdeira do Submundo, Melinöe, reconquiste o que é seu por direito. Morte a Cronos.
Hades foi sempre um título que eu tive fé, desde o momento que foi revelado no TGA 2018. Vendo que recebeu respeito em Smash Bros. Ultimate e lançando sua extremamente competente sequência, Hades II, só me fazem ter mais orgulho de uma das mais ambiciosas e divertidas reinterpretações da mitologia grega. Apesar de personagens menos carismáticos quanto os anteriores (ainda excelentes, no entanto), trama épica tão ambiciosa e impactante quanto, evolução de gameplay natural e progressão tão viciante como na odisseia de Zagreus, Melinöe se destaca por sua magia e herança roubada. Um belíssimo título que é tão hipnotizante quanto as Romãs do Tártaro.
São tantas memórias que fiz este ano que seria loucura colocar todas de uma só vez. Resolvi dar foco para aqueles jogos que realmente me impactaram em 2025, mas também vou fazer uma nomeação para outros excelentes títulos que joguei, sejam lançados este ano ou não, disponíveis na Nintendo ou não.
- Psychonauts (PC. Eu joguei a sequência ano passado. Rejoguei o original este ano. VENHA PARA A NINTENDO)
- Kingdom Hearts: Melody of Memories (Switch. Cumpri a promessa que fiz a um amigo no Reino Unido e completei todos os Kingdom Hearts que me faltavam. Valeu a pena. Essa é pra você, Harry)
- System Shock (Switch 2. Erros crassos te fazem inferior ao seu irmão mais novo, mas eu ainda te amo)
- Mortal Kombat: Legacy Kollection (Switch 2. Um belo tributo a sanguinolência das lutas)
- Gex Trilogy (Switch. Minha primeira notícia no Nintendo Blast, finalizada com uma análise muito satisfatória para meu espírito. Say Gex!)
- Shujinkou (Switch. Finalmente um jeito carinhoso e divertido de aprender japonês!)
- RAIDOU Remastered: The Mystery of the Soulless Army (Switch. O retorno do lendário detetive da Atlus nunca esteve tão acessível e divertido)
- Duck Detective (Switch. A duologia desse Fantástico Senhor Patoso é simplesmente sensacional)
- Laila: Aged Through Blood (Switch. Mais… abaixo)
Ano passado, eu disse que 2018 e 2023 foram meus piores anos. Bom… 2025 superou eles, infelizmente, por um único momento, ao qual eu, coincidentemente, estava relacionando com o sentimento de renascimento de Laika. Eu perdi meu pai. E eu espero, do fundo do coração, que você fique bem ano que vem. Que NÓS fiquemos bem ano que vem.
Te amo para sempre, meu pai (Henrique), por me apresentar mitologia. Por me inspirar nos jogos. Por acreditar em mim. Te manterei vivo para sempre.
Revisão: Johnnie Brian
